O COMPROMISSO E O LÍDER

Publicado: 15 de novembro de 2010 em Teologia prática

É preciso ter compromisso. Se no mundo secular é cobrado do líder compromisso em sua liderança muito mais na causa do mestre Jesus. É impossível servi-lo descompromissado.

Compromisso é aliança. É uma prontidão de ‘estar com’, de um pacto, um acordo entre partes que não pode ser quebrado sobre qualquer circunstância, que gere bênçãos em seu cumprimento e maldição em sua quebra.

Jesus disse muitas coisas a respeito de compromisso e creio que muitos líderes estão precisando ouvi-las ou tomarem tenência em suas vidas e coloca-las em prática saindo da zona de conforto que os levam a não se comprometerem com nada, não pagarem o preço necessário por
aqueles que estão na seara, buscando somente o reconhecimento, recompensas e muitos outros privilégios próprios de pessoas que assim procedem.

Quero levar você a pensar em quais os compromissos que Deus espera que venhamos a cumprir como seus líderes para que possamos realmente assumi-los e estarmos sob sua bênção, unção e exercermos autoridade entre muitos.

1 – O compromisso com o Senhor

Tudo começa aqui. Na aliança que tenho com o Senhor de minha vida e de minha liderança.

Um dos grandes erros que tenho percebido em vários líderes é que seus compromissos com seus liderados superam aos com o Senhor e por isso ficam no meio do caminho e nas dificuldades largam tudo fracassando.

Nossa aliança é com o senhor de nossa vocação em primeiro lugar.  Como Davi disse:  “contudo estabeleceu comigo um concerto eterno…Pois toda a minha salvação e todo o meu prazer estão nele” 2 Sm.23:5.

Somente quando temos absoluta certeza de nosso pacto com o nosso Senhor e o assumimos sem qualquer restrição podemos seguir em
vitória.

Esta aliança em nossa liderança deve começar no momento de nossa vocação ao ministério quando fomos chamados pelo Espírito Santo a realizar no Reino e na igreja de Jesus.

Ainda me lembro do dia em que isso aconteceu comigo. Estava trabalhando. Na época trabalhava em uma empresa que vendia tintas de parede e automotivas. Tinha 18 anos. Meu maior sonho era ser médico, mas as coisas não caminharam nesta direção com pensava. Estava sentado em um galão de tinta mais ou menos às 15h bem triste pela minha situação naquele momento e o Espírito Santo me visitou. Que presença maravilhosa e me trouxe uma notícia: Deus queria fazer uma nova aliança comigo. Não uma aliança que fiz aos nove anos quando aceitei a Jesus como Senhor e salvador de minha vida, mas um pacto para servi-lo por toda a minha vida. Uma aliança para o pastorado. Foi quase uma teofania. E disse naquele momento: Eis-me aqui, Senhor, cumpra-se em mim o teu querer. Fiz de todo o meu coração e entendimento. Quem pode resistir ao chamado de Deus? Aprendi com minha mãe e meus pastores a responder a Deus quando ele falava e assim fiz.

De lá para cá muitos foram os momentos que quis desistir do ministério pastoral, principalmente quando há Sambalates, Tobias, Simeis pelo caminho, mas quando penso nisto o Espírito Santo me traz a mente aquele dia, aquela experiência, as minhas palavras de acordo, o meu pacto, a minha aliança e encontro aí minha seguridade, fé, forças para ir adiante e tenho até hoje ido.

Talvez você esteja querendo desistir de tudo ou vai querer isso, mas quando isso estiver por acontecer volte no tempo. Voltar ao passado às vezes é uma tragédia porque essa volta, se não tomarmos cuidado, tem o poder de nos prender muitas vezes a situações, traumas e etc., mas neste caso é libertador, pois você se lembrará do dia em que o Senhor falou com você e isso servirá, com certeza, como instrumento divino para que você prossiga.

Agora você terá um grande problema se atualmente sua liderança é exercida porque as pessoas disseram que você seria um bom líder e não porque foi aliançado em Deus.

Tenho dito que há os que foram escolhidos e os que foram assoviados. Os escolhidos foram por Deus e os assoviados pelas pessoas ou por eles mesmos. Indo até um pouco longe acho até que alguns foram chamados por satanás para engano de suas próprias vidas e para atravancar o
Reino de Deus por suas atuações, mais isso é outro assunto.

