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NOSSA ADORAÇÃO

Publicado: 1 de abril de 2012 em Teologia prática
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A adoração é o coração e a vida de uma igreja que realmente é bíblica.
Na adoração nós celebramos como igreja a graça do Deus da criação e da salvação e nos comprometemos a viver em resposta a esta graça. Adoramos ao Senhor por aquilo que ele é. Sua graça reflete todos os seus atributos. Em Ap 4 e 5 há um quadro belíssimo de adoradores primeiro adorando ao Senhor por sua criação e depois por sua obra redentora. Esta visão de João na ilha de Patmos serve de modelo para a nossa adoração aqui na terra. Nossas vozes e ações devem fazer ecoar: “Santo, Santo, Santo.”(4:8); “O Senhor é digno”(4:11); “Digno é o cordeiro”(5:12); “O Senhor é digno de receber a glória, a honra e o poder, porque por tu criastes todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”(4:11). O sacrifício de Cristo: “E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua e povo, e nação” (5:9)
Adoração e Ações
A Adoração sempre envolve ações. Não meramente palavras. Estas ações podem se dar por um cantor ou por uma pessoa que cuida dos carros no estacionamento do templo da igreja. Não adoramos somente quando estamos louvando ao Senhor ou quando estamos envolvidos no processo da liturgia (serviço) de um culto, mas quando o que fazemos é um culto ao Senhor em qualquer âmbito de nossas vidas.
A adoração não é apenas um evento que podemos participar, como um concerto. Deus quer que seja um estilo de vida, em que possamos estar sempre conectados com ele.
Além dos cultos semanais de nossa igreja, podemos continuar adorando a Deus em todos os momentos e em todas as situações.
Por isso é preciso pararmos de pensar na adoração como apenas um evento onde participamos de forma passiva e começarmos a pensar na adoração como um processo contínuo em que ativamente estamos numa relação mais próxima com Deus e expressando o seu amor por ele.
Quando não estamos na igreja, usamos as disciplinas espirituais (como a oração e a leitura da Bíblia, meditação e estudo) para nos ajudar a adorar a Deus. Além disso, usamos o nosso relacionamento com outras pessoas para adorar a Deus por compartilhar nossa fé com elas e guia-las nos caminhos de Deus ajudando-as em suas necessidades.
Também quando estamos enfrentando circunstâncias difíceis podemos ir a Deus, pedindo em oração sua ajuda e expressando nossa confiança em seu cuidado. Toda vez que colocamos nossa fé em ação para expressar nosso amor por Deus, estamos adorando-o.
Razões para uma Adoração correta
Há várias visões na mente dos membros de uma igreja em relação a adoração. São elas:
1. Alguns veem à adoração como um êxtase emocional e espiritual;
2. Alguns veem à adoração como uma experiência de ensino;
3. Alguns veem à adoração como um ato de preservar a fé;
4. Alguns veem à adoração como um meio para atrair “clientes da fé”;
5. Alguns veem à adoração como um ato isolado na vida.
Mas nenhuma das visões acima reflete biblicamente a visão correta para a adoração como igreja. A visão correta tem a ver com a absoluta certeza de que a adoração é uma experiência de diálogo. Sempre acontece na iniciativa e convite de Deus. Deus fala ao seu povo através da graça, bondade e instrução. Nós falamos com ele através das palavras e atos de confissão, louvor, elogio, compromisso e oração.
Juntos nós celebramos o trabalho redentor de Jesus Cristo.
Em Isaías 6:1-8, Deus se aproxima do profeta em revelação de seus atributos e como portador de uma vocação divina e o profeta responde em confissão, submissão e rogo. O mesmo ocorre no verdadeiro culto. Deus nos fala através da leitura bíblica, do sermão e dos hinos que cantamos. Também respondemos por intermédio de hinos e de outras palavras que nos tem sido designadas, em louvor, gratidão, confissão, dedicação, petição e intercessão.
Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo do século XIX, se refere à adoração como um drama no qual os membros da congregação são os atores e Deus é o ouvinte.
Pregadores e coros são o “ponto” ainda que pareçam “dominar a cena”. João Calvino, teólogo do século XVI, dizia que a congregação é o primeiro coro da igreja.
A idéia de adoração como conversação com Deus deve conduzir a uma cuidadosa seleção da música eclesiástica. O diálogo da adoração deve ser completo: deve dar um panorama completo da auto revelação de Deus e prover a oportunidade de gerar uma resposta completa por parte do ser humano tanto em símbolos cognitivos (palavras) como em formas criativas (música e outras artes).
A visão correta tem a ver com Deus e não com o que queremos.
Adorar é tudo sobre Deus e não sobre nós. Então, ao invés de perguntamos o que podemos lucrar com o culto, devemos perguntar o que podemos dar a Deus através da adoração. Ao invés de preocupar-nos se a adoração atende ou não às nossas expectativas (de música emocionante, sentimentos calorosos e etc.), devemos focar em trazer a honra e glória a Deus através da nossa adoração. Se nos aproximamos em culto pedindo a Deus para que ele nos dê uma experiência de adoração, não ficaremos satisfeitos, mas se aproximarmos no culto à procura de oportunidades de encontrarmos a Deus e louvá-Lo, seremos abençoados.
A visão correta tem a ver com a certeza de que adoração não se faz apenas em um dia da semana, mas é um estilo de vida.
Adoração não deve ser apenas uma parte de nossa vida, mas permear toda a nossa vida. Deus espera que, quando adoramos, possamos oferecer toda a nossa vida a Ele e procurarmos encontrar e fazer a sua vontade para cada decisão que venhamos a tomar.
A única maneira de encontrar a paz real e duradoura e cumprir o nosso potencial como pessoa é infundir o culto em cada parte de nossa vida (não apenas a parte de nossa vida que envolve ir à igreja).
As pessoas podem adorar a sua carreira, casamento, filhos, a busca de dinheiro ou prazer, ou qualquer coisa ou qualquer pessoa e como resultado no final, serão parecidos com aquilo que adoram. Se giramos ao redor de Deus, nos tornaremos mais maduros espiritualmente. Assim, nossas vidas apontarão para a meta da verdadeira adoração: colocar Deus em sua devida posição como o ponto focal de nossas vidas.
Apaixonar-se por Deus e dedicar-se completamente a Ele, girando tudo em nossas vidas em torno do relacionamento com ele é o segredo de uma verdadeira adoração.
Jesus mesmo disse: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João 4: 23).
Análise do Salmo 95:1-7ª e o culto público como igreja
“Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Aclamemos a Rocha da nossa salvação.
Vamos à presença dele com ações de graças; vamos aclamá-lo com cânticos de louvor.
Pois o Senhor é o grande Deus, o grande Rei acima de todos os deuses.
Nas suas mãos estão as profundezas da terra, os cumes dos montes lhe pertencem.
Dele também é o mar, pois ele o fez; as suas mãos formaram a terra seca.
Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador;
pois ele é o nosso Deus, e nós somos o povo do seu pastoreio, o rebanho que ele conduz. “.
Este Salmo nos dá os contornos para a nossa adoração coletiva.
1. Temos ir ao Senhor com alegria – nossa adoração deve ser recheada com ações de graças por tão grande salvação. Podemos chegar na casa de Deus tristes, conturbados de alma, mas quando começamos a adorar ao Senhor esta adoração deve expressar que, apesar de nossas lutas, somos gratos a ele por ser o que Ele é. A alegria que expressamos não é pelo que estamos vivendo, mas pelo fato do Senhor ser o criador e está acima de todos os deuses;

