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SEJA O LÍDER QUE DEUS QUER

Publicado: 1 de novembro de 2010 em Teologia prática
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Um dos maiores desafios é sermos aquilo para o qual Deus nos criou. Tenho ao longo de todo o  meu ministério visto muitos líderes se perderem porque querem ser qualquer coisa, menos o que Deus tem reservado para eles.

Realmente é um grande perigo quando o nosso desejo de ser não está aliado a vontade de Deus, acabamos por fracassar por um simples fato: não há bênção fora dos planos de Deus para a nossa vida.

 O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, queria construir a casa do Senhor, mas o Senhor não o permitiu fazê-lo. Não era para ele fazer apesar de querer. Mais tarde seu filho o Rei Salomão, homem sábio, construiu o santuário de Deus. Davi foi feito para estender as fronteiras do seu reino, foi feito para lutar; Salomão feito para estabelecer o reino no sentido de estabilidade.

João batista foi o precursor de seu primo Jesus. Lendo sua biografia nos evangelhos vimos que nunca desejou ser além disso e foi por isso que quando viu Jesus o reconhece como alguém superior a ele e disse que importava que ele diminuísse e Jesus crescesse, algo absolutamente notório vindo de alguém do mesmo sangue já que as vezes dentro da família é tão difícil o reconhecimento de superioridade. Sabia que sua função era batizar com água, mas viria outro que batizaria com o Espírito; ele era a voz que clamava no deserto, mas haveria outro que clamaria por todo o mundo, o messias de Deus.

O texto do evangelho de João 1: 15 a 28 e 3: 22-30, fala de quem é e de quem não é João. Ele é o mensageiro, aquele que testemunha – vs.15,  é posterior a Jesus – vs. 15, é recebedor da graça – vs. 16, não é o Cristo – vs. 20, também não é Elias – vs. 21, é a voz – vs. 23, é o que fala sobre arrependimento – vs. 23, é o que batiza somente com água – vs. 26, não é digno de desatar as correias das sandálias de Jesus, seu primo – vs. 27, é amigo do noivo – vs.29, sua alegria vem de ouvir o noivo, Jesus – vs. 29, deve diminuir e Jesus crescer – vs. 30. Em Mateus 3: 1-10 e  13-14, ainda temos: Usava roupas estranhas – vs. 4, tinha uma dieta excêntrica – vs. 4, tinha autoridade para batizar – vs. 6, não era víbora – vs. 7, não era digno de batizar a Jesus – vs. 14. João Batista sabia quem ele era. Certamente seus pais tiveram uma grande contribuição para que isso acontecesse, mas sobre tudo ele mesmo por suas escolhas ao longo de sua própria vida.

Se não soubermos quem somos as pessoas vão falar quem somos e às vezes o que não somos e o que é pior, vamos acreditar.

È interessante como as pessoas ao nosso redor querem opinar sobre a nossa vida. Dizem o que acham que somos ou o que deveríamos ser criando em nós uma identidade confusa.

É verdade. As pessoas possuem grandes atos de altruísmo, mas devido o coração pecaminoso, possuem absurdamente a tendencia de acabarem com as outras pessoas. A natureza humana tem destes paradoxos, infelizmente.

Em meu ministério não foram poucas as vezes que membros da igreja, amigos e até familiares fizeram observações, comentaram sobre mim inverdades quanto o que é essencial no meu ser e creio que isto não acontece somente comigo. Lendo certa ocasião o livro a Arte de virar o jogo no segundo tempo da vida de Bob Buford me deparei com a pergunta: Quem você realmente é, e o autor pediu para que colocasse numa folha a resposta. Entre muitos pontos escritos por mim ressaltei que sou uma pessoa bondosa, e aqui, por favor, longe de mim o orgulho ou a exaltação, fica apenas a constatação. Gosto de ajudar, de fazer coisas boas para as pessoas, me esmero ao máximo para ser útil a alguém. No entanto já recebi várias observações e declarações que me reportam para uma imagem de alguém muito ruim, que quer prejudicar o outro. Nestas horas confesso que fico perdido e até mesmo com um grande sentimento de frustração e culpa. A constatação é que muitas vezes perco a minha identidade formada pelo próprio Deus a partir do ventre de minha mãe e passo a ouvir pessoas que nada entendem de criação e que muitas vezes emitem um parecer segundo suas prórprias mentes, sua carne, seu universo de perversidade para mim. 

A verdade é que pessoas gostam de emitirem conceitos sobre outras pessoas e se encontrarem em nossas vidas espaço para construirem seus pareceres em nós consigiram seus intentos e não seremos aquilo para qual fomos feitos.

Outro exemplo: Sou por natureza predominantemente sanguíneo. Sou do tipo que conversa com dez pessoas ao mesmo tempo sem problema algum, falo muito. Alguns de temperamento diferentes do meu querem de qualquer maneira que eu mude e seja como eles. É claro que posso melhorar e fala com cinco pessoas ao mesmo tempo, mas nunca serei como eles, não fui criado para ser como eles.

É preciso de maturidade para fixarmos nossa identidade sem levar colado outras identidades ao longo da vida.

O diabo também quer trabalhar com a nossa imagem. Quer dizer que somos o que não somos diante de Deus. Você não pode, você não conseguirá, você é pequeno de demais para dar cabo desta questão e assim por diante. O inimigo de nossas almas está pronto a mentir sobre quem somos. Ele usará de todos os métodos, situações, pessoas para alcançar este intento. Diminuirá a nossa auto estima, trará a nossa mente incapacitações já superadas pela história de vida, nos aprisionará a sentimentos que nos causam paralisia e até doenças.

Não devemos esquecer que ele veio para matar, roubar e destruir e antes de fazer isso com o mundo ele quer realizar sua obra devastadora em nós, líderes da igreja de Jesus Cristo no mundo. Ao longo dos anos tenho conversado com muitos líderes que não sabem quem são ou se perderam quanto suas características próprias e tenho detectado que apesar de muitos serem brilhantes como pessoas e líderes não se percebem assim. E isso nada tem a ver com a humildade, mas com um poder sobrenatural de destruição. Não acreditam que pode, ficam coagidos ante aos problemas do dia-a-dia em seus ministérios, não tomam decisões na hora certa por medo de não consigirem se manter no ministério e assim por diante. Se a mente e o coraçao estão alinhados a uma imagem fracassada ou algo semelhante todo  o corpo receberá o reflexo e o fruto que surgirá será de péssima qualidade, a terra está contaminada. Muitas vezes embora saibamos que satanás é o pai da mentira, acreditamos no que ele fala como uma verdade inquestionável e passamos a viver uma vida medíocre e fracassada.

Quando não sabemos quem somos nós mesmos nos perderemos. Certa ocasião fui em uma igreja ouvir um amigo meu pregar. No final o cumprimentei e disse que foi muito ouvir Deus através de sua vida. Ele me disse: Meu amigo eu sou apenas um verme. Toda honra e glória ao nome do Senhor. Um verme? Verme é um bicho ruim, causa dados ao nosso organismo. Por que um pregador da Palavra tem que se referi a sim mesmo como algo que só causa males? Ah…esqueci é porque a Bíblia diz “Ó vermezinho de Jacó”. Dá-me paciência Senhor! Um texto usado fora do contexto. Mas tenho outra história para contar de um líder que ministrou um estudo para adolescentes onde estava e no final fiz a mesma coisa agradeci pela criatividade e idéia do estudo e ele me disse: “Realmente acho que fui muito bem.” Seus olhos estavam cheios de soberba. Dois extremos. Duas pessoas perdidas em suas identidades. Não somos nem vermes e nem senhores. Somos o que somos instrumentos usados por Deus, obra de sua criação. Um muito obrigado, continue orando para que eu seja bênção no Reino de Deus seria uma resposta madura para quem sabe quem é no cenário de Deus. Não é somente o coração das pessoas que é ruim e enganoso muitas vezes, o nosso também. Se não o disciplinarmos ele será um coração rebelde que fará de tudo para nos derrotar. A maior batalha é aquela que travada dentro de nós mesmos, por isso precisamos conhecer nossos territórios muito bem para que nós possamos estar preparados para a hora da luta e sermos vitoriosos.

Definitivamente temos que buscar o sentido de nossa existência em Deus. Ele nos fez e nos chamou deste o ventre de nossa mãe do mesmo jeito que o profeta Jeremias foi concebido (Jer.11-2) por isso somente ele pode nos dizer o que somos e qual a nossa missão na face da terra e dentro do seu reino.

Então precisamos descobrir quem nós somos diante de Deus. A tarefa não é fácil e quem dizer que é, talvez nunca se aprofundou em sua busca.

Alguns caminhos importantes em nossa busca pelo que nos somos diante de Deus:

1 – Intimidade  com Deus

É preciso ouvir a voz de Deus; é preciso dialogar com ele. Perdemo-nos porque ouvimos mais a nós mesmos e às vezes a satanás do que o próprio Deus.  É um processo. Tal como aconteceu com os discípulos no caminho de Emaús assim também deve acontecer conosco. Ao caminharem sem esperança, perdidos na missão, Jesus entrou no caminho e conversando com eles lhes devolveu não só a esperança, mas a missão para suas vidas. É assim conosco também, precisamos deixar Jesus conversar conosco sobre a vida, seus desafios, seus desejos, seus sonhos para nós e tomarmos posse de cada um para vivermos em vitória. Isso começa com uma vida devocional. O fato é quem sem o sós com Deus isso será impossível. Um líder precisa separar tempo para buscar ao Senhor em oração e leitura da Palavra de Deus bem como para exercer as demais disciplinas da vida cristã: meditação, jejum e adoração.

