Não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia (Hb 10:25).

Os “sem igreja” ou mais comumente denominados de “desigrejados” não são oficialmente filiados a qualquer instituição convencional de culto religioso cristão; mas nem por isso se consideram desviados e menos ainda excluídos do Reino de Deus. O entendimento dos novos adeptos deste “movimento de uma igreja personalizada e doméstica” é que foram eles que se desvincularam da “igreja dos homens” e do profano sistema religioso de Babilônia, preconizado e denunciado no Livro das Revelações; alardeiam os novos posicionados eclesiológicos, se é que os posso chamar assim?

E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo (At 5:42).

Desigrejado é um recente fenômeno conceitual de cunho religioso e “interpretação aberta”; melhor classificado como movimento ideológico – rasamente bíblico, equivocadamente histórico e como nova “logia da igreja” é sistematicamente contraditório. A proposta “desigrejada” apela ao comportamento de oposição de seus intérpretes e proponentes à eclesiologia congregacional e institucionalizada pelas denominações evangélicas; provocando uma nova tendência relacional entre alguns crentes quanto à igreja: a de tentarem praticar e viver a “fé e a vida discipular” fora do cristianismo. Termos como evangélico, protestante, tradicional, pentecostal, carismático e neopentecostal foram repugnados por esses retirantes. Na concepção dos “sem igreja”, foi necessário despojarem-se desses sistemas, concílios, dogmas, lideranças e responsabilidades de membresia local que caracterizam a igreja constituída para enfim, alcançarem o verdadeiro sentido de crer e viver como a eclésia de Cristo nesta terra.

Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue (At 20:28).

O conceito de “desigrejado” que supostamente foi referenciado no modo de ser da igreja primitiva (os crentes se reuniam geralmente em casas) e nas missivas paulinas e joaninas formataram uma disfunção e desconcreção do conceito tradicional de “igreja” entendido e praticado por nós. Esta corrente interpretativa fornece não apenas uma supervalorizada visão individualista e independente de “ser igreja”; cunha não apenas um neologismo de referência ao desligamento total do mundo eclesiástico. Sua postura propõe refluxos ideológicos quando afirma que a grande maioria de cristãos que ainda permanece nessas “assembleias do sistema religioso minado da besta”, devem também desligar-se daí o quanto antes e citam como embasamento profético para tal conclamação o texto de Apocalipse 18:4 – “Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas”.

Os “desigrejados” acham que tem fundamentos suficientes para posicionarem-se contra as igrejas convencionais, históricas, tradicionais, clássicas e recentemente instituídas como organizações de interesses e motivações puramente humanas e capciosas. Pra falar a verdade até tem “uns ajuntamentos e umas empresas” que querem se passar por  igrejas, pregando somente um “evangelho de prosperidade” seco de santidade e encharcado de prazeres terrenais. Mas daí a dizer que todas as igrejas evangélicas juridicamente constituídas, adequadamente sob formas de governo transparentes e biblicamente praticantes são iguais a àqueles grupos que se vendem na TV e promover com isso, uma variação interpretativa exagerada e uma nova polaridade do que é “ser igreja” é no mínimo incoerência e exagero injustificável!

Porque vale mais um dia nos teus átrios do que em outra parte mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas da perversidade (Sl 84:10).

A razão do ato de “desigrejar-se” não é motivado por nova revelação bíblica; por movimento de retorno à Palavra ou clamor pela chegada de avivamento. Evidenciam-se como motivação saliente de descontentamento pessoal e também de conveniência própria (insatisfação e aspiração). Apesar disso, eles defendem uma vida religiosa mais familiar (caseira) e uma profissão de fé doméstica (descaracterizada de igreja organizada). Para justificar sua saída, sustentam que os escândalos nas igrejas e os desvios bíblicos do papel e da função da mesma, são a causa para tal decisão. Esses crentes que já estão na “saideira gospel” precisam considerar não apenas os fatores “escandalosos e escatológicos da religião” para fazerem suas promulgações de êxodo; carecem estudar a própria doutrina da igreja. A eclesiologia bíblica e teológica não deixam ninguém com dúvidas quanto ao fundamento da igreja (Mt 16:18; 1 Co 3:11), sua composição mística e universal (Hb 12:23) e sua presença organizada como congregação local de cristãos (At 11:26).

Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor (Sl 122:1).

A igreja universal de Cristo (que não é a denominação), aquela que o mesmo virá ao seu encontro no arrebatamento é composta por crentes vivos e até mortos (mas que no dia de sua vinda ressuscitarão) que foram salvos por Ele em todas as eras e tempos. Mesmo assim, existe a inegável realidade da igreja local organizada com cultos, liturgias, ministérios, lideranças, coletas, contribuições e etc. (At 2:46,47; 1 Co 14:6; 6:1-6; 13:1-2; Ef 4:11-12;  Hb 13:17; 1 Co 16:1; Rm 15:26; 2 Co 9:1-13; Hb 7:8; Lc 11:42). Finalizando, chamo à atenção daqueles que estão pretendendo sair de suas igrejas e fixarem-se nessa nova posição de “desigrejados”; asseguro-lhes que tal decisão não será o melhor para a vida de vocês.

Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2:9).

Reconsiderem a conclusão de saírem da igreja; é uma decisão importante que se existir realmente a necessidade justificável de desligar-se, recomendo-vos a buscarem em oração e em visitação outra igreja que prega verdadeiramente a Palavra do Senhor, para lá continuarem a servir a Deus.


É preciso ter consciência de que a visão dada por Deus para nossa vida, família, ministério e igreja local deve ser desenvolvida com eficácia, eficiência e efetividade.

Nesta artigo, o que se quer é que você possa ter instrumentos de conscientização a respeito da obra de responsabilidade social para que possa ser instrumento de Deus em nossa comunidade e no serviço que nossa igreja presta na área social.

É preciso conscientização

A sua conscientização quanto à obra de responsabilidade social é o processo de fazer com que você mesmo conheça seus direitos e deveres quanto ao social, praticando-os em sua plenitude.

A conscientização não é especificamente o indivíduo, ou uma comunidade conhecer uma realidade tal como ela é, mas é um processo baseado na relação consciência-mundo.

A conscientização consiste no desenvolvimento crítico da tomada de consciência.

Sendo assim quando falamos que queremos que você tenha conscientização do trabalho de responsabilidade social estamos querendo que você perceba a realidade que está a sua volta de maneira reflexiva, crítica, inventiva objetivando decisões, ações que produzam liberdade para todos os envolvidos.

Como tornar isso possível?

  1. 1.    Você deve aprender sobre sua real missão.

Sublinhe a palavra ‘aprender’. Você precisa aprender coisas que ao longo do tempo se perdem como qual é o seu real propósito na terra.

Não há conscientização social se você não se perceber quanto a sua identidade expressa nas comunidades onde possa estar.

Afinal de contas, para que você existe? Bem a resposta clássica é: para o louvor da glória de Deus. Sem dúvida, essa é a resposta correta, mas… como você se faz em seu dia-a-dia louvor da glória de Deus? Quais são as marcas que você precisa adquirir e levar sobre seu próprio corpo que expressam a dignidade de Deus sobre sua vida e história?

Vamos lá….

a.    Você deve ter uma visão do amor em que relacionamentos pessoais íntimos possam ser desenvolvidos.

“Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com  isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo.9.34-35-NVI).

Francis Shaeffer[1] diz que “esta passagem revela o sinal que Jesus dá para rotular um pessoa cristã não somente numa época ou numa localidade, mas em todos os tempos e em todos os lugares, até a sua volta”. Esta é uma ênfase em todo o NT e em I João 3.11- NVI, João afirma que o amor é a essência da mensagem ouvida desde o início: “Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros”.

