SEJA O LÍDER QUE DEUS QUER

Publicado: 1 de novembro de 2010 em Teologia prática
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Um dos maiores desafios é sermos aquilo para o qual Deus nos criou. Tenho ao longo de todo o  meu ministério visto muitos líderes se perderem porque querem ser qualquer coisa, menos o que Deus tem reservado para eles.

Realmente é um grande perigo quando o nosso desejo de ser não está aliado a vontade de Deus, acabamos por fracassar por um simples fato: não há bênção fora dos planos de Deus para a nossa vida.

 O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, queria construir a casa do Senhor, mas o Senhor não o permitiu fazê-lo. Não era para ele fazer apesar de querer. Mais tarde seu filho o Rei Salomão, homem sábio, construiu o santuário de Deus. Davi foi feito para estender as fronteiras do seu reino, foi feito para lutar; Salomão feito para estabelecer o reino no sentido de estabilidade.

João batista foi o precursor de seu primo Jesus. Lendo sua biografia nos evangelhos vimos que nunca desejou ser além disso e foi por isso que quando viu Jesus o reconhece como alguém superior a ele e disse que importava que ele diminuísse e Jesus crescesse, algo absolutamente notório vindo de alguém do mesmo sangue já que as vezes dentro da família é tão difícil o reconhecimento de superioridade. Sabia que sua função era batizar com água, mas viria outro que batizaria com o Espírito; ele era a voz que clamava no deserto, mas haveria outro que clamaria por todo o mundo, o messias de Deus.

O texto do evangelho de João 1: 15 a 28 e 3: 22-30, fala de quem é e de quem não é João. Ele é o mensageiro, aquele que testemunha – vs.15,  é posterior a Jesus – vs. 15, é recebedor da graça – vs. 16, não é o Cristo – vs. 20, também não é Elias – vs. 21, é a voz – vs. 23, é o que fala sobre arrependimento – vs. 23, é o que batiza somente com água – vs. 26, não é digno de desatar as correias das sandálias de Jesus, seu primo – vs. 27, é amigo do noivo – vs.29, sua alegria vem de ouvir o noivo, Jesus – vs. 29, deve diminuir e Jesus crescer – vs. 30. Em Mateus 3: 1-10 e  13-14, ainda temos: Usava roupas estranhas – vs. 4, tinha uma dieta excêntrica – vs. 4, tinha autoridade para batizar – vs. 6, não era víbora – vs. 7, não era digno de batizar a Jesus – vs. 14. João Batista sabia quem ele era. Certamente seus pais tiveram uma grande contribuição para que isso acontecesse, mas sobre tudo ele mesmo por suas escolhas ao longo de sua própria vida.

Se não soubermos quem somos as pessoas vão falar quem somos e às vezes o que não somos e o que é pior, vamos acreditar.

È interessante como as pessoas ao nosso redor querem opinar sobre a nossa vida. Dizem o que acham que somos ou o que deveríamos ser criando em nós uma identidade confusa.

É verdade. As pessoas possuem grandes atos de altruísmo, mas devido o coração pecaminoso, possuem absurdamente a tendencia de acabarem com as outras pessoas. A natureza humana tem destes paradoxos, infelizmente.

Em meu ministério não foram poucas as vezes que membros da igreja, amigos e até familiares fizeram observações, comentaram sobre mim inverdades quanto o que é essencial no meu ser e creio que isto não acontece somente comigo. Lendo certa ocasião o livro a Arte de virar o jogo no segundo tempo da vida de Bob Buford me deparei com a pergunta: Quem você realmente é, e o autor pediu para que colocasse numa folha a resposta. Entre muitos pontos escritos por mim ressaltei que sou uma pessoa bondosa, e aqui, por favor, longe de mim o orgulho ou a exaltação, fica apenas a constatação. Gosto de ajudar, de fazer coisas boas para as pessoas, me esmero ao máximo para ser útil a alguém. No entanto já recebi várias observações e declarações que me reportam para uma imagem de alguém muito ruim, que quer prejudicar o outro. Nestas horas confesso que fico perdido e até mesmo com um grande sentimento de frustração e culpa. A constatação é que muitas vezes perco a minha identidade formada pelo próprio Deus a partir do ventre de minha mãe e passo a ouvir pessoas que nada entendem de criação e que muitas vezes emitem um parecer segundo suas prórprias mentes, sua carne, seu universo de perversidade para mim. 