O foco aqui é que precisamos recuperar sempre nosso compromisso com o Senhor. Não fomos chamados por homens, pelo menos é
isso que se espera, fomos convocados pelo Senhor e isso traz descanso as nossas almas, pois significa que em primeira e última instância estarmos em suas mãos e não da dos homens. Louvado seja o Senhor.

Também esta certeza precisa criar em nós lealdade ao Senhor. Tudo que fizermos deve ser para sua glória. Não podemos servir a dois ou mais senhores. O importante não é o que penso ou sinto, mas o que ele tem em seu coração.

Tudo em minha vida, em meus relacionamentos deve estar submisso a ele. Não há lugar para jogos, indiferença, ficar em cima do muro. A aliança com o Senhor nos coloca apenas de um lado e esse é o seu.

Tenho observado muitos líderes jogando em seus ministérios. Querem agradar aos amigos, as ovelhas e para isso deixam de serem fiéis aos ensinamentos do Senhor e a sua vontade.

Confesso que é muito difícil escolher a quem seguir. Fica ainda muito mais dificultoso quando o líder está longe de Deus, creio que é impossível. Por quê? Porque o povo sempre quer que façamos a sua vontade ainda que os discursos sejam: Queremos ouvir a voz de Deus. Somente um líder inexperiente será enganado com estas palavras em relação ao dia a dia das pessoas. Elas farão de tudo para persuadir você a ficar aliançado com elas, com suas famílias, com seus acertos e erros, com seus pecados. Vamos precisar tomar atitudes às vezes radicais que não gostaríamos de toma-las para o cumprimento de nossa missão. Essas vão trazer problemas, ações de rebeldia, sofrimento, lutas, choro, e infinitas consequencias. Mas fazer o que?

Desde cedo você precisará escolher como Josué escolheu a quem servir e espero que você escolha o que vale apena: a suprema vontade do pai, caso contrário apesar de toda a graça divina tenho pena de você. Você não irá muito longe. Com Deus a trancos e barrancos prosseguiremos
em vitória, essa é a boa notícia.

Sempre em sua liderança precisará reafirmar sua opção pela causa do Senhor dizendo não as coisas erradas porque destoam da Palavra de Deus, apontando as certas porque buscam o centro da vontade do pai. O que você pensa, o que você acha isso realmente não é importante. O essencial é o querer do Senhor para a sua vida, ministério e rebanho.

Certa vez ouvi: Fique firme em sua decisão, mais cedo ou mais tarde as pessoas saberão quem você é e viram para se aconselharem pela firmeza que encontram em sua vida. É verdade.  Num primeiro momento podem debochar, discordar, se rebelar por você não fazer o que querem, mas depois quando estiverem passando por lutas e tribulações o próprio Senhor as trará em suas mãos para trata-las por gente como você que tem uma aliança de andar em sua presença e sê perfeito.

Ao longo do meu ministério tenho levantado minha voz sobre a bebida na vida do crente. Tenho uma postura que acredito ser a de Deus. O crente precisa ser abstêmio quanto ao uso de bebidas alcóolicas devido a um estilo de vida e biblicamente defensável no dia a dia e por poder lesar de forma injustificada o corpo de Cristo ou ameaçar a nossa fé e a do próximo Enfrento muitos problemas com essa minha postura porque noivos, aniversariantes e casais querem que eu mude o meu posicionamento, mas até o presente momento continuo firme. Meu compromisso é com Deus e quando ele me disser que isso é permitido então farei. No entanto hoje nossa igreja pode trabalhar com alcóolicos devido a minha postura e tenho visto que as próprias famílias que são contra a minha postura estão se rendendo ao meu posicionamento porque já estão sentindo os problemas em suas casas advindos do uso de bebidas alcóolicas. Esse é apenas um dos meus compromissos com Deus.

O que quero deixar bem claro aqui é que não precisamos ter medo de dizer o que cremos e o que Deus nos dá como “palavra de ministério”. Não me importa “outras palavras de outros ministérios”. Ele me cobrará por aquilo que tenho em minhas mãos e não de outros.

A certeza fica. Ele nos honrará. Ninguém que faz a sua vontade sai perdendo.

2 – O Compromisso com o povo

Depois do compromisso com o Senhor você precisa ter um compromisso com o povo que você lidera. Uma postura não anula a outra. A ordem é que deve ser sempre preservada. Primeiro com Deus, depois com o outro.

Há lideres que não estão nem aí com os seus liderados por mais absurdo que isso possa parecer.