Em qualquer lugar, uma pessoa cristã é chamado a eleger o amor como sinal de um verdadeiro discípulo de Jesus. Este é um sinal inadiável, que não se deixa para começar amanhã. Deus está desejoso sempre de livrar seus discípulos de serem pessoas que tenham relacionamentos superficiais, de amor só de boca, ou de alienação em relação aos problemas dos outros. Quem ama se compromete, se doa e, acima de tudo, faz a vontade do Senhor.

  1. b.    Você deve entender que Deus já deu a você habilidade para cumprir sua missão de amor ao mundo.

Sublinhe a palavra Entender. Ao se conversar com alguns líderes da igreja local, às vezes fica a impressão de que a questão do amor que a igreja deve ter com a comunidade é algo bem claro, mas diante das lutas que a própria igreja enfrenta (construção de templo, pouca liderança, falta de liderança, espaço físico, localização, falta de recursos financeiros, falta de preparo e etc.), não se faz possível desenvolver um trabalho comunitário.

É preciso que, a começar de você e indo para toda a igreja, haja a consciência de que hoje temos muito mais recursos para realizar essa obra do que antes, quando Jesus pronunciou seus ensinamentos e que por isso mesmo, apesar de todos os obstáculos, Deus já preparou os recursos para aqueles discípulos que lhe são obedientes e desejam ver a obra de Cristo realizada no mundo com toda pujança.

c.    Você deve construir um pensamento bíblico acerca da missão e espiritualidade integral.

Sublinhe a palavra ‘construir’. Ora, com isto se quer afirmar que o seu papel é amplo e dirige-se para todas as esferas da vida. A sua visão de papel e ação deve ser ampla, procurando agir e influenciar na cultura, nas estruturas da sociedade, na espiritualidade de um povo, etc.

No que diz respeito ao seu ser, você, discípulo,  é chamado a desenvolver não somente a sua vida devocional em particular, mas a sua vida enquanto comunitária.

Esse chamamento é expresso em ações de benevolência, isto é, em ações que tenham a ver com as necessidades das pessoas. Você deve criar sempre o desejo de reeditar o diálogo do passado do Rei com os justos sobre o grande julgamento predito por Jesus: “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram” (Mt 25.37-40 – NVI).

A sua espiritualidade deve ser encarnacional, isto é, deve atingir a carne e o sangue, isto é, as pessoas.  Deus está cheio de piedade e detesta completamente a opressão e suas consequências.

De acordo com Lucas 4.18-19, “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os  oprimidos
e proclamar o ano da graça do Senhor”
(NVI), a missão de Jesus  era livrar as pessoas da opressão, curando-as. Ele quis ver vidas realmente mudadas. Jesus teve um equilíbrio entre a realidade física e as necessidades do espiritual. O equilíbrio foi conquistado porque ele nunca separou as duas realidades. Encontrou necessidades físicas, mas igualmente ensinou a verdade (Mat.4.23) “Jesus foi por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo”(NVI).

O grande ato da benevolência de Jesus foi o fato de que sua ação foi além do auxílio físico para um investimento e um compromisso compassivo de tempo, de energia e de amor.

Você deve está disposto a viver longitudinalmente, lado a lado das pessoas e distribuir-lhes não meramente o dinheiro, o alimento, a roupa, ou outros bens, mas a própria vida.

  1. d.    Você deve manter o foco para com sua missão.

Sublinhe a palavra ‘manter’. Em Atos 21.10-16, lemos sobre Ágabo profetizando para que Paulo não fosse para Jerusalém, pois lá seria judiado por todos. Paulo disse que iria porque sua missão era essa e não deixaria de realizá-la por causa do sofrimento que lhe sobreviria. Paulo estava bem focado em sua missão e por isso continuou.

Você deve, uma vez que entendeu que sua vida é para glorificar a Deus e que isso acontece quando o eixo de relacionamento horizontal está em pleno fluxo, não tirar o foco dessa direção.

Sabe, muitas pessoas começam bem e terminam mal. Por quê? Porque começam de maneira correta, mas ao longo de suas vidas se deixam embaraçar com coisas menos importantes simplesmente porque não têm nada a ver com o foco determinado por Deus para a sua história.

Uma vez que você está consciente do seu papel quanto à responsabilidade social que Deus espera de você, deve prosseguir. Os obstáculos certamente virão, as decepções também. Pedras muitas serão lançadas, palavras pessimistas certamente serão empreendidas a respeito do que você fará, mas o que importa se por sua vida o Senhor será glorificado e vidas serão transformadas?

Creio que aqui está o segredo de continuar em nossa missão. O foco não deve ser o mundo, mas pessoas que vivem ao nosso lado clamando por transformação. Crianças, jovens, meia idade, idosos precisam de pessoas como você que queiram investir em suas vidas pela motivação correta – o amor de Deus, e que para isso doam a própria vida em serviço, sabendo que enquanto fazem algo de valor para o próximo estão fazendo para o próprio Jesus; que quando são fiéis no pouco, o Senhor os honra no muito.

A paixão (aqui entendida como amor sem fronteiras) deve ser o combustível do seu foco. Paixão por pessoas, paixão por

transformação que gerem dignidade, justiça, paz e amor.

2 – Você deve ter os olhos, ouvidos e boca para ver, ouvir e falar.

É preciso querer ver, ouvir e falar sobre o que está ao nosso redor. Você já notou que as pessoas, em um grande centro urbano, olham para baixo? Quase não encontramos pessoas que olham nos olhos e param para ouvir outras. Outro dia ouvi alguém falar: a pior coisa é quando perguntamos a alguém como ela está e ela começa a explicar! Isso, sem dúvida, demonstra o espírito de nossa época: superficialidade e individualidade.

A verdade é que um discípulo de Cristo busca ter consciência de que seu papel de agente de responsabilidade social deve ir na contramão da história atual, por mais difícil que seja.

Veja:

As nossas cidades são um palco de violência, roubo e injustiça. Vive-se um sacrifício diário de milhares de pessoas pobres que, na maioria das vezes, não tem mais a estabilidade garantida pelas famílias e se veem sozinhas, no caos, injustiçados pela ideologia capitalista que concentra muitos bens nas mãos de uma minoria, desprezando e oprimindo a maioria.

Nessa política de roubos, violência e injustiça, a postura da pessoa cristã consciente de sua responsabilidade social deve ser aquela dos profetas bíblicos que denunciaram os agentes da opressão, postar-se ao lado daqueles que têm sido marginalizados, obrigados a morar em cortiços, comunidades carentes e nas ruas da cidade, roubados no direito e na justiça; deve dar-lhes sentimento de pertença, colocar-se como uma comunidade que encarna suas lutas e rompe com o egoísmo da elite.

O profeta Isaías acreditava na possibilidade de restauração de um povo. Esta é uma esperança que deve alimentar você. Deve-se evitar uma abordagem negativista, que não vê possibilidade de restauração e que não leve em conta a pessoa como pessoa.

Deve-se ter a certeza de que Deus tem interesse de inspirar seus filhos a criar estratégias que confrontem as forças e faça com que se rendam. O protesto é legitimo e deve ser levado em frente.

3 – Você deve ler tudo e estar em eventos sobre Responsabilidade Social e, caso seja possível, estar ao lado de alguém que já tem desenvolvido em sua vida ações de Responsabilidade Social.

Alguém me perguntou um dia: como você tem tantas idéias? Eu respondi: leio muito, converso com gente criativa, especulo tudo que vem em minhas mãos e gosto de ir em lugares e estar atento a tudo o que acontece. Além de tudo isso, tenho amigos extremamente visionários.

Muitas pessoas dizem que não gostam de ler, mas certamente esse sentimento vem porque nunca tiveram o desejo de criar o hábito da leitura. Para quem tem o hábito sente verdadeiro prazer, pois a leitura abre nossas mentes para o novo.

Você precisa criar o hábito de ler. Ler principalmente livros, artigos que tenham vínculo com o social. Hoje, há tanta coisa escrita, de excelente qualidade, que às vezes fico tonto sem saber o que ler primeiro.