Quantas vezes estava completamente confuso sobre quem eu estava sendo, se não tomamos cuidado vamos nos transformando em algo que não compreendemos muito bem, e perdido fui até ao Senhor e nele encontrei o eixo correto para  minha identidade. Conversei certa vez com um líder que estava experimentando muito sucesso em seu ministério, mas estava completamente em crise pessoal. Procurou um profissional na área da terapia e nada adiantou, foi para o psiquiatra e também, apesar de ter melhorado um pouco pelos remédios que fora prescrito, não andou muito quanto a solução de sua angústia pelo que ele era. Em fim muitas foram as vezes que me encontrei com ele e a cada dia estava mais perdido. Um dia ele chegou a mim e disse que sabia o que estava acontecendo com ele. Estava correndo de um lado para o outro, sendo sugado pelos diversos deveres do seu ministério, mas parecendo com um maracujá encolhido, que já não tinha intimidade com Deus. Ele até orava e lia a Bíblia, mas se sentia longe de Deus e vazio dentro de si. Em nossa conversa ficou claro que havia necessidade por uma busca intensa por Deus. Ficamos uns três meses sem contato por diversos compromissos de ambas as partes. Quando conseguimos conversar, qual foi a minha grata surpresa: Ele estava muito bem. Perguntei a ele: O que aconteceu, rapaz? Ele me respondeu: Fernando eu me aproximei de Deus e neste movimento entre o pecador e o santo me encontrei porque Deus pela sua graça me encontrou e reconstruir minha identidade a partir dos cacos. Aleluia!

Em João 15:5 lemos: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” Que coisa simples é ser uma vara de uma videira. A vara brota da videira e ali ela vive e cresce, e, no devido tempo, dá fruto.

Não só quando estamos experimentando uma crise em nossa identidade, mas principalmente neste momentos temos que nos colocarmos em um relacionamento com Jesus e dizer:  Senhor, todas as coisas em minha vida têm que estar em completa harmonia com minha posição como Sua vara, a abençoada Videira por isso preciso de minha real identidade. Quando nos rendermos a Cristo de forma adequada, e Ele mostrará o que está, e o que não está de acordo com sua vontade em nosso eu, e nos guiará na mais profunda e elevada bem-aventurança e acharemos respostas para pergunta: quem somos?.

2- Lutarmos

“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam” Mt. 11:12 

Neste texto lemos que o céu é dos violentos, não das pessoas que fazem guerra, brigam, ou no sentido de uma “violência” ruim. A violência de que nos fala o evangelho é aquela onde lutamos para sermos quem Deus nos criou para sermos, aquela que fazemos contra o mundo e suas tentativas de nos roubar a identidade, violência contra as tentações. É sinônimo de coragem.

Aquela quando estamos diante de líderes que se venderam ao mercado gospel e estão embriagados pela bebida ‘santa’, apesar de termos vontade, fazemos violência contra nós mesmos e dizemos daqui eu não passo, pois conheço o meu limite.

Uma luta que parte da certeza de nossa visão, missão e valores e que nos faz não negociarmos em nenhum momento estes bens preciosos por qualquer outra mercadoria.

Certa vez ouvi um testemunho de um pastor que me impressionou por sua firmeza e personalidade. Ele contou que foi chamado para orar em um hangar por um dono de aviões. Chegando lá, pós a conversar com ele, orou. Em seguido o homem disse: Pastor está aqui uma quantia para ajudar a sua igreja na construção. O pastor sentiu que não era para receber aquele dinheiro e disse: Não, muito obrigado, não posso receber do senhor este valor. O homem ficou indignado. ‘Só porque não sou evangélico o senhor não quer o meu dinheiro! O pastor foi embora achando que poderia ter feito a coisa errada, mas por tudo o que era e já tinha vivenciado em seu ministério realmente chegara a conclusão que agiu de maneira certa. Uma semana depois assistindo TV apareceu o homem sendo preso por tráfico de drogas. Isto significa dizer que se ele tivesse recebido o dinheiro, que era uma excelente quantia, sua igreja e ele mesmo estaria envolvidos como ‘laranja’ no esquema, o que seria difícil de provar o contrário e o testemunho cristão estaria em completo risco. Como é bom sabermos quem somos e em que acreditamos!

 3 – Contar com Deus.

Muitos ainda não sabem quem são ou o que querem, e por isso é preciso  mergulhar fundo dentro de si e permitir que aos poucos Deus revele, os sentimentos, desejos, tanto os bons quanto os ruins. Só assim haverá a percepção de quem se é em cada situação.

Deus nos fala em todos os momentos e nos revela quem somos em cada situação, tudo depende da forma como reagimos aos acontecimentos, e é preciso que estejamos atentos, para não permitir que o mundo e tudo o que vem com ele, roubem nossa identidade.

Somos de Deus e para Deus voltaremos, mas somente se formos “violentos” em busca da nossa essência, da nossa verdadeira identidade:  “Filhos de Deus”. Somos Príncipes e Princesas, pois somos filhos e filhas do Rei.

Não devemos permitir que o mundo e o diabo nos roubem essa identidade tão valiosa e tão cara à Deus.

Podemos contar com Deus neste intento.

4 – Não fique ao lado de gente que distorce quem você é

Um conselho em prático: não fique lado de quem quer que você seja outra pessoa ou insiste em fazer e você uma outra pessoa.

Durante meus estudos tive um amigo que embora tivesse muitas características positivas insistia sempre em me diminuir. Ainda bem que não fazia isso na frente de outras pessoas, mas sempre em particular. Me lembro que ficava muito triste. Na época eu deveria ter me afastado dele ou pelo menos não ter andado tanto tempo junto.

Sei que muitas vezes é difícil tomarmos uma atitude de nos separarmos ou pelo menos diminuirmos nosso relacionamento com pessoas que não querem realmente se relacionarmos com quem somos e sim com quem eles querem que sejamos, mas é preciso. A dificuldade de tomarmos um posicionamento talvez seja porque em muitos casos essas pessoas estão bem perto de nós: é um familiar, um colega de trabalho do mesmo setor, um liderado bem próximo.

Por isso precisamos pedir de Deus estratégias para nos desvencilharmos destas pessoas sem criarmos algum mal estar. Eu creio que Deus nos dará o escape necessário, porque creio que Ele mesmo não deseja que andemos muito perto dessas.

Quando estamos ao lado de gente que não nos conhece ou nos conhecendo querem nos tornar em outra pessoa seja pelo motivo que seja, correm os o risco de nos perdermos e isso nunca é bom.

Talvez em seu ministério você esteja lidando com gente assim, é hora de por um ponto final neste relacionamento. Talvez tenha que fazer isso paulatinamente, mas se não começar nunca concluirá todo o processo. O importante é tomar a decisão.

Hoje, mais consciente quero pessoas ao meu lado que saibam quem eu sou e me aceitam. Isto não quer dizer que quero puxa sacos, mas gente que é de personalidade e que pode andar com outras sem tentar mudá-las. Gente que aconselha, admoesta, mas aceita o outro como ele é. Gente que não precisa subestimar nem superestimar outros para se sentir bem com elas mesmas. As demais pessoas as quero sim para ajuda-las, pastoreá-las e só.

5 – Não aceite outros papéis ou versões de si mesmo

Em minha experiência ministerial o rebanho sempre vai  projetar em você seus anseios, temores, necessidades e quem tem que levantar uma barreira para essas expectativas somos nós mesmos.

Alguns vão querer que você seja um pai. Numa sociedade de órfãos quer da presença de pais ou emocionalmente o líder é colocado neste papel. As pessoas estão carentes de afeto e como não possuem muitas vezes outras alternativas para trabalharem seus desafetos buscam no líder atingirem suas expectativas.

Quando comecei o meu ministério tinha 24 anos e me lembro como as minhas ovelhas queriam que eu fosse seu pai. Principalmente os jovens entre 16 a 24 anos. Mais eu precisava é de um pai. Aos 24 anos poderia ser talvez um líder amigo, mas nunca pai e nunca aceitei este papel. É claro toda decisão pagamos um preço e paguei o meu. Outros líderes que tinham este perfil ou que se venderam a ele, pela demanda de mercado, ficaram com minhas ovelhas. Hoje há muitos líderes que descobriram o ‘segredo de ser pai’ e estão até obrigando seus liderados a chamá-los de Pai – que absurdo.  Como líderes não fomos chamados para sermos pais afetivos de ninguém. Biblicamente não há substituição de papéis de paternidade. Um pastor, um líder foi chamado para liderar como pastor ou como um líder ministerial e ponto. Hoje ainda há muitos que me querem como pai, papai.  Passaram muitos anos desde que comecei o meu ministério e agora que já vi muitas crianças que hoje são adolescentes nascerem me sinto um pouco mais como um líder pai, mas confesso a minha resistência quanto a esse papel. Uma resistência que nasce de uma lealdade a minha ortodopraxia.