É mais fácil ter compromisso com papéis, com a administração de todo o ministério do que com a razão do nosso serviço: as pessoas.

Precisamos amar as pessoas que servimos. É possível servir alguém sem amarmos? Claro que sim. Podemos fazer isso por obrigação, por relatório, pelo hábito e por muitos outros motivos. Mas não será um serviço aprovado por Deus. Todo serviço feito sem amor não é ministério, é qualquer outra coisa, com qualquer outro nome.

Para amar é preciso conhecer. Conhecimento tem a ver com tempo. Com disposição de querer se voltar para o outro, de comprometer-se, de sentir o mundo do outro.

Certa vez fui a um aniversário de um grande líder de minha região. Um restaurante foi fechado para a realização de sua festa. Sentei-me em frente a ele, na mesa principal. Sua mulher estava presente. Havia muitos liderados presentes. A festa começou. Conversando com esse líder ele me dizia: Não sei por que fizeram este jantar em meu aniversário? eu não janto. Saí com o meu motorista particular do Shopping onde estava passeando para vir até aqui. Os líderes viam trazer-lhe os presentes, ele e nem sua mulher olhavam para os mesmos, pedindo ao seu assessor para coloca-los num canto, fazendo literalmente pouco caso desses. Confesso que fiquei chocado. Este líder tipifica um líder que realmente já perdeu o amor por suas ovelhas e que tem o poder como seu grande amigo e aliado. Não preciso dizer que com ele não quero amizade e se possível contato. Não vale apena jantar com alguém assim.

Interessante que apesar de amar minhas ovelhas com todo ardor nunca elas fecharam um restaurante para me oferecerem um jantar…. não faz mal continuo amando-as. Muitas desperdiçam o que é essencial no ministério: o amor. No final é só isso que sobrará.

O amor é o óleo que lubrificará todo o nosso serviço. Não poderemos continuar sem ele. É difícil? Claro que sim. Temos que lhe dar muitas vezes com o ódio em nosso ministério. Com mágoas advindas de abandono, de infidelidade, de falta de lealdade de pessoas que andam conosco diariamente e infinitamente mais coisas que nos levam a não querer mais amar.

É nestas horas que precisamos reafirmar nossa aliança com o povo. Eu vou amar você, custe o que custar, queira você ou não. Apesar de toda a rebeldia eu não desistirei de você. Meu compromisso é incondicional porque quero ser semelhante ao Senhor que mesmo diante de nossa infidelidade não abre mão do seu amor, de sua bondade e misericórdia que nos segue todos os dias de nossa vida.

Em meu ministério enfrentei um homem muito difícil que me recebia em sua casa sempre com dois cachorros muito bravos. Ele tinha tirado quatro pastores da igreja que pastoreava. Eu estava iniciando o meu ministério. Interessante quando somos mais jovens parece que temos mais disposição para amar as ovelhas, não é verdade? Quando tinha problemas com ele e, isso era quase sempre, ia em sua casa. Andava muito para chegar até lá e era recebido pelos cachorros. E me lembro de que ficava lá batendo palmas até ele ficar cansado do barulho dos cães e resolvesse me receber. Eu o amava. Meu coração era inclinado ao dele apesar de tudo. Ele era a minha ovelha. Eu não escolhi amá-lo, o Senhor nos escolheu para nos amarmos. Conversava com ele e depois ia embora. Nunca sabia se a conversa tinha resolvido o problema ou não. Era uma incógnita.  Mas fui o único pastor que saiu daquela igreja sem ser colocado para fora por ele. Pelo menos isso.

Eu sei que nem sempre os finais são felizes como o meu em relação ao irmão citado, mas creio que o amor sempre vence mesmo quando parece tudo dar errado. Desconfio que sem o  amor daria ainda mais errado.

Mesmo que você esteja ou receba afrontas, não desista amar o seu povo. Ore ao Senhor pedindo que ele lhe dê forças para amar, para ele fazer você superar suas mágoas através do perdão e continuar. Não podemos continuar sem o amor. Em nosso caso isso nos levará a morte necessário sempre trazermos a mente o que está em Atos 14.22 “’E necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus”. E o apóstolo Paulo disse: “Vocês sabem muito bem que fomos designados para isso”. (Tt.3.3)

Mas também compromisso com o povo tem a ver com o nosso trabalho diário. Não adianta só falar é preciso fazer. Estou ouvindo muitas vozes atualmente de líderes que dizem que o mais importante é ser do que fazer. Conheço líderes que só recebem, e possuem uma postura de “guru”, ficam sentados enquanto os liderados trabalham e trabalham. Devemos lembrar que Jesus trabalhou e muito por nós. Podemos questionar a forma de trabalho, mas nunca o fato de se devemos ou não trabalhar. Servir é o começo da ação de um líder e o final.