Sua consciência social será maior, proporcionalmente a sua leitura nesta área. No final desde estudo você tem uma relação de livros para poder desfrutar de suas leituras.

Não só de livros viverá o ser humano, mas de eventos também. Tenho tido oportunidade de ir à alguns eventos fantásticos na área social. Você não deve ir em qualquer evento, mas nos que realmente são importantes para a sua formação. Entre nos sites de busca e faça uma relação dos eventos e depois escolha o que estiver a sua altura de compreensão e condições financeiras. O que é importante aqui é estar no lugar certo e na hora certa para ouvir o que Deus tem para a sua vida.

A fé vem pelo ouvir e o ouvir da Palavra de Deus. Precisamos ouvir o que Deus tem a dizer sobre o social e eventos são lugares e ocasiões certas para isso.

Também outro fator de suma importância é  grudar em alguém que temos como espelho para nossa ação social. Primeiro, precisamos pedir a Deus para que ele nos mostre a pessoa (ele tem uma pessoa para nos abençoar, eu creio); depois quando ele nos mostrar, devemos ficar ao lado para adquirir tudo o que ela pode fornecer. Não há melhor método do que pessoas que já estão na obra social para nos influenciar. Todos nós precisamos de alguém que seja nosso apóstolo Paulo, para desenvolvermos paixões, habilidades e estabilidade.

4 – Você deve ser ensinável e ensinar.

Em Mateus 13.11-12, Jesus ensinou que quem tem fome e sede de justiça é bem-aventurado.  Esse ensinamento aparece no contexto da parábola do Semeador. Após Jesus contar a parábola, os discípulos começam a fazerem perguntas e Jesus, antes de respondê-las, diz: “Ele respondeu: A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado.” (NVI) 

Corretamente David kornfiel em seu livro: Equipes de Ministério que Mudam o Mundo[2], afirma que entre todas as possíveis interpretações, a melhor é aquela que aponta para o fato que Jesus está dizendo aos discípulos que eles devem ter fome e sede de aprender a vontade do Pai e quem tem essa fome e sede aprenderá e crescerá mais ainda.

Que maravilhoso ensinamento. Você deve ter fome e sede de aprender sobre a obra social. Uma vez consciente de seu papel, de sua missão, deve criar uma cultura de aprendizagem a fim de se aprofundar cada vez mais na dinâmica da ajuda mútua, do envolvimento com a comunidade, visando eficácia e eficiência em suas ações.

O desejo de aprender vem somente quando falta o conhecimento ou habilidade de completar uma tarefa a contento – quando há humildade para perceber que não sabemos o que precisamos saber para realizar a obra do Senhor.

O Senhor promete acrescentar sabedoria a quem busca e você precisará dessa sabedoria ‘em dobro’ na sua vida quando estiver realizando sua missão no mundo. Veja o texto de Tiago 1.5 – NVI: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida”.

Outro aspecto é o desejo que você precisa de ensinar a outros tudo o que você recebeu da parte de Deus. Sua consciência social não deve ser guardada com você; ela deve ser multiplicada na vida de outras pessoas.

Corretamente Keith Phillips, no livro A Formação de um Discípulo[3], diz que o nosso ministério é avaliado apenas na quarta geração. Isto é precisamos capacitar até que a quarta geração esteja pronta para ministrar outras pessoas, equipes.

Que grande desafio! Mas também que grande privilégio! Você pode ser instrumento na vida de muitas pessoas, desde que você tenha como alvo passar o legado que recebeu ou tem recebido da parte do Pai.

Tudo o que você está aprendendo, desde agora, deve ser colocado à disposição de outros. Escolha alguém para compartilhar o seu aprendizado. Converse, troque experiências, informe. Tudo isso fará você mais pleno e possibilitará que a obra que Deus começou fazer em sua vida possa se multiplicar em outros corações sendo o ‘outro’ abençoado com toda sorte de bênçãos na região celestial.

Conclusão

Não é preciso dizer, depois deste estudo, que o ideal é trabalharmos por uma promoção humana de transformação, de responsabilidade social ainda que possamos começar e durante todo o processo mantermos os outros níveis de ação social tais como assistência social e uma ação social.

Mas o importante é que você pode ser um instrumento valioso nas mãos do Pai na  igreja como um voluntário na obra de responsabilidade social colocando seus talentos e dons a serviço da comunidade. Ajudando a obra de responsabilidade social.

Temos que entender que nossa vida precisa ser um canal da graça de Deus e apesar de podermos fazer isso e na verdade se deve fazer no dia-a-dia dos nossos relacionamentos, como igreja precisamos cumprir esta grande tarefa de levar a comunidade o verdadeiro evangelho de cristo: o evangelho integral: corpo, mente e espírito.

Fico como pastor completamente admirado com crentes que dão o seu tempo, talento, apesar do cansaço da sua labuta diária na obra de responsabilidade social. Creio que para estas Jesus já dispensou seu galardão. Amém.


  [1] Ler mais sobre o assunto no livro do autor: A verdadeira espiritualidade. São Paulo: Cultura Cristã, 1999. 222p.

[2] KORNFIELD, David. Equipes de ministério que mudam o mundo – oito características de uma equipe de alto rendimento. São Paulo: Sepal, 2007. 198 p.

[3]PHILIPS, Keith. A formação de um discípulo. São Paulo: Vida, 2003. 176p.

PASTORES, O QUE FAZEM?

