PASTORES, DIALOGEM COM AS MULHERES VOCACIONADAS AO MINISTÉRIO PASTORAL!

Publicado: 16 de junho de 2011 em Teologia prática

Uma reflexão sobre como pastores
podem ser agentes de milagres na história da ordenação pastoral feminina dos
batistas brasileiros.

II Reis 4:1 – Ora uma dentre as mulheres dos filhos dos profetas clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. Agora acaba de chegar o credor para levar-me os meus dois filhos para serem escravos.
II Reis 4:2 – Perguntou-lhe Eliseu: Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
II Reis 4:3 – Disse-lhe ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas.
II Reis 4:4 – Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos; deita azeite em todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.
II Reis 4:5 – Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.
II Reis 4:6 – Cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Chega-me ainda uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. Então o azeite parou.
II Reis 4:7 – Veio ela, pois, e o fez saber ao homem de Deus. Disse-lhe ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.

A história é simples.  Dois filhos de uma viúva serão vendidos como escravos para pagar as dívidas dela. A mulher suplica que Eliseu a ajude. Ele a ouve e fala o que Deus deseja que ela faça.

Ela ouve e faz o que o profeta diz. Deus a abençoa por confiar em Sua palavra e multiplica o azeite que ela tem. Ela vende o azeite, paga suas contas e seus filhos não são vendidos como escravos.

As lições são diversas.

Quero apenas refletir neste artigo a respeito do procedimento de Eliseu mediante a crise vivenciada por esta mulher e sua família,  traçando uma ponte hermenêutica para a situação em que se encontram as pastoras não reconhecidas pela OPBB.

Ele começou um diálogo que geraria um milagre.

Eliseu nos mostra que diante de uma causa, de uma aflição, de uma situação limite o que se deve fazer é criar um espaço de diálogo expressado através de perguntas, no caso dele, “Que te hei de fazer?”

Tenho percebido nesta jornada da ordenação feminina batista brasileira que um grupo expressivo de pastores, alguns até bem intencionados, querem dar respostas às irmãs que desejam ser pastoras sem ouvi-las, sem conversarem, buscando elementos para subsidiarem soluções em suas causas. A própria instituição OPBB  é hermeticamente fechada a qualquer tipo de diálogo. Este procedimento traz pelo menos dois grandes riscos.

O primeiro deles é os pastores acharem que possuem todas as respostas e que podem sozinhos resolver todas as questões; o segundo é as pastoras, não podendo dialogar dos pastores, caminharem sozinhas buscando outros opções que não sejam junto aos “homens de Deus”,  o que seria uma perda irreparável.

Na verdade, o caminho sempre deve começar com o diálogo. Etimologicamente diálogo é a discussão ou troca de idéias, conceitos, opiniões objetivando a solução de problemas e a harmonia. Na prática, a importância do diálogo está no fato de estabelecer relacionamentos não hierárquicos, mas no mesmo nível de igualdade ainda que cada um tenha expressões singulares em suas ações ministeriais.

Elas precisam do diálogo com os pastores. Elas precisam falar não ao ar, mas com pessoas que possuem a mesma vocação, dores e alegria. Falar do que possuem, pouco ou nada, mas precisam verbalizar para que se sintam parte do processo e, ao mesmo tempo, precisam ser ouvidas pelos pastores que possuem maior experiência nos caminhos da ordenação sacerdotal, pastoral.

Voltando a história, o diálogo não foi estéril, mas gerou atitude da parte do profeta.

Ele, percebendo toda a situação a partir da própria visão da mulher, vai agora apontar um caminho.

Interessante que é um caminho solidário, comunitário e não de percurso solitário. Ela precisa ir a cada uma de suas vizinhas e contar com a ajuda delas.

A solução se dá novamente por diálogo, ajuda mútua e a comunidade. As vasilhas são doadas, o azeite é colocado, é vendido e o que estava em desordem entrou em ordem. O milagre aconteceu.

Quando há diálogo há a possibilidade do milagre.

Os pastores de hoje podem ser como um Eliseu nas vidas das pastoras.

Pastores que acreditam na causa defendida por elas; pastores que facilitem o caminho de mulheres vocacionadas ao ministério pastoral e encaminhem a consagração delas;  pastores que também contem com a ajuda de pastoras em seus ministérios; pastores que percebem filhas, parentes e mulheres vocacionadas em suas igrejas e as incentivem na formação e ministério; pastores mestres que, atuando em seminários e faculdades teológicas,  detectam na vida de se suas alunas a expressão da vocação pastoral e as respeitem; pastores escritores e teólogos que exercem uma hermenêutica não fundamentalista, mas bíblica contemporânea e não tenham receio de se expor apoiando o ministério pastoral feminino;  e,  por que não dizer, a liderança da OPBB,  já que a instituição tem pastoras em seus quadros, abrindo um caminho de diálogo com elas e não tratando-as com desprezo como tem acontecido na maioria das vezes até aqui.

Creio que se pastoras e pastores dialogarem em todos os níveis eclesiásticos novos rumos serão tomados e, com certeza, o final da história será melhor do que o início  e a obra de Deus entre o seu povo será glorificada.

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