A verdade é que pessoas gostam de emitirem conceitos sobre outras pessoas e se encontrarem em nossas vidas espaço para construirem seus pareceres em nós consigiram seus intentos e não seremos aquilo para qual fomos feitos.

Outro exemplo: Sou por natureza predominantemente sanguíneo. Sou do tipo que conversa com dez pessoas ao mesmo tempo sem problema algum, falo muito. Alguns de temperamento diferentes do meu querem de qualquer maneira que eu mude e seja como eles. É claro que posso melhorar e fala com cinco pessoas ao mesmo tempo, mas nunca serei como eles, não fui criado para ser como eles.

É preciso de maturidade para fixarmos nossa identidade sem levar colado outras identidades ao longo da vida.

O diabo também quer trabalhar com a nossa imagem. Quer dizer que somos o que não somos diante de Deus. Você não pode, você não conseguirá, você é pequeno de demais para dar cabo desta questão e assim por diante. O inimigo de nossas almas está pronto a mentir sobre quem somos. Ele usará de todos os métodos, situações, pessoas para alcançar este intento. Diminuirá a nossa auto estima, trará a nossa mente incapacitações já superadas pela história de vida, nos aprisionará a sentimentos que nos causam paralisia e até doenças.

Não devemos esquecer que ele veio para matar, roubar e destruir e antes de fazer isso com o mundo ele quer realizar sua obra devastadora em nós, líderes da igreja de Jesus Cristo no mundo. Ao longo dos anos tenho conversado com muitos líderes que não sabem quem são ou se perderam quanto suas características próprias e tenho detectado que apesar de muitos serem brilhantes como pessoas e líderes não se percebem assim. E isso nada tem a ver com a humildade, mas com um poder sobrenatural de destruição. Não acreditam que pode, ficam coagidos ante aos problemas do dia-a-dia em seus ministérios, não tomam decisões na hora certa por medo de não consigirem se manter no ministério e assim por diante. Se a mente e o coraçao estão alinhados a uma imagem fracassada ou algo semelhante todo  o corpo receberá o reflexo e o fruto que surgirá será de péssima qualidade, a terra está contaminada. Muitas vezes embora saibamos que satanás é o pai da mentira, acreditamos no que ele fala como uma verdade inquestionável e passamos a viver uma vida medíocre e fracassada.

Quando não sabemos quem somos nós mesmos nos perderemos. Certa ocasião fui em uma igreja ouvir um amigo meu pregar. No final o cumprimentei e disse que foi muito ouvir Deus através de sua vida. Ele me disse: Meu amigo eu sou apenas um verme. Toda honra e glória ao nome do Senhor. Um verme? Verme é um bicho ruim, causa dados ao nosso organismo. Por que um pregador da Palavra tem que se referi a sim mesmo como algo que só causa males? Ah…esqueci é porque a Bíblia diz “Ó vermezinho de Jacó”. Dá-me paciência Senhor! Um texto usado fora do contexto. Mas tenho outra história para contar de um líder que ministrou um estudo para adolescentes onde estava e no final fiz a mesma coisa agradeci pela criatividade e idéia do estudo e ele me disse: “Realmente acho que fui muito bem.” Seus olhos estavam cheios de soberba. Dois extremos. Duas pessoas perdidas em suas identidades. Não somos nem vermes e nem senhores. Somos o que somos instrumentos usados por Deus, obra de sua criação. Um muito obrigado, continue orando para que eu seja bênção no Reino de Deus seria uma resposta madura para quem sabe quem é no cenário de Deus. Não é somente o coração das pessoas que é ruim e enganoso muitas vezes, o nosso também. Se não o disciplinarmos ele será um coração rebelde que fará de tudo para nos derrotar. A maior batalha é aquela que travada dentro de nós mesmos, por isso precisamos conhecer nossos territórios muito bem para que nós possamos estar preparados para a hora da luta e sermos vitoriosos.