Publicado: 1 de abril de 2012 em Teologia prática
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Está certo. Há pastores e pastores. Há pastores e lobos, já testificou o pr. Osmar Ludovico em seu artigo da revista Enfoque Gospel.
Embora ambos gostem de ovelhas e vivam perto delas, e hoje não está fácil distinguir entre uns e outros.
Portanto, começo afirmando neste estudo que nossos pastores são verdadeiros e aqui inclui a legitimidade como vindo do próprio de Deus que chama e comissiona para uma obra tão especial que é cuidar do seu rebanho.
Vamos logo ao ponto: Qual é afinal, o papel de um(a) pastor(a) em nossa igreja, no reino de Deus e no mundo? Sim, porque ser pastor não é algo institucional, mas orgânico, vivencial, do dia a dia. Bem você pode me dizer que é o de cuidar, está certo, mas o termo cuidar é muito genérico e no caso do ministério pastoral está fora o “genérico”. Tudo precisa ser especificado.
Esta resposta se fosse em “tempos idos” seria mais fácil de se dar porque não havia muitos modelos na época. Hoje essa resposta se tornou especialmente complicada. Por que? Porque apesar de temos os textos bíblicos sobre o ministério pastoral e até a práxis corretas em igrejas saudáveis, a configuração desta área no mundo gospel tem trazido novos papéis que destoam em parte ou completamente daqueles estipulados pelo Senhor do ministério.
Basta pregar bem, ou um líder, por sua autoridade, impor as mãos sobre um candidato ou a própria pessoa ter uma “revelação especial”, ser um empresário da fé ou esposa de um pastor para ser tido e empossado como pastor. Em minhas classes de ministério pastoral nos seminários teológicos onde tive oportunidade de ministrar aulas sempre afirmo o seguinte: “Jesus disse para que tivéssemos cuidado com lobos em pele de ovelhas, mas em nossos dias ele também certamente diria: ‘Tenham cuidado com lobos em pele de pastores’.”
Mas vamos devagar à conclusão de que atualmente somente há coisas ruins sobre o papel que um(a) pastor(a) deve exercer.
Creio que em relação ao exercício do ministério pastoral em outras gerações temos, apesar dos negativos, aspectos positivos conquistados por uma exegese mais correta e, principalmente por uma hermenêutica mais contextualizada e por isso mesmo mais autêntica. Resta-nos debruçarmos nos textos bíblicos e na experiência vivencial de ser igreja autêntica para encontrarmos o ponto exato para essas pessoas que são servos do altíssimo e precisam realizar com excelência seus ministérios corretamente.
Textos Bíblicos sobre pastores
Para o nosso estudo escolhi os textos que estão no Novo Testamento. Os principais são: Atos 14:23; Atos 20:28; Efésios 4:11-12; Filipenses 1:1;1 Tessalonicenses 5:12;1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:7-16; Hebreus 13:17; I Pedro 5:1-4.
Estive em um encontro e um pastor utilizou o texto de Atos 6 como um texto para definição do papel pastoral. Embora esteja falando sobre liderança eclesiástica não é sobre pastores, mas sim sobre outro dom-ministerial, o apostolado. Este é o problema de se pinçar textos para expressar o que queremos ser ou ter.
Agora os textos acima mencionados podem ser questionados também. Antes que isso aconteça deixe-me justificar porque eles estão sendo apresentados como legítimos para nossas conclusões sobre o ministério pastoral.
Os textos falam sobre liderança e testificam sobre várias funções existentes na igreja do 10 século, mas o que nos interessa no momento são: Anciões, Bispos, Presbíteros e Pastores. O apóstolo Paulo gostava de colocar nomes nas funções e era preciso que isso acontecesse, pois a igreja estava se formando aos poucos e agora seus líderes precisariam ser diferenciados dos demais líderes da sinagoga e do templo de Jerusalém pelos menos em alguns termos para as novas funções que eles teriam que desempenhar.
Nossa igreja prefere, por ser Batista, o termo pastor como, digamos quase sinônimo, ou um termo que agrega os demais: de ancião, bispo e presbítero. Usamos este termo por alguns motivos:
1. Ser um termo utilizado no AT;
2. O próprio Deus se utiliza dele para falar com o seu povo em termos de relacionamento;
3. Ser um termo orgânico, menos institucional – isto quer dizer que expressa relacionamento, vida;
4. Ser uma expressão que abarca todas as demais já que vamos ver que os pastores precisam aconselhar, supervisionar e proteger o rebanho de Deus;
Deixemos para os nossos irmãos presbiterianos e demais a opção de se utilizarem dos mesmos. É interessante que gostam de se referirem aos pastores de reverendos, outro termo bem institucional. Eles não estão sendo hereges com isso, apenas escolheram usar literalmente cada nome que aparece no NT para sua liderança.
Agora sim, vamos trabalhar o termo pastor e definirmos o que os nossos pastores fazem no dia-a-dia.
Tudo tem a ver com o cuidado da alma, do corpo e do espirito. Sim porque somos um todo e quem cuida de nós precisa ter a consciência de que somos um todo.
Todo este cuidar passa por três grandes áreas de ação como apresentadas abaixo:
a- Um pastor tem a autoridade e responsabilidade de ensinar e pastorear a Igreja (Atos 20:28; Efésios 4:11-12; 1 Tessalonicenses 5:12; 1 Pedro 5:1-4);
b- Um pastor tem a responsabilidade e autoridade para proteger a Igreja de falsos ensinos (Atos 20:28-31; 1 Coríntios 14:29; 1 Timóteo 4:1-6; Tito 1:9-13);
c- O pastor tem a responsabilidade e autoridade para supervisionar todo o trabalho da Igreja (Atos 20:28; 1 Tessalonicenses 5:12; 1 Pedro 5:1-2)

Mas como nossos pastores fazem isto?
1. Relacionando-se – Relacionamento é o principal instrumento que um pastor tem para cuidar de seu rebanho. Não existe pastor sem um rebanho, porque simplesmente faltará o alvo do seu trabalho: o outro. Um pastor é dotado por Deus para desenvolver relacionamentos de longo prazo com um grupo de seguidores de Cristo e assume a responsabilidade por seu desenvolvimento espiritual.
Pastores são pessoas que amam estar perto de pessoas e quando estão são instrumentos de Deus para abençoá-las através de palavras e outras expressões afetivas. Gostam de convívio, choram pelas suas ovelhas, olham nos olhos, têm amigos, sujam os pés nas estradas em busca de almas, apaziguam relacionamentos e fazem de tudo para abençoar o outro. Mais do que papéis, negócios e administração eles amam estar com gente de carne e osso, às vezes mais carne, às vezes mais osso. Mais gente que é imagem e semelhança de Deus.
Os pastores devem rejeitar outra postura que não seja esta. Se pode ser dizer que relacionamento é trabalho, nossos pastores trabalham muito quando conversam no rol do templo, nas casas, nas ruas, nas visitas, enfim na vida e sabem que isso é essencial para seus ministérios.
2. Aperfeiçoando os santos – Esta tarefa não cabe somente aos pastores conforme Efésios 4:11-12, mas também a eles. Disto os pastores não podem se eximir. Nas igrejas batistas, de maneira geral, este papel ficou para os educadores cristãos, mas é lamentável que isso ocorra. Cabe ao pastor a inciativa, a condução do processo, pois ele é a peça fundamental pela autoridade que exerce no rebanho para que aconteça efetivamente o aperfeiçoamento que pode-se dar de diversas maneiras e por várias pessoas do corpo de Cristo. Os pastores  devem pensar assim. Por isso não devem e se recusam em fazer tudo, em serem guardadores do saber. O maior prazer deles deve ser ver o outro se amadurecer na fé, no serviço cristão. É quando uma ovelha começa a sua trajetória sem saber andar no meio eclesiástico e aos poucos vai se tornando líder e se transforma em grande bênção na casa de Deus e em seu Reino. Há alegria maior do que esta para um pastor? Certamente que não.

3. O ensino – Todos devem ensinar sobre o que aprenderam como parte de um discipulado bíblico, mas cabe aos pastores ensinarem usando da prédica, estudos em sala de aula, ensinos informais, escritos ou outra forma de comunicação. Nem todo mestre é pastor, mas todo pastor é e precisa ser mestre ainda que alguns tenham mais habilidade nesta área do que outros. Apesar de hoje muitos pastores acharem que a pregação é a única forma de ensino que eles devem exercer, precisam desenvolver a arte de ensinar tendo na medida do possível uma boa didática para que suas ovelhas possam compreender na prática, a profecia vinda da parte de Deus. Todos os pastores de nossa igreja devem estar comprometidos no ensino quer formal ou informal, conforme 2 Timóteo 4:2 e 3 onde o apóstolo Paulo instrui Timóteo a ser um pastor de ensino: “Pregue a Palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte – com paciência e doutrina”.