Não há problemas de você ser um líder pai se você realmente tiver este perfil e tiver uma teologia que aceite este fato, mas resista com todas as suas forças se não for o caso. Um dia ou você vence ou você perde de vez, estou brincando. Creio que Deus nos honra quando somos o que somos diante dele e que ele nos usa em nossa identidade.

Outro papel que muitas vezes querem nos colocar é como um líder amigo. Qual é o problema de ser amigo? Bem se você possui este perfil tudo bem. Minha liderança tem a ver com amizade. Sou um líder que trabalha com essa característica de ser amigo. Confesso que quando mais novo tinha um ênfase maior nesta área, mas do que agora. É perfeitamente compreensível. Os anos passam e a gente muda. A identidade não é algo estático, aleluia por isso! Agora mesmo tendo esse perfil há pessoas que me querem mais amigo do que posso ser. Um líder, um pastor tem um limite quanto a sua amizade. Ele é amigo e pode continuar sendo, mas nunca poderá esquecer que é pastor e líder. Se ele se perder no ser amigo, poderá perder sua voz profética e sua ação de influência sobre a vida das pessoas.

Há ainda que esperam que sejamos fortes sempre. É como nos colocassem a capa de super homem ou no caso das mulheres o laço da mulher maravilha e dissessem para nós; Você precisam liderar com toda a força e poder. Vocês possuem a força. Talvez esse papel seja o mais perigoso porque tem a ver com o poder, algo que é muito perigoso para nós que somos líderes. Aceitar esse papel é ser poderoso, é ter poder para decisões e sobre pessoas e situações. Para falar a verdade quem entre nós não gostaria de ter o controle total de qualquer situação? Mas a boa notícia é que não podemos ter. Só há um que pode desempenhar este papel: Jesus. Sua identidade permite este domínio.

Experimentar a fraqueza num mundo onde ela é sinônimo de derrota é um ato de bravura e de muita persistência.  Sua congregação ou seu grupo de pessoas vão massacrá-lo por não aceitar este perfil. Vão tentar desesperadamente enquadrá-lo na moldura do líder herói querendo transformá-lo em um mito.

Precisamos de muito direcionamento de Deus para não aceitarmos este papel. Aprender a dizer não quando temos vontade de dizer sim, é talvez um dos maiores aprendizados que temos que exercer.

Poderíamos mencionar um imensa lista de papéis que o povo ou algumas pessoas ou ainda um pessoa quer que exerçamos, mas esses três papéis demonstram o quando o outro exerce força sobre nós.

Não se dobre a força externa. Fique firme. Não aceite versões de você. Lembre-se: Você é original. Embora as versões genéricas possam até ter o número de série para fazerem funcionar, mas cedo ou mais tarde você precisará de um upgrade e não conseguirá, pois será atestado como uma cópia não autenticada e ficará na versão antiga com todos os limites desta. Vale apena lutar para ser original.

6 – Não tenha preguiça para descobrir quem você realmente é.

Certa vez lí não sei onde: “a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais….” Certamente o autor não estava muito preocupado em descobrir sua identidade e sim em viver.

Mas como viver uma vida plena se não nos descobrirmos como pessoas e não sabemos quem somos, impossível.

Clarice Lispector em seu poema diz:

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)…
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.”

É preciso se esforça para encontramos o nosso verdadeiro eu. Um eu não subjugado ao pecado que tanto distorce seu verdadeiro sentido, mas através da cruz de Cristo trazer a luz a verdadeira identidade com tudo de bom e com tudo de ruim que somos e, por conseguinte temos.

Confesso que não é fácil, é algo que dá trabalho. É melhor deixar para depois. Mas o fato é que quando mais tempo postergarmos nossa descoberta, talvez, a maior que poderemos fazer durante toda a nossa vida perdendo somente para a descoberta da Verdade que é Jesus Cristo, teremos uma vida fugaz e sem sentido e propósito e ninguém nos seguirá por muito tempo.

Invista tempo para se descobrir. Leia bons livros sobre identidade.. Descubra o seu temperamento, aspectos positivos e negativos; Faça um dos testes de dons que você conheça e descubra quais são os seus concedidos pelo Espírito Santo. Busque saber de pessoas que realmente lhe amam o que pensam ao seu respeito. Talvez até você tenha que buscar ajuda especializada para se descobrir ou melhor clarear coisas a seu respeito. Deixe Deus falar sobre você no dia-a-dia.

Em fim busque ser pleno em seu próprio conhecimento. Com certeza isso ajudará você a traçar com mais segurança sua trajetória de liderança e se sentirá na direção certa sem grandes crises pelo menos no que diz respeito a quem você é no cenário em que você se encontra.

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 “Onde Deus está?”, os repórteres perguntaram a Billy Graham por ocasião do atentado terrorista das torres gêmeas, EUA. O grande pregador respondeu mais ou menos assim: “Deus está nos bombeiros que estão trabalhando dia e noite para resgatarem os sobreviventes, nas centenas de pessoas solidárias que ajudam através do trabalho braçal e doações e dos paramédicos.” 

Nestes dias tão complexos que estamos vivendo como denominação por causa da situação dos seminários teológicos, dos nossos centros educacionais e outras realidades que nos causam profunda tristeza de alma, precisamos de uma resposta para a pergunta: Onde Deus está trabalhando? Caso contrário, ficaremos perdidos e tudo o que fizermos sem sentido. 

A resposta que vamos dar não é fácil. Trilha o caminho do diálogo e de uma profunda reflexão que deve ser feita com toda a humildade e por pessoas que realmente possuam o interesse de ver a obra do Senhor dignificada, apontando a todos respostas que os levem a crer na soberania de Deus, apesar da pecaminosidade e limitações humanas e não os deixem incrédulos da vida denominacional. 

Onde Deus está? 

Talvez na própria reflexão dos líderes que não possuem outra alternativa a não ser pensarem sobre o assunto, sobre os pecados e confissões que se fazem necessários nesta hora;
Na coragem que precisa ser empreendida para a tomada de decisões que rompam um ciclo viciado de cultura gerencial;
Numa politicagem que será desbaratada dando lugar a ações de justiça, amor e santidade;
Na solidariedade de líderes e igrejas que querem resolver os problemas sem jogarem tudo para o alto;
Nas estruturas que vão surgir para solucionar o caos e que servirão de atos preventivos para o futuro das diversas organizações de nossa denominação.
No surgimento de ‘profetas’ institucionais que declarem a vontade de Deus para a denominação e são acatados como instrumentos dele para a saúde de nossa organização batista.
No descobrimento de homens e mulheres de Deus capacitados para exercerem com eficácia e eficiência o serviço de Deus por terem sidos preparados por ele para esta hora. 

Na busca de soluções é preciso não só reuniões sobre estratégias e prováveis soluções, mas respostas também. Não qualquer uma, mas a que nos dará condições para progredir. 

Quando percebemos onde Deus está agindo nas perdas, descobrimos não somente ele, mas a tenacidade para continuarmos na jornada do dia a dia e a esperança para ir em frente, crendo que dias melhores virão. Sua soberania nos dá a absoluta certeza de que não estamos desamparados. Ele continua no alto e sublime trono.

A FILHA DE FARAÓ: QUEM SE IMPORTA?

Publicado: 19 de fevereiro de 2010 em Teologia prática
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 Sobre mulheres ao pastorado batista

A causa não somente é nobre, mas é justa. Mulheres chamadas por Deus para exercerem o ministério pastoral precisam de espaço legitimado em nossa Convenção e na OPBB e enquanto isso não ocorrer como precisa acontecer, para usar a expressão preferida do nosso presidente Lula, a luta continua. Uma luta não com espadas, mas com o cajado. Uma luta que se trava não em um dia, como Davi e Sansão, mas no dia-a-dia como o próprio Davi e Saul, que desafia até a última hora a própria fé. Mas não podemos deixá-las lutar sozinhas, nós os pastores, isso é injusto. Afinal de contas é de se esperar que sejamos hábeis no cajado, não é verdade? Temos que ajudá-las neste santo ministério de exercerem seu dom em toda amplitude que se precisa ter. Creio no trabalho em parceria. Como se faz isso?

Nestes dias estava lendo a história de Moisés, a narração que se encontra em Gênesis 2:1-10 e me detive não nos hebreus, em Faraó, Joquebede ou Miriam, mas na filha do imperador. Sempre em minhas devocionais tenho me perguntado o que tenho a ver com o texto lido. Com os hebreus creio que somente a fé, pois não me encontro sobre a opressão de um ditador, de um poder déspota, em relação à situação financeira e de conforto estou mais para ser um Egípcio do que um hebreu; com Faraó muito menos. A dor da mãe e da irmã de Moisés também não é a minha. Então só me resta a filha de faraó. É possível aprender com alguém que não faz parte da aliança com Deus? Claro que sim. Quais as lições que esta mulher rica e poderosa pode ensinar àqueles que querem fazer a vontade de Deus cooperando com as pastoras em seus pleitos?

