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A IGREJA E SUA EVANGELIZAÇÃO

Publicado: 1 de abril de 2012 em Teologia prática
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Cada geração de cristãos tem a responsabilidade de não deixar a chama do evangelho se apagar. Isto pode ser feito através de várias formas, mas a principal deve ser através da igreja local de Jesus Cristo. Sim, Instituições para-eclesiásticas, podem realizar obras de evangelização, mas nada substitui a própria igreja através da práxis de sua missão que é a própria missão do seu Senhor.
Com isso quero afirmar que cabe igreja a tarefa da evangelização a partir do local onde ela está inserida, sua comunidade e dos relacionamentos experimentados por seus membros no dia-a-dia.
Mas o que é mesmo evangelizar?
Quando olhamos para as Escrituras Sagradas percebemos uma variedade de paradigmas na área da evangelização e missão.
Vou usar para fins deste estudo três escritores bíblicos: Mateus, Lucas e Paulo para entendermos corretamente o que é evangelizar. Lendo seus escritos entendemos o seguinte:
Para Mateus evangelizar não é uma atividade de levar pessoas à conversão apenas, mas de fazer discípulos. Esta tarefa deve ser para todos, ninguém pode ser excluído de ouvir o evangelho. (Mat.28:16-20)
Para Lucas evangelizar envolve uma inversão de todas as consequências nocivas a fé, para que as pessoas sejam livres para amarem a Deus e servi-lo. Na visão de Lucas somos salvos para servir. A evangelização feita pela igreja só pode acontecer pelo poder do Espírito Santo de Deus. E ainda a evangelização envolve adversidade e sofrimento. (Luc.4:16-21, Luc. 24:45-49 e o Livro de Atos)
Para Paulo evangelizar não é simplesmente trazer pessoas ao ponto da fé em Cristo, é trazê-las incorporadas à igreja local, tornando-as membros de uma comunidade de redenção chamada igreja. (Ef. caps 1,2,3,4,5)
Então … evangelizar é uma ação proposital da igreja local reunida ou dispersa através de seus membros e programas de anunciar a Jesus Cristo a todas as pessoas fazendo-as testemunhas dele e pertencentes a uma igreja local. Em outras palavras, levar pessoas que não têm Jesus em suas vidas a recebê-lo, obedecendo-o em seu dia-a-dia, tornando-o um verdadeiro discípulo de Cristo.
Uma igreja evangeliza quando ela fala de Jesus de várias maneiras e discípula aqueles que são salvos.
Isto é muito importante se entendido, pois muitos crentes acham que evangelizar é somente pregar o evangelho e aí quando a pessoa se converte é deixada de lado. Em algumas igrejas há o ministério de evangelização e o ministério de discipulado. Isto é um erro porque o discipulado está implícito no ato continuo da evangelização. A não ser que o ministério de discipulado seja específico como, por exemplo: discipulado de novos líderes. Mas aí nada tem a ver com a salvação.
Uma igreja precisa entender que sua tarefa de evangelizar vai do momento em que ela prega a Palavra formalmente ou informalmente, nos cultos ou através dos membros no dia-a-dia até o momento em que a pessoa salva já dê frutos dignos de arrependimento. O alvo é tornar uma pessoa conforme Colossenses 2:6-7.
William Abraham diz que a obra evangelística tem seis características essenciais, e evangelismo não pode ser feito efetivamente a menos que todas as seis sejam apresentadas:
1. Conversão ao Cristianismo e a experiência do novo nascimento
2. Batismo e incorporação física na igreja
3. Compromisso com o Reino de Deus
4. Aprendizado das verdades bíblicas
5. Identificando e utilização dos dons espirituais
6. Praticante das disciplinas espirituais, como fruto do Espírito Santo
Portanto, o ministério de evangelização de nossa igreja deve ser mais amplo do que em muitas outras igrejas. E todo o planejamento que estamos realizando visa trabalhar este conceito absolutamente bíblico.
Que evangelho pregamos?
Pregamos o evangelho da paz – as boas novas, Jesus. Falamos de um evangelho que é para o corpo, alma e espírito. Chamamos este evangelho de Evangelho Integral, pois visa a pessoa como um todo. Acreditamos que quando Jesus chega a uma vida ele transforma toda a pessoa e seus relacionamentos.
Em uma igreja o Ministério de Evangelismo deve estar junto com outro ministério, o de Responsabilidade Social. Porque se temos que falar de um Cristo que se preocupa com as pessoas em todas as suas necessidades, temos que, como igreja, ajudar as pessoas em todas as suas necessidades.
Evangelismo e ação social em nossa igreja não são realidades separadas, mas estão unidos, fundidos.
Quando sentamos para preparar o planejamento do ano devemos sentar todos juntos – o pessoal de evangelismo e o pessoal de ação social e traçamos ações que são integralizadas e que fazem pessoas irem até a Jesus e se amadurecerem na fé e em sua doutrina.
Qual a relação entre evangelização e missões? São a mesma coisa?
Não. Apesar de muitas acharem que são sinônimos.
Hoje os missiólogos já nos esclareceram sobre os limites de cada um.