4. Apresentar o rebanho a Deus – Sim, orar. A maioria dos crentes, apesar de achar, que cabe ao pastor orar por suas ovelhas não consegue entender que isso faz parte de seu trabalho diário. Um irmão certa vez ligou para a igreja de um dos meus colegas e a secretária disse que naquele momento o pastor estava em oração no gabinete pastoral e não poderia atendê-lo. Ele ficou furioso porque o pastor não podia atendê-lo a final de contas ele só estava orando?! Na verdade eu nunca ouvi em um Concílio Examinatório de um candidato ao pastorado alguém perguntar sobre quantas horas de oração o candidato ora por pessoas. Também quando os pastores são convidados para pastorearem igrejas muitas são as perguntas feitas a ele, mas sobre oração intercessória, poucas ou nenhuma. Cabe sim ao pastor interceder pelo seu rebanho. Os joelhos de um pastor fazem toda a diferença. Toda oração feita por um filho de Deus tem como chegar ao Pai se for bíblica, mas creio (me permitam dizer isso) que pela autoridade que o pastor tem da parte de Deus como líder espiritual de uma igreja local, quando ele ora existe um elemento diferenciador. Há uma dimensão de conhecimento sobre suas ovelhas por parte deste pastor que é expresso na oração e que cria digamos uma intimidade com o Senhor fazendo as coisas acontecer. Disto também depende a sua autoridade.
5. Administrar a casa de Deus. Na verdade, aqui está um dos pontos polêmicos que no passado não se tinha. Muitas igrejas hoje têm a teoria e a prática de que cabe ao pastor às questões espirituais e aos gestores as administrativas. Coisas dos nossos irmãos americanos do norte e dos da Europa. O que é preocupante neste posicionamento é a dicotomia que se faz entre o que é espiritual e material e, a meu ver, o que é pior, a respeito da questão do cuidado pastoral que se limita a alma e ao espírito não passando pelo corpo.
Não acredito em pastores que separam a administração do cuidado do seu rebanho. Com isso não quero dizer que ele pessoalmente precisa administrar a casa de Deus. Ele pode ter uma equipe que faça isso sob a égide dele, pois ainda sou daqueles que acreditam que a visão de Deus para o rebanho vem para o pastor titular de uma igreja local, é compartilhada com seus pares e dialogada, trabalhada pela igreja através de sua liderança e membresia.
Portanto, a questão não é se o pastor deve ou não administrar a casa do Senhor, mas como ele fará isso: de uma maneira centralizadora, não sobrando espaço para as outras formas de cuidado, ou de uma maneira compartilhada, por meio de pessoas capacitadas pelo Espírito para este serviço específico. Os pastores não devem fugir de sua responsabilidade administrativa, mas devem possuir uma equipe de alto nível para ajuda-los.
6. Aconselhando – Deixei por último esta forma de cuidado porque acho que nossa igreja precisa entender que seus pastores podem abençoar as vidas de seus membros através do aconselhamento. A membresia de uma igreja precisa criar a rotina de buscar conselhos pastorais. Cabe aos pastores ajudar suas ovelhas nas horas de decisões, nas lutas, nas dúvidas e na vida. Temos a bênção de termos pastores e pastora para poder realizar esta obra de maneira mais pessoal. Os pastores não são psicólogos ou terapeutas. Eles são conselheiros na Palavra de Deus. São preparados nos Seminários para isso. Leem e devem ler cada vez mais sobre como aconselhar pessoas. Creio que a diferença entre um psicólogo e o pastor, além dos estudos específicos de cada área, está no fato de que cabe ao pastor instruir as pessoas no que diz a Palavra de Deus. Ao psicólogo cabe outros papéis.
Conclusão
Certamente outras formas de cuidado devem ser exercidas pelo pastor, mas para esta lição basta as seis que acabamos de refletir.
Quero terminar esta lição dizendo o que o pastor não é. Isto é importante para que as expectativas das ovelhas estejam dentro da realidade e para que nós os pastores não venhamos a morrer cedo demais de tanto trabalhar e o que seria pior trabalharmos naquilo para o qual não foram chamados.

Os pastores não são:
1. Pais e mães – Os pastores não podem substituir os pais naturais de cada um. Há uma moda gospel hoje de chamar os pastores de pais e as pastoras de mães. Isto não é bíblico e nem batista, mais se parece com a herança católica em que o padre é o pai da paróquia.
2. Assistente social – Ainda que ajudem, não podem ficar correndo com o membro para um lado e outro sempre. Isso, em primeiro lugar, cabe à família do membro.
3. Psicólogo – Não tem formação para isso e mesmo que tivesse seu papel como pastor não permitiria ter a postura de um psicólogo.
4. Empregado da igreja – Embora possa ser contratado pelo regime da CLT, a igreja deve entender que ele é um sacerdote para ela e que a contratação é um benefício para os seus pastores e uma proteção legal para a igreja. Se o pastor for tido como um empregado da igreja no trato diário, ele perderá a voz profética, disto tenho absoluta certeza.
5. Músico – Cantar ou tocar não faz parte da tarefa pastoral ainda que em muitos casos “em terra de cego quem tem um olho é rei”. Cabe a ele conduzir o culto, se for necessário, dentro de seu chamado. A não ser que tenha o dom do serviço na área musical. Mesmo assim deve tomar cuidado para não monopolizar o altar.
6. Artista – Ele não é uma pessoa que tem uma performance em cima do altar, ele é um servo de Deus que prega a Palavra.
7. Um agente de crescimento da igreja – Ele não é responsável pelo crescimento da igreja. Quem é e sempre será é o Senhor. Toda a igreja é instrumento do Senhor para o crescimento.
8. Jesus – Com certeza sua autoridade vem de Jesus, mas apenas isso.

Que o nosso compromisso de ser uma igreja mais bíblica e comprometida com o evangelho de Cristo nos faça entender a vocação de nossos pastores e tê-los como instrumentos de Deus para as nossas vidas.
Fica o conselho da parte de Deus para cada ovelha: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 13:17).

