A INTEGRIDADE DO LÍDER CRISTÃO E O SEU SERVIÇO

Publicado: 31 de maio de 2009 em Teologia prática
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ele deixou-nos o exemplo para que sigamos suas pisadas…” I Pe 2:21

Não há ministério sem serviço. Portanto, o líder cristão precisa aprender a servir. Servir com integridade.

Esse tipo de serviço só pode acontecer se for realizado com amor; caso contrário, será apenas uma atividade. O líder cristão não foi chamado para exercer atividades. Nossa vocação deve ser a mesma de Jesus: a radicalidade para com o outro – “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo.13.1).

Dois caminhos que temos tomar para que sigamos as pisaduras de Jesus.

Temos que ajustar os modelos que herdamos de serviço.

Ao longo da história, por algumas razões, o modelo de serviço masculino foi separado do modelo de serviço feminino e foi tomado como único modelo para um serviço de sucesso. O primeiro diz respeito à estrutura, organização, decisões, eficiência enquanto o segundo apela para a escuta, a comunicação, a solidariedade, a mútua edificação em amor. É preciso unir os dois modelos quando pensamos em serviço no Reino de Deus. Ou melhor, é preciso recuperar o modelo feminino perdido na história.

O primeiro exemplo é o de Débora, a profetisa. A Palavra de Deus diz que ela ficava sentada debaixo de uma palmeira (Jz. 4.5), acolhendo os israelitas que lhe falavam sobre suas lutas e procuravam soluções para seus dilemas. O interessante é que, pelo relato bíblico, Débora não somente ouvia, mas falava também (Jz 4.4). O importante aqui são os dois serviços realizados por ela: o da escuta e a do anúncio. A atitude de ficar sentada dá a ela uma visão clara dos fatos da vida a partir da audição, ao tempo que faz dela a própria boca de Deus quando ordena a Baraque que faça o que precisa ser feito, quando se faz líder do culto de celebração, agradecendo a Deus pela vitória.

Nosso serviço deve ser resultado do que ouvimos do povo. O povo sofre, as pessoas estão perdidas à procura de consolo. O líder íntegro é aquele que está disposto a ser solidário com o seu povo, que assume suas responsabilidades, que não fica calado e nem passivo, apesar de saber que o mal experimentado muitas vezes é resultado da própria ação do povo que anda em desobediência a Deus.

O segundo exemplo é o de Miriã. Uma das coisas interessantes em sua vida foi a sua ligação com a água: da salvação de seu irmão, da salvação do seu povo, como da contestação (Êx 2; Ex 15.20 e Nm 12.5-10). Ela faleceu em Cades, quando o povo não tinha mais água” (Nm 20.1-2). A água chega ao povo por vias desta mulher e na literatura sapiental água tem a ver com sabedoria de Deus comunicada ao povo na Palavra. Então podemos afirmar que desta mulher, pela fé, Deus permitiu brotar água da revelação na vida do povo, peregrino até a terra prometida.

Através do seu serviço (Êx 15:20-21), vemos o aspecto feminino de sua liderança: apreciou, apoiou e criticou a liderança masculina, anunciou profeticamente a presença e as maravilhas de Deus na caminhada do povo, animou os momentos celebrativos; foi nascente de água viva, oferecendo a Palavra ao longo de sua vida. Foi competente, solidária e participativa e essencial em termos complementares para a liderança de Moisés. Foi lembrada pelo profeta Miquéias como uma liderança reconhecida (Mq 6:4).

Nosso serviço precisa levar em conta a alegria das ações de Deus, a celebração da vida e o fato de que precisamos ser complemento de outros na jornada da liderança e que até temos possibilidades de erros de visão.

2. Temos que agir como Jesus agiu.

Quero trazer a nossa mente à cerimônia do lava-pés realizada por Jesus com os seus discípulos (Jo 13.1-17).

O serviço de qualidade, segundo o modelo de Jesus, é aquele que se faz em amor. Sabemos que amar as pessoas não é tão fácil assim, especialmente se do “geral” descemos ao concreto das pessoas.

Cristo desenvolve, durante o lava-pés, a pedagogia do exemplo, pois se investe voluntariamente de posição de extrema humildade para, então, ensinar que tal posição, que assume por um instante, deverá ser reproduzida eternamente por seus discípulos, uns com os outros. Todos deverão lavar os pés de todos para sempre, se até mesmo Ele assim o fez.

O paradoxo do Deus que se faz humilde, não exprime hierarquias, como as existentes entre os homens, mas algo muito maior: seu amor pelo ser humano. A expressão “hierarquia” é, em si, inadequada para descrever a proximidade e a distância entre Deus e o homem.

O gesto do lava-pés ilustra, de modo mais convincente, a necessidade da verdadeira humildade. Enquanto os discípulos contendiam entre si pelo lugar mais elevado no reino prometido, Cristo cingiu-se e executou o trabalho de um servo, lavando os pés daqueles que o chamavam de Senhor.

Hoje todos somos chamados a fazer o mesmo, a sermos humildes e simples em nossa liderança. Não deve haver luta por poder e superioridade entre nós. Todos somos iguais. É necessário primeiro tornar os nossos corações mais simples, para poder entender tudo o que Deus tem reservado a nós e em nosso ministério.

Quero tirar algumas lições deste exemplo de Jesus:

1.Revelação de humildade e serviço (Jo 13:4 e 5). Nenhuma referência do Antigo Testamento ao lava-pés mostra senhores lavando pés de subalternos (Gên. 18:4 e 5; 24:32 e 33). Mas Cristo, o Deus encarnado, inclinou-se para lavar os pés dos discípulos, um dos quais era o traidor.

2. Demonstração de igualdade e fraternidade (Jo 13:13-16). Embora o cristianismo não elimine todas as distinções sociais, diante de Deus nenhuma diferença de raça, cultura, sexo, idade, cor, classe social e economia têm valor. Um líder é desafiado a inclinar-se e lavar os pés de qualquer pessoa, porque todos somos irmãos em Cristo.

3. Unidade com Jesus (Jo 13:8). Quando Pedro quis impedir que Cristo lavasse seus pés, teve de reconhecer que esse gesto o afastaria do Mestre. Ao lavarmos os pés uns aos outros, reconhecemos que dependemos sempre de Jesus para a nossa salvação. Ele nos serviu primeiro e assim servimos a nosso semelhante e nos unimos a ele.

4. Símbolo de purificação (Jo 13:10). Mesmo depois de termos sido lavados completamente, no início da nossa caminhada com o Senhor, necessitamos de purificação posterior. Esses pecados precisam ser perdoados. O lava-pés aponta o fato de que Jesus está desejoso de lavar-nos outra vez e purificar-nos.

5. É uma ordem do Senhor (Jo 13:14-16). Ao lavar os pés dos discípulos, Cristo ordenou que seguíssemos seu exemplo, lavando os pés dos nossos liderados, não acusando-os, julgando-os e nem condenando-os.

6. Garantia de bênção (Jo 13:17). Finalmente, Cristo declara bem-aventurado todos aqueles que participam no lava-pés.

Vivemos num mundo em que servir é demonstração de fragilidade. Biblicamente, é sinônimo de fortaleza. Nosso desafio como líderes íntegros é preparar as toalhas certas para os pés certos, lavarmos e enxugarmos tantas quanto forem necessárias.

Quem disse que seria fácil? Mas podemos fazer isso como igreja do Senhor Jesus. Sozinhos é mais difícil, mas no corpo é mais certo atingirmos o alvo. Vejam João 21: 15-18

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