O tipo de serviço a ser realizado deve ser baseado no amor. Não em qualquer amor, mas no amor de Deus por nós.  O líder não deve ser preguiçoso. Uma vez fui visitar um missionário no campo e me surpreendi ao ver que ele levantava todos os dias às 10h, sendo que não dormia tarde, depois levava os filhos no colégio e pegava-os no final do período escolar, restava apenas duas ou três horas para o seu trabalho missionário. Conheço alguns obreiros assim. Não tem compromisso com o povo. Trabalham muito pouco e querem excelentes salários e muita honra. Graças a Deus conheço muito outros que servem até além de suas próprias forças o seu povo.

Na verdade aquele que lança a mão no arado deve colocar toda a sua vida a serviço do povo de Deus.  A questão não é de voluntário ou de tempo integral ou ainda parcial. A integralidade de tempo é a única saída possível para quem lidera o povo de Deus. A cada segundo deve se pensar, servir o povo por ser um compromisso tomado diante do senhor da causa.

Com isso não quero dizer que o líder não deve ter tempo para ele mesmo, sua família e outros interesses, mas que tudo isso deve ser colocado numa ordem de prioridade horizontal.

3 – O compromisso consigo mesmo

Certa vez ouvi uma frase que jamais esqueci: “Sem sanidade não há santidade”. Precisamos estar bem conosco mesmos porque o exercer da liderança apesar de ser abençoador é algo que traz um grande desgaste emocional, físico e espiritual. Muitos desejam permanecerem santos, mas devido ao desequilíbrio em suas vidas se tornam profanos, insanos prejudicando não somente a eles mesmos mais os que estão a sua volta.

Olhando o cenário evangélico estou certo de que há líderes que já estão completamente surtados na direção de organizações, igrejas e, por todo âmbito espiritual que envolve a liderança eclesiástica, as pessoas não conseguem perceber os delírios e doenças presentes em suas lideranças perpetuando suas insanidades.

É preciso se ter um compromisso de saúde. Segundo a OMS saúde “é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. Eu acrescentaria o estado completo espiritual.

Não sei se podemos ter um completo estado de bem-estar em nossas vidas, mas temos o dever de buscarmos o mais próximo possível este estado de “saúde”.

Como podemos fazer isso?

Em primeiro lugar creio que se permitir sentir a fragilidade do nosso corpo. Tenho observado que vários líderes não cuidam do corpo, parece-me que uma teologia espiritual desassociou pelo tempo o espírito do corpo, fazendo com que o cuidado deste fosse vaidade, algo condenável por ser obra da carne.

Estive em um programa de televisão falando sobre vaidade e um dos telespectadores ligou para o programa para dizer que os líderes não devem se preocupar com seus corpos, pois isso é pura vaidade. Devem sim buscar a Deus e terem uma vida de santidade. Inclivel como as pessoas deturpam este assunto.

Na verdade o Novo Testamento traz um conceito de espiritualidade do corpo como nunca se poderia imaginar. Ele diz que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo de Deus. Deus tem muitas casas na terra, a Bíblia diz-nos também que somos casa de Deus. Se Deus habita no corpo o corpo deve estar em perfeitas condições.

Mais ainda assim são poucos que sentem e entendem que fazer ginástica, manter uma refeição saúdavel, ir ao médico, realizarem periodicamente exames ou quando se faz necessário tomar remédio isto é espiritual. A dicotomia entre matéria e espírito prejudica muito
líderes na obra do Senhor.

Por isso temos líderes com enfartes, diábetes, colesterou, pressão alta e tantas outras enfermidades que impedem o desenvolvimento de seu serviço na igreja de Jesus.

Os líderes precisam ter um compromisso de manterem o seu corpo em equilíbrio, pelo menos no que dependerem deles. Isto é mordomia. Deus se agrada com essa atitude e certamente satanás não encontrar brecha para derrubá-los.