A IGREJA E SUA EVANGELIZAÇÃO

Publicado: 1 de abril de 2012 em Teologia prática
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Cada geração de cristãos tem a responsabilidade de não deixar a chama do evangelho se apagar. Isto pode ser feito através de várias formas, mas a principal deve ser através da igreja local de Jesus Cristo. Sim, Instituições para-eclesiásticas, podem realizar obras de evangelização, mas nada substitui a própria igreja através da práxis de sua missão que é a própria missão do seu Senhor.
Com isso quero afirmar que cabe igreja a tarefa da evangelização a partir do local onde ela está inserida, sua comunidade e dos relacionamentos experimentados por seus membros no dia-a-dia.
Mas o que é mesmo evangelizar?
Quando olhamos para as Escrituras Sagradas percebemos uma variedade de paradigmas na área da evangelização e missão.
Vou usar para fins deste estudo três escritores bíblicos: Mateus, Lucas e Paulo para entendermos corretamente o que é evangelizar. Lendo seus escritos entendemos o seguinte:
Para Mateus evangelizar não é uma atividade de levar pessoas à conversão apenas, mas de fazer discípulos. Esta tarefa deve ser para todos, ninguém pode ser excluído de ouvir o evangelho. (Mat.28:16-20)
Para Lucas evangelizar envolve uma inversão de todas as consequências nocivas a fé, para que as pessoas sejam livres para amarem a Deus e servi-lo. Na visão de Lucas somos salvos para servir. A evangelização feita pela igreja só pode acontecer pelo poder do Espírito Santo de Deus. E ainda a evangelização envolve adversidade e sofrimento. (Luc.4:16-21, Luc. 24:45-49 e o Livro de Atos)
Para Paulo evangelizar não é simplesmente trazer pessoas ao ponto da fé em Cristo, é trazê-las incorporadas à igreja local, tornando-as membros de uma comunidade de redenção chamada igreja. (Ef. caps 1,2,3,4,5)
Então … evangelizar é uma ação proposital da igreja local reunida ou dispersa através de seus membros e programas de anunciar a Jesus Cristo a todas as pessoas fazendo-as testemunhas dele e pertencentes a uma igreja local. Em outras palavras, levar pessoas que não têm Jesus em suas vidas a recebê-lo, obedecendo-o em seu dia-a-dia, tornando-o um verdadeiro discípulo de Cristo.
Uma igreja evangeliza quando ela fala de Jesus de várias maneiras e discípula aqueles que são salvos.
Isto é muito importante se entendido, pois muitos crentes acham que evangelizar é somente pregar o evangelho e aí quando a pessoa se converte é deixada de lado. Em algumas igrejas há o ministério de evangelização e o ministério de discipulado. Isto é um erro porque o discipulado está implícito no ato continuo da evangelização. A não ser que o ministério de discipulado seja específico como, por exemplo: discipulado de novos líderes. Mas aí nada tem a ver com a salvação.
Uma igreja precisa entender que sua tarefa de evangelizar vai do momento em que ela prega a Palavra formalmente ou informalmente, nos cultos ou através dos membros no dia-a-dia até o momento em que a pessoa salva já dê frutos dignos de arrependimento. O alvo é tornar uma pessoa conforme Colossenses 2:6-7.
William Abraham diz que a obra evangelística tem seis características essenciais, e evangelismo não pode ser feito efetivamente a menos que todas as seis sejam apresentadas:
1. Conversão ao Cristianismo e a experiência do novo nascimento
2. Batismo e incorporação física na igreja
3. Compromisso com o Reino de Deus
4. Aprendizado das verdades bíblicas
5. Identificando e utilização dos dons espirituais
6. Praticante das disciplinas espirituais, como fruto do Espírito Santo
Portanto, o ministério de evangelização de nossa igreja deve ser mais amplo do que em muitas outras igrejas. E todo o planejamento que estamos realizando visa trabalhar este conceito absolutamente bíblico.
Que evangelho pregamos?
Pregamos o evangelho da paz – as boas novas, Jesus. Falamos de um evangelho que é para o corpo, alma e espírito. Chamamos este evangelho de Evangelho Integral, pois visa a pessoa como um todo. Acreditamos que quando Jesus chega a uma vida ele transforma toda a pessoa e seus relacionamentos.
Em uma igreja o Ministério de Evangelismo deve estar junto com outro ministério, o de Responsabilidade Social. Porque se temos que falar de um Cristo que se preocupa com as pessoas em todas as suas necessidades, temos que, como igreja, ajudar as pessoas em todas as suas necessidades.
Evangelismo e ação social em nossa igreja não são realidades separadas, mas estão unidos, fundidos.
Quando sentamos para preparar o planejamento do ano devemos sentar todos juntos – o pessoal de evangelismo e o pessoal de ação social e traçamos ações que são integralizadas e que fazem pessoas irem até a Jesus e se amadurecerem na fé e em sua doutrina.
Qual a relação entre evangelização e missões? São a mesma coisa?
Não. Apesar de muitas acharem que são sinônimos.
Hoje os missiólogos já nos esclareceram sobre os limites de cada um.
A palavra Missões, no seu sentido bíblico, é a tarefa dada por Deus à igreja para a pregação do Evangelho a todos os povos, visando buscar e salvar as pessoas perdidas sob o domínio do pecado (Ez 34:11-16; Lc 19:10) . Essa tarefa é colocada em prática por meio da Evangelização, que é anunciar a mensagem divina a todas as pessoas, independente de raça, sexo, nível cultural, condição social etc., fazendo-as crer que Jesus Cristo é eterno e suficiente Salvador, inserindo-as na igreja local.
Tornando a diferença mais clara: a igreja para fazer missões deve realizar a evangelização.
Note que o conceito não é mais em relação à distância e sim a tarefa. Sendo assim, uma igreja pode fazer missões em sua própria comunidade, o que se chama hoje de missões urbanas. Fará isso através da evangelização.
Como uma igreja deve evangelizar?
Alguns pontos muito importantes que merecem nossa atenção para criarmos estratégias e ações para a nossa evangelização:
1. A maioria das pessoas vem a Cristo como resultado de um processo. Para alguns o processo pode ser de curta duração, para outros é um longo período. Vejamos o caso do apóstolo Paulo que teve sua conversão à caminho de Damasco. Ele ouviu o evangelho dezoito meses antes dos lábios de Estevão, e durante estes meses essa verdade estava convencendo-o mas ele estava “protestando contra Deus”(Atos 26:14). John Finei publicou os resultados de sua pesquisa de como as pessoas vieram para a fé em Jesus Cristo em seu livro “Encontrando Fé hoje”, Ele diz que para muitas pessoas, o processo que eventualmente teve resultado neles vem de um ato de fé somente finalizado após alguns anos.
Por isso temos que entender que o evangelismo bíblico é um semear, aguar e colher. A força das parábolas de Jesus é que o Reino de Deus é um modo de crescimento (Mc 4:26-29).
Se assim compreendermos temos que levar a sério o desenvolvimento de uma estratégia efetiva para o evangelismo em nossa igreja. Nós precisamos procurar nossos campos de colheitas e equipar algumas pessoas para irem onde eles estão e fazer a colheita. Temos também que alcançar pessoas que já possuem a semente do evangelho plantadas em suas vidas, alimentando-as, e olhando para elas e ajudando-as a entenderem mais claramente o crer em Jesus de modo que cheguem ao ponto da fé pessoal.
2. As linhas da preocupação: Veja o esquema.
Pessoas xxx
Colegas
Colegas do trabalho
Vizinhos
Amigos mais pertos
Parentes
Família
Eu
Deus pretende que o nosso evangelismo inicial comece com as pessoas com quem nós já temos um relacionamento. O apóstolo Paulo começou seu trabalho na sinagoga pois já se relacionava com aquelas pessoas que frequentavam o local.
Assim nosso primeiro desafio como igreja é termos estratégias que levem cada membro a começar a falar de Jesus a partir de sua família alcançando raios cada vez maiores conforme acima apresentado; a estabelecer relacionamentos cada vez mais crescentes, a abrir as portas de sua casa, a cultivar interesses comuns com seus vizinhos e amigos (desde que não sejam contrários a vontade de Deus), a serem criativos.
3. Entendermos que todos salvos são testemunhas de Jesus Cristo – Testemunha é alguém que teve uma experiência em primeira mão ou um encontro com uma pessoa ou evento ou uma mensagem. Em Lucas 24:47-48 os discípulos foram chamados para serem testemunhas. Em Atos 1:8 Jesus faz uma declaração de que quando o Espírito Santo viesse sobre os discípulos eles seriam testemunhas.
Onde quero chegar é que não sou chamado para dar um testemunho, mas se sou verdadeiramente cristão já sou uma testemunha querendo ou não, boa ou ruim do evangelho de Jesus.
Uma igreja através do ministério de evangelização deve trabalhar para que os membros da igreja sejam boas testemunhas para que entendam que são testemunhas, e que a responsabilidade de pregar o evangelho não está sobre os ombros dos pastores, evangelistas e missionários apenas. Por isso cabe à evangelização o cuidado das testemunhas. Cabe esclarecer que todos nós devemos demonstrar os sinais do Reino e os principais sinais são o amor e a prontidão para servir pessoas mesmo que isto custe algo para nós mesmos, no nome de Jesus Cristo.
Foi porque os primeiros cristãos eram verdadeiras testemunhas que viram tão maravilhosa frutificação em seu trabalho de evangelismo.
John Stott disse: “O evangelho deve ser visível tão quando audível se é para ser crédulo.”
4. Através de estratégias bem definidas – O mundo mudou e nós precisamos ser criativos na maneira como realizamos o evangelismo. Creio que podemos fazer tudo o que se fazia no passado, mas de uma outra forma. Hoje temos mais instrumentos do que no passado. Que bênção!

Não evangelizamos para a igreja crescer, isso seria contrário a Palavra de Deus. Evangelizamos porque o Senhor nos fez para isso.
Mas a consequência de nossa evangelização é o crescimento da igreja.