A palavra Missões, no seu sentido bíblico, é a tarefa dada por Deus à igreja para a pregação do Evangelho a todos os povos, visando buscar e salvar as pessoas perdidas sob o domínio do pecado (Ez 34:11-16; Lc 19:10) . Essa tarefa é colocada em prática por meio da Evangelização, que é anunciar a mensagem divina a todas as pessoas, independente de raça, sexo, nível cultural, condição social etc., fazendo-as crer que Jesus Cristo é eterno e suficiente Salvador, inserindo-as na igreja local.
Tornando a diferença mais clara: a igreja para fazer missões deve realizar a evangelização.
Note que o conceito não é mais em relação à distância e sim a tarefa. Sendo assim, uma igreja pode fazer missões em sua própria comunidade, o que se chama hoje de missões urbanas. Fará isso através da evangelização.
Como uma igreja deve evangelizar?
Alguns pontos muito importantes que merecem nossa atenção para criarmos estratégias e ações para a nossa evangelização:
1. A maioria das pessoas vem a Cristo como resultado de um processo. Para alguns o processo pode ser de curta duração, para outros é um longo período. Vejamos o caso do apóstolo Paulo que teve sua conversão à caminho de Damasco. Ele ouviu o evangelho dezoito meses antes dos lábios de Estevão, e durante estes meses essa verdade estava convencendo-o mas ele estava “protestando contra Deus”(Atos 26:14). John Finei publicou os resultados de sua pesquisa de como as pessoas vieram para a fé em Jesus Cristo em seu livro “Encontrando Fé hoje”, Ele diz que para muitas pessoas, o processo que eventualmente teve resultado neles vem de um ato de fé somente finalizado após alguns anos.
Por isso temos que entender que o evangelismo bíblico é um semear, aguar e colher. A força das parábolas de Jesus é que o Reino de Deus é um modo de crescimento (Mc 4:26-29).
Se assim compreendermos temos que levar a sério o desenvolvimento de uma estratégia efetiva para o evangelismo em nossa igreja. Nós precisamos procurar nossos campos de colheitas e equipar algumas pessoas para irem onde eles estão e fazer a colheita. Temos também que alcançar pessoas que já possuem a semente do evangelho plantadas em suas vidas, alimentando-as, e olhando para elas e ajudando-as a entenderem mais claramente o crer em Jesus de modo que cheguem ao ponto da fé pessoal.
2. As linhas da preocupação: Veja o esquema.
Pessoas xxx
Colegas
Colegas do trabalho
Vizinhos
Amigos mais pertos
Parentes
Família
Eu
Deus pretende que o nosso evangelismo inicial comece com as pessoas com quem nós já temos um relacionamento. O apóstolo Paulo começou seu trabalho na sinagoga pois já se relacionava com aquelas pessoas que frequentavam o local.
Assim nosso primeiro desafio como igreja é termos estratégias que levem cada membro a começar a falar de Jesus a partir de sua família alcançando raios cada vez maiores conforme acima apresentado; a estabelecer relacionamentos cada vez mais crescentes, a abrir as portas de sua casa, a cultivar interesses comuns com seus vizinhos e amigos (desde que não sejam contrários a vontade de Deus), a serem criativos.
3. Entendermos que todos salvos são testemunhas de Jesus Cristo – Testemunha é alguém que teve uma experiência em primeira mão ou um encontro com uma pessoa ou evento ou uma mensagem. Em Lucas 24:47-48 os discípulos foram chamados para serem testemunhas. Em Atos 1:8 Jesus faz uma declaração de que quando o Espírito Santo viesse sobre os discípulos eles seriam testemunhas.
Onde quero chegar é que não sou chamado para dar um testemunho, mas se sou verdadeiramente cristão já sou uma testemunha querendo ou não, boa ou ruim do evangelho de Jesus.
Uma igreja através do ministério de evangelização deve trabalhar para que os membros da igreja sejam boas testemunhas para que entendam que são testemunhas, e que a responsabilidade de pregar o evangelho não está sobre os ombros dos pastores, evangelistas e missionários apenas. Por isso cabe à evangelização o cuidado das testemunhas. Cabe esclarecer que todos nós devemos demonstrar os sinais do Reino e os principais sinais são o amor e a prontidão para servir pessoas mesmo que isto custe algo para nós mesmos, no nome de Jesus Cristo.
Foi porque os primeiros cristãos eram verdadeiras testemunhas que viram tão maravilhosa frutificação em seu trabalho de evangelismo.
John Stott disse: “O evangelho deve ser visível tão quando audível se é para ser crédulo.”
4. Através de estratégias bem definidas – O mundo mudou e nós precisamos ser criativos na maneira como realizamos o evangelismo. Creio que podemos fazer tudo o que se fazia no passado, mas de uma outra forma. Hoje temos mais instrumentos do que no passado. Que bênção!

Não evangelizamos para a igreja crescer, isso seria contrário a Palavra de Deus. Evangelizamos porque o Senhor nos fez para isso.
Mas a consequência de nossa evangelização é o crescimento da igreja.

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