É preciso ver. Ela viu o bebê dentro de um berço de junco. Nem sempre é fácil ver, ainda mais quanto o objeto de nossa visão não faz parte do nosso mundo, das nossas preocupações, como no caso da princesa do Egito. Não sabemos o nome desta moça, nem o seu temperamento, o grau de sensibilidade que tinha diante do outro, o que nos facilitaria chegar à conclusão porque ela viu. O fato é que apesar de não a conhecermos ela parou o seu banho para ver. Tudo começa com a disposição que temos de ver o que está em nosso rio, onde nós confortavelmente estamos nos banhando. É incrível que mesmo diante de tantas pastoras no cenário batista, mais de cem, pastores do gênero masculino continuam querendo, propositalmente, ignorá-las como se elas não existissem. Ainda estão discutindo se é ou não é bíblico, questões sociológicas, econômicas e espirituais. É como que Moisés passando diante das vistas da princesa e ela não olhasse. Isso até poderia acontecer com ela, pois não era do povo de Deus, mas quando acontece com homens de Deus é lamentável. Nós pastores-homens deveríamos aprender a olhar com o nosso mestre Jesus. Seu olhar sempre foi atento para os marginalizados e para com aqueles que precisavam de ajuda, particularmente com mulheres. É preciso deixar o colírio de Deus dilatar nossos olhos para identificar nossos problemas de visão e nos receitar as lentes com graus corretos para que vejamos o que precisa ser visto.

É preciso querer abraçar. A filha de faraó não somente viu, mas resolver tomar o bebê em seus braços, criá-lo, providenciar tudo para o seu crescimento sadio. Como isso foi possível? Creio que um milagre aconteceu, pois o normal seria ignorar a criança ou no máximo providenciar uma pessoa para cuidar dela, de preferência que não tivesse nenhuma ligação com o reinado. Há muitos filhos no Egito! Ela assumiu a maternidade tendo um filho hebreu do coração. Trouxe um fruto da escravidão para dentro de seu mundo, de sua casa. Absolutamente incrível esta mulher. Outro dia soube de um pastor famoso em nossa denominação que disse o seguinte: `Não está em minha agenda o assunto das pastoras por isso não me pronuncio´. Outro ainda disse: ´Não sou vocacionado por Deus para abraçar esta causa, deixo para os que são´. Sinceridade à parte, o inferno está cheio de gente sincera, a questão presente é de luta por justiça e quem não é chamado para tal? E que agenda pessoal não cabe tal pauta? Sinceramente o que falta são pastores-homens que queiram abraçar a causa como a princesa assim procedeu com Moisés. Não é um abraço de guerrilha, como só nós homens sabemos dar, mas um abraço cheio de compaixão porque assim como aquela pequenina criança no rio, as pastoras precisam de ajuda eficaz para não serem devoradas pelo próprio rio. A advertência ao não abraço é a do próprio Deus: não nos deixará sem o julgamento necessário pelas obras que deveríamos fazer e não as fizemos.

É preciso entender os momentos. Era um pequeno momento de banho. Prazeroso com certeza. Nunca aquela moça poderia imaginar que sairia dali como mãe e entraria na história do povo de Deus, não é verdade? Tenho aprendido que os momentos que menos esperamos são os que acontecem coisas em nossas vidas que mudam a nossa história, são as ocasiões em que muitas vezes Deus age e precisamos estar atentos para isso com o prejuízo de perdermos o kairós de Deus em nossa própria história e na história de Deus no mundo. Sua atitude determinou muita coisa na vida de Moisés e do povo hebreu. Nós pastores-homens precisamos perceber estes momentos que Deus tem nos dado para refletirmos nas atitudes que devemos tomar para que as mulheres pastoras possam, como grupo escolhido por Deus, se desenvolver sadiamente. Talvez nesta caminhada tenhamos que assumir a ´paternidade´ que, apesar de serem mulheres, as trazemos para junto de nós porque entendemos que temos condições de dar um futuro melhor e mais do que isso, o essencial, compreendemos que Deus preparou esse momento em nossas vidas para salvarmos um ser que precisa de ajuda, pois está em uma situação injusta.Sempre me pergunto nesta hora o que Deus quer que eu faça de relevante no seu reino? Penso em grandes coisas. Mas tenho aprendido que são as pequenas que movem o mundo ao meu redor. Quem se importa? Como a princesa do Egito, hoje a OPBB possui todas as condições para ajudar nossas irmãs em sua trajetória de peregrinação e fé. Muitos de nós pastores-homens estão em lugares estratégicos no rio de nossa denominação, têm prestigio, inteligência, livre transito, relacionamentos que fazem diferença, possuem o dom do ensino e da prédica, são estudiosos e convincentes quanto a proferir a vontade de Deus de maneira contextualizada e bíblica. Resta saber se realmente estão dispostos a ver, a abraçar e a entender o que o Espírito de Deus está dizendo à igreja, como ele está se movendo nas águas do rio e em seus corações.

FILHAS ALTIVAS; PASTORAS QUE LUTAM

Publicado: 19 de fevereiro de 2010 em Teologia prática
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 Gostaria que neste pequeno artigo ficasse registrada minha solidariedade e apreço pelas pastoras da CBB que lutam pela justiça, à propósito da participação delas em Cuiabá,em janeiro de 2010.

Mulheres não são iguais. Nem todas possuem as mesmas posturas. Há mulheres altivas e as lutadoras. As duas posturas são excludentes e inconfundíveis.

As filhas de Jerusalém
O texto de Is. 3.16-23, refere-se às mulheres de Jerusalém no 80 século AC, as filhas do povo de Deus. A síntese da constatação profética está na primeira frase: são altivas. Passeiam pelas ruas da cidade com uma postura de olhos, passos, sons, enfeites que ofendem a Deus. Digno de nota aqui é a ofensa a Deus, que o escritor faz questão de frisar e não aos homens ou as outras mulheres. E por que ofendem a Deus? Porque agem como se não houvesse uma causa a defender e razões para lutar. Estão tão confortáveis sobre suas próprias conquistas e riquezas que se esqueceram da injustiça feita com os órfãos e com mulheres como elas que ficaram viúvas e que sofrem, além da dor da solidão, as perdas econômicas e sociais. O julgamento do próprio Deus será cruel: a escravidão marcada na própria pele por sinal de desobediência à lei do Senhor. Todos veriam e saberiam o resultado de não ser justo e sim ímpio no sentido mais exato dos termos.

As Pastoras
Que diferença das mulheres pastoras que passeavam nos corredores da CBB em Cuiabá, MT, no mês de janeiro de 2010! Ao contrário das de Jerusalém, embora andassem como elas, entre o povo, movimentavam-se numa postura de justiça e retidão. Poderia afirmar por testemunho próprio, corriam. Femininas sim, encantadoras, por que não? Com todos os seus atavios digno de nota, mas com algo muito além do que se podia ver: sentimento de luta por uma causa que ultrapassa as suas próprias vidas e objetivos. Uma batalha por dois valores de suma importância no reino de Deus: justiça, michpat, traduzido por direito, por busca do prevalecimento do que é absolutamente certo diante de Deus e de todos; retidão, tsédeq, como aspecto pessoal do cumprimento do direito.
Na hora da votação por direitos igualitários na OPBB, pararam de andar e sentaram porque tudo o que se poderia fazer, fizeram. Agora somente restava oração, fé, lágrimas e a certeza de tarefa de casa bem cumprida. Puderam sentar-se porque tiveram uma postura ativa, eficiente e eficaz antes da hora da decisão.
Deus ficou alegre. Com certeza seu julgamento a elas não foi de destruição, mas de vitória. Ele veio com seu poder e glória, de maneira tão surpreendente fazendo justiça com a causa que elas defendiam, porque ele não deixa jamais sozinho aquele que o busca e faz a sua vontade.
Porque há mulheres que insistem em ter outra postura que não a altivez ainda há esperança para Israel.
Filhas – pastoras de Israel – não desistam! Deus prevalecerá e tudo o que não está completamente aplainado, o será.


 Mapa é uma representação do espaço

Tenho acompanhado toda a discussão sobre o pastorado feminino e o que percebo, na maioria das vezes, é a falta de dados precisos sobre o mesmo, principalmente por parte de líderanças denominacionais que influenciam em decisões importantes quanto ao futuro de nossa denominação como a própria OPBB que deveria ser a primeira a ter computado informações claras nesta área. Até onde tenho conhecimento, a primeira fonte precisa de informações quanto a esse assunto veio de uma pastora que modestamente começou a criar um banco de dados para saber os nomes, os lugares e o tempo de função pastoral feminino em todo o Brasil, a Pra. Zenilda Reggiani Cintra.

O interessante é que as decisões até então tomadas que atingiram nossas pastoras e o quadro pastoral da CBB foram tomadas no escuro, pois sem dados precisos não há luz necessária para se ver por todos os ângulo do assunto em pauta, o que foi e é uma lástima.

Defendo veementemente um mapeamento do espaço pastoral feminino na CBB. Uma cartografia. Só então poderemos trabalhar de maneira objetiva e concreta com o novo em nosso meio.

Cartografia (do grego chartis = mapa e graphein = escrita) é a ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas. Aqui uso o termo no sentido lato para expressar o desejo de se ter um mapeamento sobre a pastoral feminina desde o seu surgimento nas igrejas batistas da CBB.