NOSSA ADORAÇÃO

Publicado: 1 de abril de 2012 em Teologia prática
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A adoração é o coração e a vida de uma igreja que realmente é bíblica.
Na adoração nós celebramos como igreja a graça do Deus da criação e da salvação e nos comprometemos a viver em resposta a esta graça. Adoramos ao Senhor por aquilo que ele é. Sua graça reflete todos os seus atributos. Em Ap 4 e 5 há um quadro belíssimo de adoradores primeiro adorando ao Senhor por sua criação e depois por sua obra redentora. Esta visão de João na ilha de Patmos serve de modelo para a nossa adoração aqui na terra. Nossas vozes e ações devem fazer ecoar: “Santo, Santo, Santo.”(4:8); “O Senhor é digno”(4:11); “Digno é o cordeiro”(5:12); “O Senhor é digno de receber a glória, a honra e o poder, porque por tu criastes todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”(4:11). O sacrifício de Cristo: “E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua e povo, e nação” (5:9)
Adoração e Ações
A Adoração sempre envolve ações. Não meramente palavras. Estas ações podem se dar por um cantor ou por uma pessoa que cuida dos carros no estacionamento do templo da igreja. Não adoramos somente quando estamos louvando ao Senhor ou quando estamos envolvidos no processo da liturgia (serviço) de um culto, mas quando o que fazemos é um culto ao Senhor em qualquer âmbito de nossas vidas.
A adoração não é apenas um evento que podemos participar, como um concerto. Deus quer que seja um estilo de vida, em que possamos estar sempre conectados com ele.
Além dos cultos semanais de nossa igreja, podemos continuar adorando a Deus em todos os momentos e em todas as situações.
Por isso é preciso pararmos de pensar na adoração como apenas um evento onde participamos de forma passiva e começarmos a pensar na adoração como um processo contínuo em que ativamente estamos numa relação mais próxima com Deus e expressando o seu amor por ele.
Quando não estamos na igreja, usamos as disciplinas espirituais (como a oração e a leitura da Bíblia, meditação e estudo) para nos ajudar a adorar a Deus. Além disso, usamos o nosso relacionamento com outras pessoas para adorar a Deus por compartilhar nossa fé com elas e guia-las nos caminhos de Deus ajudando-as em suas necessidades.
Também quando estamos enfrentando circunstâncias difíceis podemos ir a Deus, pedindo em oração sua ajuda e expressando nossa confiança em seu cuidado. Toda vez que colocamos nossa fé em ação para expressar nosso amor por Deus, estamos adorando-o.
Razões para uma Adoração correta
Há várias visões na mente dos membros de uma igreja em relação a adoração. São elas:
1. Alguns veem à adoração como um êxtase emocional e espiritual;
2. Alguns veem à adoração como uma experiência de ensino;
3. Alguns veem à adoração como um ato de preservar a fé;
4. Alguns veem à adoração como um meio para atrair “clientes da fé”;
5. Alguns veem à adoração como um ato isolado na vida.
Mas nenhuma das visões acima reflete biblicamente a visão correta para a adoração como igreja. A visão correta tem a ver com a absoluta certeza de que a adoração é uma experiência de diálogo. Sempre acontece na iniciativa e convite de Deus. Deus fala ao seu povo através da graça, bondade e instrução. Nós falamos com ele através das palavras e atos de confissão, louvor, elogio, compromisso e oração.
Juntos nós celebramos o trabalho redentor de Jesus Cristo.
Em Isaías 6:1-8, Deus se aproxima do profeta em revelação de seus atributos e como portador de uma vocação divina e o profeta responde em confissão, submissão e rogo. O mesmo ocorre no verdadeiro culto. Deus nos fala através da leitura bíblica, do sermão e dos hinos que cantamos. Também respondemos por intermédio de hinos e de outras palavras que nos tem sido designadas, em louvor, gratidão, confissão, dedicação, petição e intercessão.
Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo do século XIX, se refere à adoração como um drama no qual os membros da congregação são os atores e Deus é o ouvinte.
Pregadores e coros são o “ponto” ainda que pareçam “dominar a cena”. João Calvino, teólogo do século XVI, dizia que a congregação é o primeiro coro da igreja.
A idéia de adoração como conversação com Deus deve conduzir a uma cuidadosa seleção da música eclesiástica. O diálogo da adoração deve ser completo: deve dar um panorama completo da auto revelação de Deus e prover a oportunidade de gerar uma resposta completa por parte do ser humano tanto em símbolos cognitivos (palavras) como em formas criativas (música e outras artes).
A visão correta tem a ver com Deus e não com o que queremos.
Adorar é tudo sobre Deus e não sobre nós. Então, ao invés de perguntamos o que podemos lucrar com o culto, devemos perguntar o que podemos dar a Deus através da adoração. Ao invés de preocupar-nos se a adoração atende ou não às nossas expectativas (de música emocionante, sentimentos calorosos e etc.), devemos focar em trazer a honra e glória a Deus através da nossa adoração. Se nos aproximamos em culto pedindo a Deus para que ele nos dê uma experiência de adoração, não ficaremos satisfeitos, mas se aproximarmos no culto à procura de oportunidades de encontrarmos a Deus e louvá-Lo, seremos abençoados.
A visão correta tem a ver com a certeza de que adoração não se faz apenas em um dia da semana, mas é um estilo de vida.
Adoração não deve ser apenas uma parte de nossa vida, mas permear toda a nossa vida. Deus espera que, quando adoramos, possamos oferecer toda a nossa vida a Ele e procurarmos encontrar e fazer a sua vontade para cada decisão que venhamos a tomar.
A única maneira de encontrar a paz real e duradoura e cumprir o nosso potencial como pessoa é infundir o culto em cada parte de nossa vida (não apenas a parte de nossa vida que envolve ir à igreja).
As pessoas podem adorar a sua carreira, casamento, filhos, a busca de dinheiro ou prazer, ou qualquer coisa ou qualquer pessoa e como resultado no final, serão parecidos com aquilo que adoram. Se giramos ao redor de Deus, nos tornaremos mais maduros espiritualmente. Assim, nossas vidas apontarão para a meta da verdadeira adoração: colocar Deus em sua devida posição como o ponto focal de nossas vidas.
Apaixonar-se por Deus e dedicar-se completamente a Ele, girando tudo em nossas vidas em torno do relacionamento com ele é o segredo de uma verdadeira adoração.
Jesus mesmo disse: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João 4: 23).
Análise do Salmo 95:1-7ª e o culto público como igreja
“Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Aclamemos a Rocha da nossa salvação.
Vamos à presença dele com ações de graças; vamos aclamá-lo com cânticos de louvor.
Pois o Senhor é o grande Deus, o grande Rei acima de todos os deuses.
Nas suas mãos estão as profundezas da terra, os cumes dos montes lhe pertencem.
Dele também é o mar, pois ele o fez; as suas mãos formaram a terra seca.
Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador;
pois ele é o nosso Deus, e nós somos o povo do seu pastoreio, o rebanho que ele conduz. “.
Este Salmo nos dá os contornos para a nossa adoração coletiva.
1. Temos ir ao Senhor com alegria – nossa adoração deve ser recheada com ações de graças por tão grande salvação. Podemos chegar na casa de Deus tristes, conturbados de alma, mas quando começamos a adorar ao Senhor esta adoração deve expressar que, apesar de nossas lutas, somos gratos a ele por ser o que Ele é. A alegria que expressamos não é pelo que estamos vivendo, mas pelo fato do Senhor ser o criador e está acima de todos os deuses;

2. Devemos louvar o seu nome – Entre várias maneiras de se louvar ao Senhor a música faz parte de nossa adoração – quem não gosta de cantar tem um sério problema em sua adoração. Louvor significa cântico de reconhecimento. Este cântico pode ser em forma de: salmos, hinos e cânticos espirituais (Sal. 96:1-4; 147:1; Ef. 5.19-20; Cl. 3:16-17). Os instrumentos também compõem o louvor. Neste particular o AT menciona instrumentos variados, de sopro como chifre de carneiro e trombetas (I Cr. 15:28; Sl 150:3), flauta (I Sm. 10:5; Sl.150:4); instrumento de cordas como harpa e lira ( I Cr. 13:8; Sl. 149:3; 150:3), e instrumentos de percussão, como tamboris e címbalos (Êx. 15.20; Sl. 150:4,5). Também a dança faz parte do louvor. Mirian dançou em adoração (Êxodo 15:20,21); Davi dançou diante de Deus (II Samuel 6:14-16); A Bíblia relata que as mulheres cantavam e dançavam por ocasião de vitórias militares (I Samuel 18:6; 21:11; 29:5; Juízes 11:34); Salmos 149:3 e 150:4 mandam louvar ao Senhor com danças.