Definitivamente temos que buscar o sentido de nossa existência em Deus. Ele nos fez e nos chamou deste o ventre de nossa mãe do mesmo jeito que o profeta Jeremias foi concebido (Jer.11-2) por isso somente ele pode nos dizer o que somos e qual a nossa missão na face da terra e dentro do seu reino.

Então precisamos descobrir quem nós somos diante de Deus. A tarefa não é fácil e quem dizer que é, talvez nunca se aprofundou em sua busca.

Alguns caminhos importantes em nossa busca pelo que nos somos diante de Deus:

1 – Intimidade  com Deus

É preciso ouvir a voz de Deus; é preciso dialogar com ele. Perdemo-nos porque ouvimos mais a nós mesmos e às vezes a satanás do que o próprio Deus.  É um processo. Tal como aconteceu com os discípulos no caminho de Emaús assim também deve acontecer conosco. Ao caminharem sem esperança, perdidos na missão, Jesus entrou no caminho e conversando com eles lhes devolveu não só a esperança, mas a missão para suas vidas. É assim conosco também, precisamos deixar Jesus conversar conosco sobre a vida, seus desafios, seus desejos, seus sonhos para nós e tomarmos posse de cada um para vivermos em vitória. Isso começa com uma vida devocional. O fato é quem sem o sós com Deus isso será impossível. Um líder precisa separar tempo para buscar ao Senhor em oração e leitura da Palavra de Deus bem como para exercer as demais disciplinas da vida cristã: meditação, jejum e adoração.

Quantas vezes estava completamente confuso sobre quem eu estava sendo, se não tomamos cuidado vamos nos transformando em algo que não compreendemos muito bem, e perdido fui até ao Senhor e nele encontrei o eixo correto para  minha identidade. Conversei certa vez com um líder que estava experimentando muito sucesso em seu ministério, mas estava completamente em crise pessoal. Procurou um profissional na área da terapia e nada adiantou, foi para o psiquiatra e também, apesar de ter melhorado um pouco pelos remédios que fora prescrito, não andou muito quanto a solução de sua angústia pelo que ele era. Em fim muitas foram as vezes que me encontrei com ele e a cada dia estava mais perdido. Um dia ele chegou a mim e disse que sabia o que estava acontecendo com ele. Estava correndo de um lado para o outro, sendo sugado pelos diversos deveres do seu ministério, mas parecendo com um maracujá encolhido, que já não tinha intimidade com Deus. Ele até orava e lia a Bíblia, mas se sentia longe de Deus e vazio dentro de si. Em nossa conversa ficou claro que havia necessidade por uma busca intensa por Deus. Ficamos uns três meses sem contato por diversos compromissos de ambas as partes. Quando conseguimos conversar, qual foi a minha grata surpresa: Ele estava muito bem. Perguntei a ele: O que aconteceu, rapaz? Ele me respondeu: Fernando eu me aproximei de Deus e neste movimento entre o pecador e o santo me encontrei porque Deus pela sua graça me encontrou e reconstruir minha identidade a partir dos cacos. Aleluia!

Em João 15:5 lemos: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” Que coisa simples é ser uma vara de uma videira. A vara brota da videira e ali ela vive e cresce, e, no devido tempo, dá fruto.

Não só quando estamos experimentando uma crise em nossa identidade, mas principalmente neste momentos temos que nos colocarmos em um relacionamento com Jesus e dizer:  Senhor, todas as coisas em minha vida têm que estar em completa harmonia com minha posição como Sua vara, a abençoada Videira por isso preciso de minha real identidade. Quando nos rendermos a Cristo de forma adequada, e Ele mostrará o que está, e o que não está de acordo com sua vontade em nosso eu, e nos guiará na mais profunda e elevada bem-aventurança e acharemos respostas para pergunta: quem somos?.