2. Devemos louvar o seu nome – Entre várias maneiras de se louvar ao Senhor a música faz parte de nossa adoração – quem não gosta de cantar tem um sério problema em sua adoração. Louvor significa cântico de reconhecimento. Este cântico pode ser em forma de: salmos, hinos e cânticos espirituais (Sal. 96:1-4; 147:1; Ef. 5.19-20; Cl. 3:16-17). Os instrumentos também compõem o louvor. Neste particular o AT menciona instrumentos variados, de sopro como chifre de carneiro e trombetas (I Cr. 15:28; Sl 150:3), flauta (I Sm. 10:5; Sl.150:4); instrumento de cordas como harpa e lira ( I Cr. 13:8; Sl. 149:3; 150:3), e instrumentos de percussão, como tamboris e címbalos (Êx. 15.20; Sl. 150:4,5). Também a dança faz parte do louvor. Mirian dançou em adoração (Êxodo 15:20,21); Davi dançou diante de Deus (II Samuel 6:14-16); A Bíblia relata que as mulheres cantavam e dançavam por ocasião de vitórias militares (I Samuel 18:6; 21:11; 29:5; Juízes 11:34); Salmos 149:3 e 150:4 mandam louvar ao Senhor com danças.

3. Ter Humildade – Em nossa adoração precisamos ter uma postura de humildade porque ele é o nosso pastor e nós somos seu rebanho; não há lugar para soberba na vida de um adorador. Às vezes precisamos realmente
nos ajoelhar e nos prostrar diante dele em ato de culto para que nestas atitudes possamos deixar bem claro a nós mesmos que somos pó e que somos feitura dele.