Os cuidados do estereotipo devem observar a higienização no sentido amplo da ação e o cuidado intra-físico deve ser observado pela relevância da manutenção de uma vida saudável, regular com especificações criteriosas para não se deixar levar aos exageros.

Temos visto pessoas adquirirem diversos tipos de enfermidades por falta de controle.

Falta de cuidados preventivos, falta de cuidados no combate a certos males que se tratados no inicio tem cura. Existem algumas doenças que são silenciosas no organismo, e só se da por conta de sua existência já em seu estado agravado.

Paulo escrevendo ao novel pastor Timóteo diz: “Tenha cuidado de ti mesmo”. Creio que em outras palavras ele está dizendo ao líder: não estrague o teu corpo que fora feito para glorificar a Deus, descubra em caráter informativo e prático, de como cuidar melhor do seu corpo.

Os líderes devem ter em primazia e como alvo a prevenção quanto a saúde de seus corpos sendo benção de Deus em suas vidas, e não devem se esquecer que a medicina foi estabelecida para que todos usufruam. Lembro-me aqui de Jesus quando untou os olhos do cego com sua saliva e terra determinou que ele fosse utilizar algo terreno, lavando se no tanque de Siloé.

Portanto, uma vida saudável é vontade de pessoas inteligentes quererem. Todo líder deve proporcionar ao templo do Espírito Santo u cuidado moderado sem extravagâncias.

Tudo o que fizermos na vida temos que fazer para agradar a Deus, para glorificar ao seu nome. Sejamos zelosos quanto ao templo do Templo do Senhor, nossas vidas.

Em segundo lugar nossa mente precisa ser tratada. O líder recebe um impacto emocional tremendo, ainda mais se ele estiver responsável por toda uma igreja. É claro que ao longo dos anos de liderança todo líder aprende a levantar barreiras para sua própria proteção, mas nem sempre isso é fácil e possível.

Conversando com um psiquiatra ele me disse que como pastor deveria fazer como ele faz. Depois de atender os seus pacientes ele os deixa em seu consultório e vai para sua casa vivenciar sua vida particular. É claro que há muita sabedoria neste conselho e realmente temos que manter uma disciplina neste aspecto para que não venhamos viver em constante sofrimento do outro, mas no caso ministerial isso definitivamente não pode ser viabilizado. Falamos de família, de tempo de comprometimento, de oração e muito mais. Não há muito que fazer a não ser sempre estar atendo com a saúde da mente.

De vez enquanto temos que nos perguntar se estamos bem emocionalmente ou quem sabe perguntar a pessoas que são bem próximas de nós como cônjuge, filhos e amigos. Nem sempre temos o discernimento correto quanto nossas doenças da alma.

E se estivermos com problemas na alma, o que devemos fazer? Procurar ajuda. Quanto preconceito existe por parte do povo evangélico quanto a especialistas na área da mente tais como: psicoterapeuta, psiquiatra e psicanalista.

Você pode me achar completamente carnal, mas acredito que todo pastor ou líder de uma grande área ministerial deveria ser acompanhado por um especialista da mente. É claro que quem cura é Deus disso não tenho nenhuma dúvida, mas precisamos de pessoas que nos ouçam e saibam nos ajudar de maneira que possamos perceber aquilo que normalmente passa batido diante de nós.

Talvez você esteja perguntando: “E a igreja não tem esse papel?” A igreja deve ter sempre um papel acolhedor, deve ser um lugar em que possamos ser curados, sem dúvida. Mas uma coisa não descarta outra. Às vezes nossas enfermidades surgem também dessa igreja porque ela não é perfeita e muitas vezes está doente precisando de um divã. Se os líderes não estiverem equilibrados para aconselha-la não se terá muita esperança.

Não só de aconselhamento especializado o líder precisa, mas há algumas situações em que precisa de medicação médica por parte de um psiquiatra. Aqui a coisa fica mais difícil. Há um preconceito quanto a se procurar um psiquiatra, acha-se que este é médico de doido. E o líder sofre o que não precisaria sofrer. Tem momento em nossas vidas que precisamos tomar um remédio para equilibrar a mente em termos orgânicos porque a questão não é somente emocional. Além do que há doenças que alguns possuem e que já se tem tratamento advindo da medicina moderna e porque não usá-lo?

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comentários
  1. Osias disse:

    Parabéns Pr.
    Esta forma humana e verdadeira de colocar sua visão sobre liderança é totalmente Divina… acho que é desta forma que Deus quer que nos posicionemos.
    abçs

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