2- Lutarmos

“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam” Mt. 11:12 

Neste texto lemos que o céu é dos violentos, não das pessoas que fazem guerra, brigam, ou no sentido de uma “violência” ruim. A violência de que nos fala o evangelho é aquela onde lutamos para sermos quem Deus nos criou para sermos, aquela que fazemos contra o mundo e suas tentativas de nos roubar a identidade, violência contra as tentações. É sinônimo de coragem.

Aquela quando estamos diante de líderes que se venderam ao mercado gospel e estão embriagados pela bebida ‘santa’, apesar de termos vontade, fazemos violência contra nós mesmos e dizemos daqui eu não passo, pois conheço o meu limite.

Uma luta que parte da certeza de nossa visão, missão e valores e que nos faz não negociarmos em nenhum momento estes bens preciosos por qualquer outra mercadoria.

Certa vez ouvi um testemunho de um pastor que me impressionou por sua firmeza e personalidade. Ele contou que foi chamado para orar em um hangar por um dono de aviões. Chegando lá, pós a conversar com ele, orou. Em seguido o homem disse: Pastor está aqui uma quantia para ajudar a sua igreja na construção. O pastor sentiu que não era para receber aquele dinheiro e disse: Não, muito obrigado, não posso receber do senhor este valor. O homem ficou indignado. ‘Só porque não sou evangélico o senhor não quer o meu dinheiro! O pastor foi embora achando que poderia ter feito a coisa errada, mas por tudo o que era e já tinha vivenciado em seu ministério realmente chegara a conclusão que agiu de maneira certa. Uma semana depois assistindo TV apareceu o homem sendo preso por tráfico de drogas. Isto significa dizer que se ele tivesse recebido o dinheiro, que era uma excelente quantia, sua igreja e ele mesmo estaria envolvidos como ‘laranja’ no esquema, o que seria difícil de provar o contrário e o testemunho cristão estaria em completo risco. Como é bom sabermos quem somos e em que acreditamos!

 3 – Contar com Deus.

Muitos ainda não sabem quem são ou o que querem, e por isso é preciso  mergulhar fundo dentro de si e permitir que aos poucos Deus revele, os sentimentos, desejos, tanto os bons quanto os ruins. Só assim haverá a percepção de quem se é em cada situação.

Deus nos fala em todos os momentos e nos revela quem somos em cada situação, tudo depende da forma como reagimos aos acontecimentos, e é preciso que estejamos atentos, para não permitir que o mundo e tudo o que vem com ele, roubem nossa identidade.

Somos de Deus e para Deus voltaremos, mas somente se formos “violentos” em busca da nossa essência, da nossa verdadeira identidade:  “Filhos de Deus”. Somos Príncipes e Princesas, pois somos filhos e filhas do Rei.

Não devemos permitir que o mundo e o diabo nos roubem essa identidade tão valiosa e tão cara à Deus.

Podemos contar com Deus neste intento.

4 – Não fique ao lado de gente que distorce quem você é

Um conselho em prático: não fique lado de quem quer que você seja outra pessoa ou insiste em fazer e você uma outra pessoa.

Durante meus estudos tive um amigo que embora tivesse muitas características positivas insistia sempre em me diminuir. Ainda bem que não fazia isso na frente de outras pessoas, mas sempre em particular. Me lembro que ficava muito triste. Na época eu deveria ter me afastado dele ou pelo menos não ter andado tanto tempo junto.

Sei que muitas vezes é difícil tomarmos uma atitude de nos separarmos ou pelo menos diminuirmos nosso relacionamento com pessoas que não querem realmente se relacionarmos com quem somos e sim com quem eles querem que sejamos, mas é preciso. A dificuldade de tomarmos um posicionamento talvez seja porque em muitos casos essas pessoas estão bem perto de nós: é um familiar, um colega de trabalho do mesmo setor, um liderado bem próximo.