4. Oferta – Adorar é ofertar a quem é o legítimo doador de todas as coisas. A esse Deus benevolente deve se oferecer o melhor sacrifício de louvor (veja Hebreus 13:15-16), sem esquivar-se ao valor (veja II Samuel 24:20-24). Porque a adoração é um doar e um doar-se a Deus. Haverá bênçãos e satisfações, mas serão frutos benéficos dessa piedosa e transformadora doação humana. “Adoração é, no final das contas, submissão a Deus.”
Algo importante na adoração
Nossa adoração precisa ser contextualizada com a língua, cultura porque ela é um diálogo e cada geração possui um estilo de “fala” e “expressão” que faz dela única e trás mudanças em termos de comunicação. É importante afirmar que Deus se manifesta em nossa história e é exatamente através dela e nela que falamos e nos relacionamos com ele. Agora nenhuma contextualização pode colocar em risco o testemunho da igreja e a própria essência da adoração.
Na prática como igreja devemos:

1. Entender que adoração é mais do que louvor. Então o que precisamos é de um ministério que envolva não só a música como sinônimo de adoração, mas de um real ministério de adoração que se preocupe com a vida de cada membro objetivando ajuda-lo a ser um verdadeiro adorador em sua vida e em comunidade de fé;

2. Devemos cuidar dos nossos cultos para que eles reflitam a glória de Deus e não a nossa. Não há lugar para exibicionismo, estrelismo e determinação do que achamos ou não. Há lugar para a grande e central pergunta: “O que Deus deseja que venhamos a fazer no culto que prestaremos a ele?”;

3. Nas ordens dos cultos está presente o diálogo que é o elemento essencial para a adoração. Termos bem claro a hora em que falamos sobre Deus, falamos para Deus e quando Ele nos fala e nós o respondemos com o desejo de reafirmamos nossa fé em sua Palavra;

4. Todos os membros da igreja devem ter a certeza de que o seu serviço cristão seja no templo ou no dia-a-dia é aceito como forma de adoração desde que obedecidas às visões corretas já comentadas neste estudo;

5. O Ministério de Adoração da igreja deve prover instrumentos que visem a espiritualidade da igreja e, principalmente, daqueles que conduzem os momentos de adoração pública;

6. Repudiar qualquer ação que não seja fruto de adoração na igreja;

7. Devemos orientar todos os membros da igreja a serem adoradores e mantermos vigilantes no sentido de cuidarmos para que em nosso meio quem conduz a adoração pública seja realmente um adorador;

8. Devemos crer que a adoração é a submissão de todo nosso ser a Deus. É tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é a abertura do coração a seu amor; é a rendição da vontade a seus propósitos. E tudo isto se traduz em louvor, a mais íntima emoção, o melhor remédio para o egoísmo que é o pecado original.

9. Devemos proporcionar caminhos para as diversas formas que compõe a adoração de uma igreja em seu culto público, sem criarmos barreiras porque não gostamos de algo. A decisão do que pode ou não pertencer a liturgia de nossa igreja sempre será definida pela Palavra de Deus e pela decisão da igreja como um todo e ponto final.
10. Devemos honrar aqueles que conduzem a nossa adoração pública e dar o suporte para capacitação, incentivo para continuarem se aperfeiçoando e espaço de atuação deixando claro que o único elemento inibidor da atuação será a conclusão de que quem está conduzindo não é um adorador.

11. Ter os seguintes valores inegociáveis:
a) Dependência de Deus
b) Aprofundamento da vida espiritual
c) Aprofundamento técnico para expressar melhor a perfeição de Deus que deve ser o alvo do adorador
d) Relacionamento do Corpo de Cristo
e) Servir uns aos outros
f) Expansão do Reino
g) Cooperatividade com outros ministérios
h) Ministério Bíblico-Contextual

Conclusão
Muitos afirmam que a razão de ser da igreja é a evangelização. Isto está errado. A razão de uma igreja é a adoração, conf. Ef. 1:12.
Mas quando uma igreja adora verdadeiramente a Deus, a pessoa de Deus é glorificada e pessoas são atraídas a ele e salvas por seu filho Jesus Cristo.
Sendo assim, a verdadeira adoração é o maior instrumento para a evangelização. Às vezes, queremos que a igreja evangelize, cresça e culpamos os métodos que poderiam ser usados e não se usam, as pessoas e suas lideranças, mas a bem da verdade precisamos refletir se uma igreja que realmente não dá frutos de almas aos pés de Jesus o problema não está em sua adoração tanto através de seus membros em suas casas e vida como quando eles se reúnem em culto público.
Meu desejo é que possamos ter verdadeiros adoradores. Isto não acontece de um dia para o outro. É um trabalho árduo que começa na vida de cada membro de nossa igreja chegando à responsabilidade pastoral de conduzir o rebanho ao trono de Deus.
Cresçamos na adoração.

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