É claro que não estou pensando apenas no desenho escrito do número das pastoras já existentes, que já é algo por si só expressivo, mas na análise da história da participação dessas mulheres que tiveram que lutar uma batalha praticamente sozinhas para chegarem a ser participantes do ministério pastoral. Um mapeamento que leve em conta o porquê da fala ou do calar-se, as memórias positivas ou negativas que guardam em toda a jornada de fé e as consequencias em suas histórias pessoais e ministeriais. Um mapeamento que se torna em si mesmo um apelo para escrever uma história das mulheres e para circular seus problemas àqueles de outras histórias como em nosso caso pastores do gênero masculino. Essa atitude poderá modificar o quadro geral da história destas que simplesmente querem ter o direito de exercerem com legitimidade seu dom, no caso pastoral no conjunto da história de nossa denominação. Uma cartografia empreendida que acompanhe os contornos, as mudanças e as rupturas, bem como as multiplicidades que envolvem os comportamentos, os sentimentos e a sensibilidade de cada pastora envolvida na prática pastoral denominacional.

Para que isso se torne realidade é preciso ouvi-las e para isso não se precisa fazer uma tese de mestrado e doutorado. Nem estou pensando em um GT que vai trabalhar o assunto pastoras (como já houve no passado), isso é algo puramente sistêmico e administrativo. Estou pensando em algo mais simples, no entanto mais profundo: sentar-se com elas e no mesmo nível de autoridade – homem e mulher – conversarem refletindo sobre suas vivências.

Deveriamos ser muito bons nisto uma vez que nosso sistema de governo eclesiástico está baseado na democracia, no sistema congregacional onde, por premissa, o falar e o ouvir fazem parte intrínseca do processo, mas não o somos, na prática, quando “o poder” se impõe contra a parte fragilizada, a mulher, pela opressão e a não legitimidade no sistema

Fica aqui o apelo: vamos lutar para um mapeamento. Lutar por conversas criativas, com palavras saudáveis que resultem em resenhas que traduzem nossa visão sobre o assunto pela ótica correta e balizada. E quem sabe depois de ouvir suas histórias de vida e de luta possamos ir à luta como Baraque e ganharmos a batalha.


 

ele deixou-nos o exemplo para que sigamos suas pisadas…” I Pe 2:21

Não há ministério sem serviço. Portanto, o líder cristão precisa aprender a servir. Servir com integridade.

Esse tipo de serviço só pode acontecer se for realizado com amor; caso contrário, será apenas uma atividade. O líder cristão não foi chamado para exercer atividades. Nossa vocação deve ser a mesma de Jesus: a radicalidade para com o outro – “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo.13.1).

Dois caminhos que temos tomar para que sigamos as pisaduras de Jesus.

Temos que ajustar os modelos que herdamos de serviço.

Ao longo da história, por algumas razões, o modelo de serviço masculino foi separado do modelo de serviço feminino e foi tomado como único modelo para um serviço de sucesso. O primeiro diz respeito à estrutura, organização, decisões, eficiência enquanto o segundo apela para a escuta, a comunicação, a solidariedade, a mútua edificação em amor. É preciso unir os dois modelos quando pensamos em serviço no Reino de Deus. Ou melhor, é preciso recuperar o modelo feminino perdido na história.

O primeiro exemplo é o de Débora, a profetisa. A Palavra de Deus diz que ela ficava sentada debaixo de uma palmeira (Jz. 4.5), acolhendo os israelitas que lhe falavam sobre suas lutas e procuravam soluções para seus dilemas. O interessante é que, pelo relato bíblico, Débora não somente ouvia, mas falava também (Jz 4.4). O importante aqui são os dois serviços realizados por ela: o da escuta e a do anúncio. A atitude de ficar sentada dá a ela uma visão clara dos fatos da vida a partir da audição, ao tempo que faz dela a própria boca de Deus quando ordena a Baraque que faça o que precisa ser feito, quando se faz líder do culto de celebração, agradecendo a Deus pela vitória.

Nosso serviço deve ser resultado do que ouvimos do povo. O povo sofre, as pessoas estão perdidas à procura de consolo. O líder íntegro é aquele que está disposto a ser solidário com o seu povo, que assume suas responsabilidades, que não fica calado e nem passivo, apesar de saber que o mal experimentado muitas vezes é resultado da própria ação do povo que anda em desobediência a Deus.

O segundo exemplo é o de Miriã. Uma das coisas interessantes em sua vida foi a sua ligação com a água: da salvação de seu irmão, da salvação do seu povo, como da contestação (Êx 2; Ex 15.20 e Nm 12.5-10). Ela faleceu em Cades, quando o povo não tinha mais água” (Nm 20.1-2). A água chega ao povo por vias desta mulher e na literatura sapiental água tem a ver com sabedoria de Deus comunicada ao povo na Palavra. Então podemos afirmar que desta mulher, pela fé, Deus permitiu brotar água da revelação na vida do povo, peregrino até a terra prometida.

Através do seu serviço (Êx 15:20-21), vemos o aspecto feminino de sua liderança: apreciou, apoiou e criticou a liderança masculina, anunciou profeticamente a presença e as maravilhas de Deus na caminhada do povo, animou os momentos celebrativos; foi nascente de água viva, oferecendo a Palavra ao longo de sua vida. Foi competente, solidária e participativa e essencial em termos complementares para a liderança de Moisés. Foi lembrada pelo profeta Miquéias como uma liderança reconhecida (Mq 6:4).

Nosso serviço precisa levar em conta a alegria das ações de Deus, a celebração da vida e o fato de que precisamos ser complemento de outros na jornada da liderança e que até temos possibilidades de erros de visão.

2. Temos que agir como Jesus agiu.

Quero trazer a nossa mente à cerimônia do lava-pés realizada por Jesus com os seus discípulos (Jo 13.1-17).

O serviço de qualidade, segundo o modelo de Jesus, é aquele que se faz em amor. Sabemos que amar as pessoas não é tão fácil assim, especialmente se do “geral” descemos ao concreto das pessoas.

Cristo desenvolve, durante o lava-pés, a pedagogia do exemplo, pois se investe voluntariamente de posição de extrema humildade para, então, ensinar que tal posição, que assume por um instante, deverá ser reproduzida eternamente por seus discípulos, uns com os outros. Todos deverão lavar os pés de todos para sempre, se até mesmo Ele assim o fez.

O paradoxo do Deus que se faz humilde, não exprime hierarquias, como as existentes entre os homens, mas algo muito maior: seu amor pelo ser humano. A expressão “hierarquia” é, em si, inadequada para descrever a proximidade e a distância entre Deus e o homem.

O gesto do lava-pés ilustra, de modo mais convincente, a necessidade da verdadeira humildade. Enquanto os discípulos contendiam entre si pelo lugar mais elevado no reino prometido, Cristo cingiu-se e executou o trabalho de um servo, lavando os pés daqueles que o chamavam de Senhor.

Hoje todos somos chamados a fazer o mesmo, a sermos humildes e simples em nossa liderança. Não deve haver luta por poder e superioridade entre nós. Todos somos iguais. É necessário primeiro tornar os nossos corações mais simples, para poder entender tudo o que Deus tem reservado a nós e em nosso ministério.

Quero tirar algumas lições deste exemplo de Jesus:

1.Revelação de humildade e serviço (Jo 13:4 e 5). Nenhuma referência do Antigo Testamento ao lava-pés mostra senhores lavando pés de subalternos (Gên. 18:4 e 5; 24:32 e 33). Mas Cristo, o Deus encarnado, inclinou-se para lavar os pés dos discípulos, um dos quais era o traidor.

2. Demonstração de igualdade e fraternidade (Jo 13:13-16). Embora o cristianismo não elimine todas as distinções sociais, diante de Deus nenhuma diferença de raça, cultura, sexo, idade, cor, classe social e economia têm valor. Um líder é desafiado a inclinar-se e lavar os pés de qualquer pessoa, porque todos somos irmãos em Cristo.

3. Unidade com Jesus (Jo 13:8). Quando Pedro quis impedir que Cristo lavasse seus pés, teve de reconhecer que esse gesto o afastaria do Mestre. Ao lavarmos os pés uns aos outros, reconhecemos que dependemos sempre de Jesus para a nossa salvação. Ele nos serviu primeiro e assim servimos a nosso semelhante e nos unimos a ele.

4. Símbolo de purificação (Jo 13:10). Mesmo depois de termos sido lavados completamente, no início da nossa caminhada com o Senhor, necessitamos de purificação posterior. Esses pecados precisam ser perdoados. O lava-pés aponta o fato de que Jesus está desejoso de lavar-nos outra vez e purificar-nos.

5. É uma ordem do Senhor (Jo 13:14-16). Ao lavar os pés dos discípulos, Cristo ordenou que seguíssemos seu exemplo, lavando os pés dos nossos liderados, não acusando-os, julgando-os e nem condenando-os.

6. Garantia de bênção (Jo 13:17). Finalmente, Cristo declara bem-aventurado todos aqueles que participam no lava-pés.

Vivemos num mundo em que servir é demonstração de fragilidade. Biblicamente, é sinônimo de fortaleza. Nosso desafio como líderes íntegros é preparar as toalhas certas para os pés certos, lavarmos e enxugarmos tantas quanto forem necessárias.

Quem disse que seria fácil? Mas podemos fazer isso como igreja do Senhor Jesus. Sozinhos é mais difícil, mas no corpo é mais certo atingirmos o alvo. Vejam João 21: 15-18


   “O caráter é superior ao intelecto.”

É impossível pensar em líderes íntegros sem refletir sobre o caráter que esses devem ter.