Por isso precisamos pedir de Deus estratégias para nos desvencilharmos destas pessoas sem criarmos algum mal estar. Eu creio que Deus nos dará o escape necessário, porque creio que Ele mesmo não deseja que andemos muito perto dessas.

Quando estamos ao lado de gente que não nos conhece ou nos conhecendo querem nos tornar em outra pessoa seja pelo motivo que seja, correm os o risco de nos perdermos e isso nunca é bom.

Talvez em seu ministério você esteja lidando com gente assim, é hora de por um ponto final neste relacionamento. Talvez tenha que fazer isso paulatinamente, mas se não começar nunca concluirá todo o processo. O importante é tomar a decisão.

Hoje, mais consciente quero pessoas ao meu lado que saibam quem eu sou e me aceitam. Isto não quer dizer que quero puxa sacos, mas gente que é de personalidade e que pode andar com outras sem tentar mudá-las. Gente que aconselha, admoesta, mas aceita o outro como ele é. Gente que não precisa subestimar nem superestimar outros para se sentir bem com elas mesmas. As demais pessoas as quero sim para ajuda-las, pastoreá-las e só.

5 – Não aceite outros papéis ou versões de si mesmo

Em minha experiência ministerial o rebanho sempre vai  projetar em você seus anseios, temores, necessidades e quem tem que levantar uma barreira para essas expectativas somos nós mesmos.

Alguns vão querer que você seja um pai. Numa sociedade de órfãos quer da presença de pais ou emocionalmente o líder é colocado neste papel. As pessoas estão carentes de afeto e como não possuem muitas vezes outras alternativas para trabalharem seus desafetos buscam no líder atingirem suas expectativas.

Quando comecei o meu ministério tinha 24 anos e me lembro como as minhas ovelhas queriam que eu fosse seu pai. Principalmente os jovens entre 16 a 24 anos. Mais eu precisava é de um pai. Aos 24 anos poderia ser talvez um líder amigo, mas nunca pai e nunca aceitei este papel. É claro toda decisão pagamos um preço e paguei o meu. Outros líderes que tinham este perfil ou que se venderam a ele, pela demanda de mercado, ficaram com minhas ovelhas. Hoje há muitos líderes que descobriram o ‘segredo de ser pai’ e estão até obrigando seus liderados a chamá-los de Pai – que absurdo.  Como líderes não fomos chamados para sermos pais afetivos de ninguém. Biblicamente não há substituição de papéis de paternidade. Um pastor, um líder foi chamado para liderar como pastor ou como um líder ministerial e ponto. Hoje ainda há muitos que me querem como pai, papai.  Passaram muitos anos desde que comecei o meu ministério e agora que já vi muitas crianças que hoje são adolescentes nascerem me sinto um pouco mais como um líder pai, mas confesso a minha resistência quanto a esse papel. Uma resistência que nasce de uma lealdade a minha ortodopraxia.

Não há problemas de você ser um líder pai se você realmente tiver este perfil e tiver uma teologia que aceite este fato, mas resista com todas as suas forças se não for o caso. Um dia ou você vence ou você perde de vez, estou brincando. Creio que Deus nos honra quando somos o que somos diante dele e que ele nos usa em nossa identidade.

Outro papel que muitas vezes querem nos colocar é como um líder amigo. Qual é o problema de ser amigo? Bem se você possui este perfil tudo bem. Minha liderança tem a ver com amizade. Sou um líder que trabalha com essa característica de ser amigo. Confesso que quando mais novo tinha um ênfase maior nesta área, mas do que agora. É perfeitamente compreensível. Os anos passam e a gente muda. A identidade não é algo estático, aleluia por isso! Agora mesmo tendo esse perfil há pessoas que me querem mais amigo do que posso ser. Um líder, um pastor tem um limite quanto a sua amizade. Ele é amigo e pode continuar sendo, mas nunca poderá esquecer que é pastor e líder. Se ele se perder no ser amigo, poderá perder sua voz profética e sua ação de influência sobre a vida das pessoas.