De forma bem simples caráter são princípios. É o conjunto de qualidades éticas resultam na formação moral de uma pessoa. Líderes íntegros precisam ter princípios corretos. Princípios são aprendidos. Assim sendo, o caráter é construído através de um aprendizado, uma disciplina do espírito que depende do esforço individual, dos meios culturais à disposição dos indivíduos e da ação poderosa do Espírito Santo em nossas vidas. Construir um caráter requer que nos foquemos em nossos valores e ações. Requer mudanças que passam pela transformação do pensamento – e isso é absolutamente difícil, pois acarreta a abrirmos mão de atitudes contrárias à vontade de Deus, ao tempo de tomarmos posições coerentes com a nossa fé e doutrina, de termos forças crescente para buscar idéias e conhecimentos novos a serem adquiridos.

Aqui está o grande desafio! Três razões que justificam essa afirmativa:

1. Os princípios do nosso tempo são essencialmente humanistas;

2. Sabemos que somos pecadores e que o que queremos isso não fazemos e o que não queremos isso fazemos, conf. Rom.7.19. Somos profundamente afetados pela realidade que nos cerca. Existem vários exemplos dignos de serem citados de pessoas na Bíblia que nos demonstram traços positivos em seus caráteres. Por exemplo: A sinceridade de Davi, a determinação de Elias, o altruísmo de Ester, a piedade de José, a incorruptibilidade de Noé, a coragem de Débora, a autenticidade de Paulo, o dinamismo de Pedro, a submissão de Sara, a eficácia de Moisés, e a fidelidade de Abraão.

Mas é claro que todos nós sabemos dos traços negativos dos personagens citados, como somos sabedores de todo o processo de aprendizagem que eles tiveram que experimentar para poderem ser transformados. Sabemos que o nosso padrão absoluto sempre será Jesus. Ele é o nosso alvo. Nosso caráter precisa ser o mais próximo de Jesus.

Para esta palestra quero usar a vida de Abraão como ponto de partida para a nossa reflexão.

A vida de Abraão mostra que qualquer pessoa escolhida por Deus para liderar pode ter falhas de caráter, a questão é se, durante a sua trajetória, ela permite que Deus ajuste o seu caráter ao dele.

Abraão foi um líder que obedeceu a Deus, deixando tudo para trás por causa de uma visão do Senhor. No entanto…

Ele foi um homem que entregou sua esposa duas vezes para outro homem, mentiu, (Gn 12.10-20; 20 1-7) aceitou gerar um filho com uma serva de sua esposa, (Gn16.1-2) e ainda teve de ouvir de um ímpio que ele era um mentiroso (Gn 21.23).

O episódio da morte de Sara mostra os ajustes que Deus havia feito no caráter de Abraão. Havia algumas falhas no caráter de Abraão que foram sendo corrigidas com o tempo.

Depois que Abraão foi chamado de mentiroso por Abimeleque, na negociação dos poços de água, (Gn 21:25) a bíblia não menciona nenhuma fraqueza do seu caráter.

Ao contrário, Abraão faz questão de comprar o terreno para enterrar sua esposa. (Gn 24:4-20).

1. Temos que aprender a firmeza de caráter na adversidade. 

“Abraão desceu ao Egito”. Ás vezes tomamos decisões erradas pressionados pelas adversidades. Abraão estava vivendo uma situação geral difícil. Seus problemas incluíam uma esposa estéril, a separação de seus parentes, e ainda uma terra seca que não produzia nada. A Bíblia diz em Pv 14:12. “Há caminhos que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte“.

Abraão precisava manter-se fiel à direção divina para que as coisas dessem certo e, infelizmente, não conseguiu mediante o medo. È sempre perigoso quando sentimos medo sairmos da direção divina e passarmos a dirigir a nossa própria vida. O caminho para o Egito é sempre ilusório e termina em frustração.

As consequências foram às seguintes:

1. O Faraó repreende Abraão.

2. O profeta Abraão é forçado a ouvir Deus através de Abimeleque – ou seja, neste contexto, Abimeleque é o profeta para com Abraão, e não o contrário.

3. Enquanto Abraão esteve fora da vontade de Deus e em terra estranha, não conseguiu construir nenhum altar ao Senhor, como fizera antes. A Bíblia declara que o “ministério da fé é guardado em uma pura consciência”.( Hb 10:22)

4. O “outro” recebeu as conseqüências do caráter de Abraão. (Gn 20:3,17-18).

5. Uma família desajustada.

O líder cristão também tem conseqüências em sua vida quando possui traços negativos em seu caráter.

Quais os caminhos de aprendizagem que precisamos trilhar para que o nosso caráter seja aprovado por Deus?

Entre outros penso que quatro caminhos:

1. Temos que aprender que o caráter nos leva à devoção e a devoção cria em nós o caráter.

O caráter nos leva à devoção e a devoção cria em nós o caráter

Quando vivemos um tempo de devoção, estamos nos aproximando de Deus e neste ato o nosso caráter vai sendo trabalhado. Em João 15:5, Jesus diz: “sem mim, nada podeis fazer”. Deus disse assim para Abraão: “anda na minha presença e sê perfeito”. Ele não disse “sê perfeito e anda na minha presença”.

Creio que na medida que vamos andando com Deus, Ele vai moldando o nosso caráter, transformando a nossa vida. Mas não creio que é pelo fato de termos um bom caráter é que temos também necessariamente uma boa vida devocional, mas é certo que quando temos uma boa vida devocional, temos um bom caráter. Falo de uma vida devocional que não seja só de oração e leitura da Palavra, mas, de fato, uma vida de andar com Deus. A Bíblia diz que Enoque andou com Deus… E alguém anda com Deus não porque é perfeito, mas para que possa vir a ser perfeito. Ficamos melhor quanto mais andamos com Deus… A vida cristã não é algo que vem fabricado. O caráter vai sendo trabalhado dia a dia, é um processo.

2. Temos que aprender que o caráter somente é transformado plenamente em Cristo Jesus.

É somente na pessoa de Cristo, que mensagem cristã e vida se fundem numa plena perfeição. Nele habita, verbaliza-se e manifesta-se toda a plenitude do caráter divino (Cl 2.9). Em Cristo o quer e o efetuar se harmonizam e agem através de ações concretas que demonstram verdadeiramente os princípios de Deus. Moody disse que “caráter é o que o homem é na obscuridade”. Por isso necessitamos do sangue de Jesus em nossas vidas.

3. Temos que aprender que não há atalhos para o forjar do caráter de Deus em nossas vida e ministério.

Abraão foi surpreendido pela fome, supondo que o caminho de Deus não incluísse a adversidade. Mas Abraão teve que aprender que Deus designa os testes da vida para desenvolver nossa fé, não para destruí-la.

Em minha opinião, deixar Canaã para ir para o Egito foi uma tentativa de Abraão de encurtar o teste da fome. Deus forçou Abraão a enfrentar Faraó em lugar da fome. Mas, além disso, precisamos ver que, no final, Abraão teve que voltar ao lugar de onde se afastou da palavra revelada de Deus. O último ato de fé e obediência de Abrão foi no altar que ele construiu entre Betel e Ai.

Nós podemos desviar do caminho para o qual Deus nos chamou a andar? Podemos, é claro, mas o caminho nunca será fácil. E, no final das contas, precisamos retornar àquele que deixamos de lado. Não podemos destruir os propósitos e planos de Deus para a nossa vida.

4. Temos que aprender a pedir perdão pelos pecados formados por um caráter distante da vontade de Deus.

Precisamos confessar as fraquezas de nosso caráter. Fred Smith em seu livro O Impacto da Liderança com Integridade diz o seguinte: “A confissão clareia e limpa nosso caráter” (pág 50). E isso certamente deve acontecer em nossas vidas. O caráter de um líder cristão deve ser puro e a pureza vem sempre com a transparência. Devemos lembrar que quando confessamos o que há de errado em nós somos obedientes e a obediência constrói o caráter de uma pessoa de Deus. Quando alguém possui um coração arrependido sinceramente diante de Deus isso faz com que ele caia no erro e fique preso no pecado.

Quero terminar esta palestra com uma frase: “O caráter não pode ser desenvolvido na calma e tranquilidade. Somente através da experiência de tentativas e sofrimentos a alma consegue ser fortalecida, a visão clareada, a ambição inspirada e o sucesso alcançado.” Helen Keller.

 

 


 

 

 

 A verdade é o alicerce da autoridade

 O que entendemos sobre autoridade?
 
 Segundo Bento Souto[1]   a palavra “autoridade” aparece 68 vezes no texto do Novo Testamento da edição Revista e Atualizada de Almeida – SBB 1997. Todavia, no original grego existem várias palavras para “autoridade”.

A primeira delas é “exousia” e ela é a mais usada para designar “autoridade” no Novo Testamento. Mateus nos diz que Jesus “ensinava como quem tem autoridade (exousia) e não como os escribas” (Mat.7:29).

A segunda palavra usada para “autoridade” é “archon”. Ela também é muito usada no NT, especialmente quando a Bíblia fala de governantes, comandantes, líderes, príncipes, comandantes, etc. Tem a ver com hierarquia. Em Romanos 13:3 lemos “Porque os magistrados (archon) não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade (exousia)? Faze o bem e terás louvor dela”.

A terceira palavra usada para “autoridade” é “katexousiazo”. Ela só aparece duas vezes no Novo Testamento. Em Mateus 20:25 “Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade (katexousiazo) sobre eles”. E também em Marcos 10:42 “Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade (katexousiazo)”.

A quarta palavra usada para “autoridade” é “exousiazo”. “Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade (exousiazo) são chamados benfeitores” (Lucas 22:25). Parece que tanto “katexousiazo” quanto “exousiazo” significam a autoridade (exousia) sendo exercida.

A quinta palavra usada para “autoridade” é “huperoche”. Ela aparece apenas duas vezes no NT. Uma delas é numa admoestação para orar “em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade (huperoche), para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito” (1Tim 2:2). E a outra é relativa a palavras usadas por Paulo na pregação. “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação (huperoche) de linguagem ou de sabedoria” (1Cor 2:1). Segundo Thayer, “huperoche” significa elevação, preeminência, superioridade.

Depois de cinco palavras para “autoridade” (exousia, archon, katexousiazo, exousiazo e huperoche) o apóstolo Paulo usa mais uma nesse versículo, “authenteo”.

“Não permito que as mulheres ensinem ou tenham autoridade (authenteo) sobre os homens…” (BLH 2Tim 2:12). Temos que recorrer aos Léxicos se quisermos ter um melhor entendimento, a seguinte explicação é apresentada: “authenteo”: alguém que com suas próprias mãos mata outro ou a si mesmo, alguém que age em sua própria autoridade, autocrático; um mestre absoluto; governar, exercer domínio sobre alguém, “ter completo poder sobre”, controlar de maneira arrogante (tiranizadora), controlar, dominar. “Controlar de uma maneira dominante” é freqüentemente expressado idiomaticamente, por exemplo, “gritar ordens para”, “agir como um chefe para”, ou “latir para”. É um domínio exacerbado, quase sangrento. Esse tipo de domínio foi condenado por Jesus. Ele disse: “Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mateus 20:25,26).

O fato é que precisamos aprender a exercer de maneira bíblica a autoridade que Deus nos concedeu para o desenvolvimento do ministério em qualquer tempo e lugar.

 

Como podemos ser considerados aprovados neste caminhar?

 

1 – Tendo a consciência de que “huperoche” e “authenteo” não devem ser os tipos de autoridade exercida por líderes íntegros.

 

É possível exercer uma influência impondo-se, dominando, controlando, sendo superior ou acompanhando, escutando, encorajando o crescimento, oferecendo confiança e convidando à responsabilidade. No caminho de nossa liderança teremos sempre as duas possibilidades à escolher.

 

Quando exercemos autoridade do tipo “huperoche”ou “authenteo”, à primeira vista temos a certeza de que agimos bem porque experimentamos o forte senso de dever em ensinar aos outros uma série de verdades. Neste caso o outro não tem nada a dizer; deve escutar, aprender e obedecer. Aqui a autoridade impõe e se impõe. No entanto quando exercemos tal tipo de autoridade não somos capazes de alcançar o outro no seu caminho, não o respeitamos, o tratamos como inferior e criamos um senso de culpa em sua vida.

 

A autoridade sadia é aquela que é exercida para ajudar outros a se tornarem responsáveis.

 

2 – Tendo a consciência de que precisamos exercer a autoridade de Cristo em nós mesmos.

 

 Gosto do versículo: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” Jo 8.32 (NVI). A verdade é que nos fará livres de todo o poder maligno que habita em nós, em nossa liderança. Cristo exerceu sua autoridade “exousia” (seu poder de exercer influência) para perdoar pecados, expulsar espíritos maus, vocacionar discípulos, etc. O que fica claro é que todas as atitudes de Cristo eram regidas pelo amor, Ele usou de autoridade para manifestar amor.

 

Na tentação (conf Mt. 4.1-11) ele poderia utilizar sua autoridade”exousia” (direito de agir) para fazer coisas boas, mas elas seria desprovidas de relacionamentos. Onde não há ações de amor, a autoridade se torna sinônima de poder e esse destrói.

Todas as tentações do diabo instigavam Jesus a utilizar a sua autoridade, Jesus poderia utilizar sua autoridade, seu poder, para transformar muitas pedras em pão, e assim, alimentar multidões, governar as nações com poder e equidade e ao ser salvo pelos anjos demonstrar que todos podem confiar em Deus. Mas ele diz não a cada tentação, pois essas manifestações de autoridade estariam sem o invólucro do amor, seriam o poder aplicado a força, sem contexto de relacionamento e amor, seria um poder por imposição. A autoridade “exousia” se transformaria em “huperoche”.

E poder do Espírito não acontece por força e violência, de forma impessoal, mas sempre exercido de forma pessoal, com base em relacionamentos. A autoridade advinda do Espírito Santo não é coercitiva. Depois de ser tentado, Jesus, sempre na autoridade do Espírito Santo, sai pelas ruas da Palestina, alimentando famintos, fazendo justiça e utilizando milagres para evangelizar, sempre no contexto da relação, do pessoal e do amor.

3 – Tendo a consciência dos perigos que cercam a nossa autoridade.

A tentação de consideramos nossa autoridade como instrumento de poder malévolo, “huperoche” e “authenteo”, sempre existiu e sempre continuará a existir.

 

O prestigio e o poder são irmãos gêmeos que nascem de uma autoridade errônea.

 

É o “eu” que se impõe procurando grandes números, dinheiro, sucessos, empreendimentos, proteção. Daqui nascem cruzadas, cercas, barreiras entre quem está dentro e quem está fora. Nasce também uma síndrome de “Messias” levando o líder a “ser” Deus e não amar a Deus, controlar os outros e não amar os outros, possuir a vida e não amar a vida. Leva-nos a responder a pergunta de Jesus: “Tu me amas mais do que estes? (conf. Jo 21.15) da seguinte maneira: “Podemos sentar à tua direita e à tua esquerda?”(conf. Mt 20.21).

 

Uma coisa é clara: a autoridade que é exercida pelo poder e prestigio é tanto mais forte quanto mais intimidade é uma ameaça para o líder. Quando falta o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis entre o líder e seus liderados o controle e o poder ocupam a preferência em seu coração.

 

4 – Tendo a consciência de que precisamos de discernimento.

Nosso coração é enganoso. Por isso precisamos buscar em Deus discernimento para percebermos se estamos usando a autoridade de Deus, “exousia”, em nosso ministério.

O esquema de discernimento correto deve obedecer:

· O reconhecer – é preciso, mediante avaliação no Espírito Santo, reconhecer a tentação de ser grande ou de se ter uma grande igreja usando para tanto uma autoridade em que o outro é apenas um número e um meio para alcançar os objetivos; perceber que as tensões, fraturas, solidão, medo, despeitos, amor não correspondido pode ter transformado um líder que usava a autoridade para abençoar em um líder amargo que usa agora a autoridade para manipular.

· O Compreender – Significa passar do que aparece externamente ao significado profundo. Por que a nossa autoridade sadia se transformou em “huperoche” ou “authenteo” ou até mesmo na combinação de ambas? Isso faz com que conheçamos os movimentos que nos levaram a estar agindo dessa maneira. Não reconhecer significa repetir ou perpetuar o passado.

· O Julgar – Agora chega à hora de perguntarmos? Para onde estou sendo levado através da autoridade que exerço? Caminho para ao bem ou ao mal? Deus está satisfeito com minhas atitudes? Podemos dizer como Paulo: “Agora eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim”(conf. Gl. 2.20)?

· O Agir – As reflexões e as avaliações têm de conduzir à decisão. “Segui-me (…) deixando imediatamente o barco e o pai, eles seguiram”(Mt 4.19-22). A única decisão aceitável pelo Pai quanto à autoridade é aquele que se transforma em serviço e só saberemos que realmente estamos trilhando a decisão acertada quando o Senhor a confirmar através de sua bênção sobre nossas vidas e ministérios.

Sei que não é fácil. Erramos muitas vezes no manipular de nossa autoridade. Mas é preciso pedir perdão pelo pecado de usarmos tão precioso dom, a autoridade, de forma destrutiva, mesmo que isso precise acontecer várias vezes em nossa trajetória ministerial.

É preciso sempre lembrar o que Jesus nos disse:

“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”. Jo.15.5

Ele tem a autoridade, “exousia”, toda autoridade, se estivermos continuamente nele e ele em nós, daremos bons frutos advindos de sua autoridade.

Exercer autoridade em nossa comunidade é um dos maiores desafios que podemos enfrentar como líderes no Reino de Deus. Nosso padrão é Jesus. Temos que seguir seu exemplo. Qualquer desvio é danoso e desastroso para a nossa vida e do nosso ministério.

[1]   Ver artigo complete no blog do autor: http://blogdobento.blogspot.com/


 Concordo plenamente com o autor do artigo “Presbiocracia Batista”, Pr. João Pedro, quando afirma: “o modelo e a natureza gerencial batista causa suas próprias mazelas.”
Quero apenas abranger um pouco mais a discussão porque, a meu ver, as dificuldades institucionais de nossa CBB não é somente o fato que pastores estão nas diversas funções nas instituições, apesar disso ser um dos pontos que precisam ser revistos.
Quais são os principais pontos que nos torna como denominação tão frágil no di-a-dia diante dos gigantes que temos que enfrentar?