Há ainda que esperam que sejamos fortes sempre. É como nos colocassem a capa de super homem ou no caso das mulheres o laço da mulher maravilha e dissessem para nós; Você precisam liderar com toda a força e poder. Vocês possuem a força. Talvez esse papel seja o mais perigoso porque tem a ver com o poder, algo que é muito perigoso para nós que somos líderes. Aceitar esse papel é ser poderoso, é ter poder para decisões e sobre pessoas e situações. Para falar a verdade quem entre nós não gostaria de ter o controle total de qualquer situação? Mas a boa notícia é que não podemos ter. Só há um que pode desempenhar este papel: Jesus. Sua identidade permite este domínio.

Experimentar a fraqueza num mundo onde ela é sinônimo de derrota é um ato de bravura e de muita persistência.  Sua congregação ou seu grupo de pessoas vão massacrá-lo por não aceitar este perfil. Vão tentar desesperadamente enquadrá-lo na moldura do líder herói querendo transformá-lo em um mito.

Precisamos de muito direcionamento de Deus para não aceitarmos este papel. Aprender a dizer não quando temos vontade de dizer sim, é talvez um dos maiores aprendizados que temos que exercer.

Poderíamos mencionar um imensa lista de papéis que o povo ou algumas pessoas ou ainda um pessoa quer que exerçamos, mas esses três papéis demonstram o quando o outro exerce força sobre nós.

Não se dobre a força externa. Fique firme. Não aceite versões de você. Lembre-se: Você é original. Embora as versões genéricas possam até ter o número de série para fazerem funcionar, mas cedo ou mais tarde você precisará de um upgrade e não conseguirá, pois será atestado como uma cópia não autenticada e ficará na versão antiga com todos os limites desta. Vale apena lutar para ser original.

6 – Não tenha preguiça para descobrir quem você realmente é.

Certa vez lí não sei onde: “a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais….” Certamente o autor não estava muito preocupado em descobrir sua identidade e sim em viver.

Mas como viver uma vida plena se não nos descobrirmos como pessoas e não sabemos quem somos, impossível.

Clarice Lispector em seu poema diz:

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)…
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.”

É preciso se esforça para encontramos o nosso verdadeiro eu. Um eu não subjugado ao pecado que tanto distorce seu verdadeiro sentido, mas através da cruz de Cristo trazer a luz a verdadeira identidade com tudo de bom e com tudo de ruim que somos e, por conseguinte temos.

Confesso que não é fácil, é algo que dá trabalho. É melhor deixar para depois. Mas o fato é que quando mais tempo postergarmos nossa descoberta, talvez, a maior que poderemos fazer durante toda a nossa vida perdendo somente para a descoberta da Verdade que é Jesus Cristo, teremos uma vida fugaz e sem sentido e propósito e ninguém nos seguirá por muito tempo.

Invista tempo para se descobrir. Leia bons livros sobre identidade.. Descubra o seu temperamento, aspectos positivos e negativos; Faça um dos testes de dons que você conheça e descubra quais são os seus concedidos pelo Espírito Santo. Busque saber de pessoas que realmente lhe amam o que pensam ao seu respeito. Talvez até você tenha que buscar ajuda especializada para se descobrir ou melhor clarear coisas a seu respeito. Deixe Deus falar sobre você no dia-a-dia.

Em fim busque ser pleno em seu próprio conhecimento. Com certeza isso ajudará você a traçar com mais segurança sua trajetória de liderança e se sentirá na direção certa sem grandes crises pelo menos no que diz respeito a quem você é no cenário em que você se encontra.

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comentários
  1. Lourdes disse:

    Muito, muito bom!!! Glória a Deus por sua vida e percepção de aspectos tão importantes; guardarei para mim e também passarei adiante esse estudo que é fruto de sabedoria.
    Abraço, pastor querido!
    Lourdes

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