Quero mencionar cinco delas, na minha visão:

1 – Acredito que a maneira como fomos nos estruturando denominacionalmente, baseados em modelos de administração, nos colocou dentro de teorias ultrapassadas de gerenciamento, uma vez que as propostas e a executabilidade das mesmas foram feitas por pessoas que não estavam devidamente plugadas na área da administração contemporânea. Eram cooperadores, mas não especialistas.

Não gosto de pensar que isso aconteceu porque os gerentes eram pastores, mas sim porque eles não tinham o preparo adequado. Não haveria problema algum se fossem pastores devidamente preparados. Acho inclusive que se houver pastores qualificados, isso facilita em muito a administração, uma vez que o sentido de autoridade presente estaria perfeitamente lincada à sociedade latina caldilhica, da qual fazemos parte (há coisas que podemos mudar e outras que podemos, digamos, melhorar). Temos também vários exemplos de leigos que ocuparam funções denominacionais e que foram verdadeiros fracassos e outros que foram sucesso. Qual foi o fator decisivo? A competência.

2 – Sobre o preparo de liderança para as instituições, recursos humanos, creio que aqui está a principal falha. Administrar engloba três esferas: a arte, a ciência e a construção. Nesse triângulo, cada aspecto do administrador fica evidenciado. No primeiro caso, os insights e a imaginação. No segundo, há foco na análise e na comprovação sistemática. A construção, por fim, diz respeito à experiência e ao aprendizado prático. Acredito que a todo executivo, uma vez nomeado, deveria ser concedido uma bolsa de estudo para seu aperfeiçoamento a fim de que possa ser eficiente e eficaz nessas três esferas de ação. Por exemplo: um curso de pós-graduação em recursos humanos ou em administração. Não tenho conhecimento de que haja para os nossos administradores um plano de aperfeiçoamento contínuo.

3 – As organizações devem funcionar como um todo orgânico e não como partes independentes. A CBB, com freqüência, adotou através dos tempos sistemas de gerenciamento no qual as áreas têm dificuldade em partilhar informações e trabalharem juntas. Quando o problema se apresenta, as partes não são capazes de se organizarem para a busca de uma solução porque através dos anos não se sentiram responsáveis pelas mesmas. O que se fez ultimamente? Percebendo essa falha se criou uma estrutura, e aqui novamente volto ao ponto um desse artigo, ultrapassada, porque uma função exerce a ponte como uma espécie de “gestor” para que se consiga uma união das partes do universo denominacional. Tem-se chegado à conclusão de que este modelo não é o melhor modelo de administração, talvez seja uma fase necessária, mas deve-se ter, ao meu ver, uma busca por modelos mais adequados aos desafios contemporâneos de administração.

4 – Nós não temos, que eu saiba, um database denominacional que contemple fornecedores, líderes leigos e pastores em potencial, líderes não profissionais ou profissionais com experiência nas diversas áreas, clientes e etc. Isso faz com que não se tenha continuamente um “diálogo” verdadeiro, ao longo dos tempos, com pessoas que podem suprir a denominação de várias formas. Isso possibilitaria identificar, quando necessário, pessoas capazes e viabilizar novos caminhos que conduzam à experiências de êxito comprovado.

5 – Outro aspecto é o preconceito com líderes que não entram numa forma pré-estabelecida por alguns da denominação, ainda que realizem um trabalho de excelência em seus ministérios e tendo capacidade comprovada para exercer funções que a denominação necessita. Precisa ser muitas vezes alguém que ‘reze na mesma cartilha’ quando a necessidade é de mudanças. Alguém que venha com novos horizontes e que tenha coragem de empreender mudanças no status quo. Que fique claro que não estou pensando em líderes que sejam rebeldes denominacionalmente e nem que não sejam batistas no melhor termo da palavra. Amor à denominação não significa se concordar com tudo o que se tem na denominação, mas ser fiel a ela mesmo nas diferenças.

À bem da verdade, não se pode dizer que se mudássemos a denominação de presbiocracia para qualquer outro modelo teríamos uma denominação ajustada ao mercado evangélico, especialmente os batistas quanto à qualidade de sua administração. O que podemos dizer é que, seja com pastores ou sem pastores, uma estrutura contemporânea de administração, um preparo qualificado e uma estrutura organizacional mais coesa seria um caminho para a saniedade de nossa Convenção, atingindo assim nossas igrejas, que afinal de contas, são a razão para todas essas mudanças.


 Renovação é necessária para que a igreja do Senhor Jesus Cristo possa caminhar no ‘caminho de Emaús’ e recuperar a alegria e a esperança de ser igreja.

Algumas estratégias para que a renovação aconteça são absolutamente necessárias e quero apresentar algumas:

a) Sensibilidade a atuação do Espírito Santo para o discernimento do tempo de renovação para a igreja

Buscar o Espírito Santo é essencial para reconhecermos a hora em que Deus deseja a renovação da igreja e a hora em que eu, como ministro, estou preparado para conduzir o meu povo rumo à vontade do Pai.

Ao buscarmos ao Espírito Santo, temos sempre a absoluta certeza de que não é a nossa vontade e os nossos métodos, mas os de Deus. Isto será de extrema importância para a visão a ser mantida diante de opositores.

b) Avaliação da realidade em que se encontra a igreja – verificar os estágios dos membros individuais, em grupos e da igreja como um todo;

Fazer um check up da realidade em que eu estou inserido para detectar a realidade. Este pode ser através de pequenos grupos de avaliação, pesquisa, conversas informais. A grande verdade é que precisamos verificar os estágios de vida dos membros da igreja: idade, experiências com Deus, família, cultura, para depois implementarmos as estratégias que Deus tem para a igreja, não sendo empecilho nesta hora.

c) Ter a visão da parte de Deus

Não é a minha visão, mas a visão de Deus que deve imperar. Se for a minha visão tudo se acabará com muita rapidez. Mas se for a que vem do Senhor, fruto de intensa busca para entender como Ele quer agir neste momento na vida dos seus, até podemos passar por tribulação, mas no final a vitória virá.

d) Sensibilidade a atuação do Espirito Santo para delinear as etapas das visões;

Preciso estar atento para o que Ele vai falar no processo da renovação. Algumas coisas sabemos no início, outras vêm à medida em que estou dando os passos na direção da vontade de Deus. Atenção ao mover do Espírito é de suma importância para que a visão seja concretizada e não frustrada.

e) Ver como o Senhor quer agir através de minha vida , da igreja e da cidade onde a igreja está inserida;

Neste processo de renovação, preciso ter a consciência de que serei instrumento de Deus em todo o processo. Além disto preciso entender que não sou único. Preciso de ver como o Senhor deseja trabalhar agindo através da igreja e da cidade. Estes três sujeitos são movidos pelo Espírito na renovação.

f) Análise crítica à luz da Palavra de Deus que valide ou não a visão recebida;

Tudo deve ser transpassado pelo Palavra de Deus. Ela é a régua imprescindível no processo de recebimento da visão, preservação e sustentação da mesma. Se eu não for a Palavra corro o sério risco de errar e levar o meu povo a um destino contrário a vontade de Deus.

g) Identificar pessoas chaves que desejo mobilizar para serem partícipes da visão e cooperadores;

Preciso reconhecer as pessoas que são espirituais, no sentido de estarem conscientes da visão que eu recebi do Senhor, ou de pessoas que ainda que não estejam conscientes, mas que desejam uma nova visão. Devo capacitá-las com todas as minhas forças, chamando-as para junto de mim e fazendo-as discípulas da visão.

h) Buscar pessoalmente novos paradigmas para os novos tempos que virão;

Preciso também correr atrás de novas estruturas e métodos. Não que devo confiar em primeiro lugar nisto, mas preciso fazer a minha parte. Consultar a Internet, pessoas, modelos é de suma importância para conduzir a visão de forma concreta e dinâmica.

Também a visão é dinâmica e eu preciso aquecê-la continuamente.

i) Busca de um modelo próprio;

Depois disto tudo preciso sentar e pedir ao Senhor um modelo que se ajuste à minha igreja. Pode ser fruto de várias pesquisas, mas precisa ser contextualizada à realidade de minha gente.

j) Capacitação de liderança;

Preciso capacitar as pessoas para realizarem a renovação de forma que se garanta a fidelidade a mesma e a qualidade. Isto deve ser feito por um plano integrado de aperfeiçoamento de liderança. Posso fazer pessoalmente ou mandar meus líderes a lugares onde se pode aprender. O importante é a capacitação.

k) Avaliação

Todo o processo da renovação deve ser avaliado continuamente. Mas depois da renovação concluída, ou no seu todo ou em partes, preciso avaliar, criticar colocando pesos, para aperfeiçoamentos e garantia de que tudo não vai se esvair. Preciso ser muito sincero e realista, entendendo que é normal no processo sair coisas que não estavam pré-agendadas. Isto também faz parte da obra do Espírito para que eu não ache que tenho o controle absoluto da renovação.

Algumas perguntas importantes:

1. Cremos no que foi escrito neste artigo?

2. Até que ponto estamos prontos a pagar o preço da renovação de nossa igreja local?

3. O que teremos que mudar em nós mesmos antes de começarmos o processo de renovação em nossa comunidade?

Que Deus nos ilumine no caminho. Mesmo que estejamos desanimados pela realidade de nossas igrejas, possamos receber a Jesus Cristo, comermos da sua ceia, pães e peixes, e sermos agraciados pela renovação que sempre fornece vitalidade e celebração e traz a alegria da vida em sua completa plenitude.