3. Ter Humildade – Em nossa adoração precisamos ter uma postura de humildade porque ele é o nosso pastor e nós somos seu rebanho; não há lugar para soberba na vida de um adorador. Às vezes precisamos realmente
nos ajoelhar e nos prostrar diante dele em ato de culto para que nestas atitudes possamos deixar bem claro a nós mesmos que somos pó e que somos feitura dele.

4. Oferta – Adorar é ofertar a quem é o legítimo doador de todas as coisas. A esse Deus benevolente deve se oferecer o melhor sacrifício de louvor (veja Hebreus 13:15-16), sem esquivar-se ao valor (veja II Samuel 24:20-24). Porque a adoração é um doar e um doar-se a Deus. Haverá bênçãos e satisfações, mas serão frutos benéficos dessa piedosa e transformadora doação humana. “Adoração é, no final das contas, submissão a Deus.”
Algo importante na adoração
Nossa adoração precisa ser contextualizada com a língua, cultura porque ela é um diálogo e cada geração possui um estilo de “fala” e “expressão” que faz dela única e trás mudanças em termos de comunicação. É importante afirmar que Deus se manifesta em nossa história e é exatamente através dela e nela que falamos e nos relacionamos com ele. Agora nenhuma contextualização pode colocar em risco o testemunho da igreja e a própria essência da adoração.
Na prática como igreja devemos:

1. Entender que adoração é mais do que louvor. Então o que precisamos é de um ministério que envolva não só a música como sinônimo de adoração, mas de um real ministério de adoração que se preocupe com a vida de cada membro objetivando ajuda-lo a ser um verdadeiro adorador em sua vida e em comunidade de fé;

2. Devemos cuidar dos nossos cultos para que eles reflitam a glória de Deus e não a nossa. Não há lugar para exibicionismo, estrelismo e determinação do que achamos ou não. Há lugar para a grande e central pergunta: “O que Deus deseja que venhamos a fazer no culto que prestaremos a ele?”;

3. Nas ordens dos cultos está presente o diálogo que é o elemento essencial para a adoração. Termos bem claro a hora em que falamos sobre Deus, falamos para Deus e quando Ele nos fala e nós o respondemos com o desejo de reafirmamos nossa fé em sua Palavra;

4. Todos os membros da igreja devem ter a certeza de que o seu serviço cristão seja no templo ou no dia-a-dia é aceito como forma de adoração desde que obedecidas às visões corretas já comentadas neste estudo;

5. O Ministério de Adoração da igreja deve prover instrumentos que visem a espiritualidade da igreja e, principalmente, daqueles que conduzem os momentos de adoração pública;

6. Repudiar qualquer ação que não seja fruto de adoração na igreja;

7. Devemos orientar todos os membros da igreja a serem adoradores e mantermos vigilantes no sentido de cuidarmos para que em nosso meio quem conduz a adoração pública seja realmente um adorador;

8. Devemos crer que a adoração é a submissão de todo nosso ser a Deus. É tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é a abertura do coração a seu amor; é a rendição da vontade a seus propósitos. E tudo isto se traduz em louvor, a mais íntima emoção, o melhor remédio para o egoísmo que é o pecado original.

9. Devemos proporcionar caminhos para as diversas formas que compõe a adoração de uma igreja em seu culto público, sem criarmos barreiras porque não gostamos de algo. A decisão do que pode ou não pertencer a liturgia de nossa igreja sempre será definida pela Palavra de Deus e pela decisão da igreja como um todo e ponto final.
10. Devemos honrar aqueles que conduzem a nossa adoração pública e dar o suporte para capacitação, incentivo para continuarem se aperfeiçoando e espaço de atuação deixando claro que o único elemento inibidor da atuação será a conclusão de que quem está conduzindo não é um adorador.

11. Ter os seguintes valores inegociáveis:
a) Dependência de Deus
b) Aprofundamento da vida espiritual
c) Aprofundamento técnico para expressar melhor a perfeição de Deus que deve ser o alvo do adorador
d) Relacionamento do Corpo de Cristo
e) Servir uns aos outros
f) Expansão do Reino
g) Cooperatividade com outros ministérios
h) Ministério Bíblico-Contextual

Conclusão
Muitos afirmam que a razão de ser da igreja é a evangelização. Isto está errado. A razão de uma igreja é a adoração, conf. Ef. 1:12.
Mas quando uma igreja adora verdadeiramente a Deus, a pessoa de Deus é glorificada e pessoas são atraídas a ele e salvas por seu filho Jesus Cristo.
Sendo assim, a verdadeira adoração é o maior instrumento para a evangelização. Às vezes, queremos que a igreja evangelize, cresça e culpamos os métodos que poderiam ser usados e não se usam, as pessoas e suas lideranças, mas a bem da verdade precisamos refletir se uma igreja que realmente não dá frutos de almas aos pés de Jesus o problema não está em sua adoração tanto através de seus membros em suas casas e vida como quando eles se reúnem em culto público.
Meu desejo é que possamos ter verdadeiros adoradores. Isto não acontece de um dia para o outro. É um trabalho árduo que começa na vida de cada membro de nossa igreja chegando à responsabilidade pastoral de conduzir o rebanho ao trono de Deus.
Cresçamos na adoração.


Uma reflexão sobre como pastores
podem ser agentes de milagres na história da ordenação pastoral feminina dos
batistas brasileiros.

II Reis 4:1 – Ora uma dentre as mulheres dos filhos dos profetas clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. Agora acaba de chegar o credor para levar-me os meus dois filhos para serem escravos.
II Reis 4:2 – Perguntou-lhe Eliseu: Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
II Reis 4:3 – Disse-lhe ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas.
II Reis 4:4 – Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos; deita azeite em todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.
II Reis 4:5 – Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.
II Reis 4:6 – Cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Chega-me ainda uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. Então o azeite parou.
II Reis 4:7 – Veio ela, pois, e o fez saber ao homem de Deus. Disse-lhe ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.

A história é simples.  Dois filhos de uma viúva serão vendidos como escravos para pagar as dívidas dela. A mulher suplica que Eliseu a ajude. Ele a ouve e fala o que Deus deseja que ela faça.

Ela ouve e faz o que o profeta diz. Deus a abençoa por confiar em Sua palavra e multiplica o azeite que ela tem. Ela vende o azeite, paga suas contas e seus filhos não são vendidos como escravos.

As lições são diversas.

Quero apenas refletir neste artigo a respeito do procedimento de Eliseu mediante a crise vivenciada por esta mulher e sua família,  traçando uma ponte hermenêutica para a situação em que se encontram as pastoras não reconhecidas pela OPBB.

Ele começou um diálogo que geraria um milagre.

Eliseu nos mostra que diante de uma causa, de uma aflição, de uma situação limite o que se deve fazer é criar um espaço de diálogo expressado através de perguntas, no caso dele, “Que te hei de fazer?”

Tenho percebido nesta jornada da ordenação feminina batista brasileira que um grupo expressivo de pastores, alguns até bem intencionados, querem dar respostas às irmãs que desejam ser pastoras sem ouvi-las, sem conversarem, buscando elementos para subsidiarem soluções em suas causas. A própria instituição OPBB  é hermeticamente fechada a qualquer tipo de diálogo. Este procedimento traz pelo menos dois grandes riscos.

O primeiro deles é os pastores acharem que possuem todas as respostas e que podem sozinhos resolver todas as questões; o segundo é as pastoras, não podendo dialogar dos pastores, caminharem sozinhas buscando outros opções que não sejam junto aos “homens de Deus”,  o que seria uma perda irreparável.

Na verdade, o caminho sempre deve começar com o diálogo. Etimologicamente diálogo é a discussão ou troca de idéias, conceitos, opiniões objetivando a solução de problemas e a harmonia. Na prática, a importância do diálogo está no fato de estabelecer relacionamentos não hierárquicos, mas no mesmo nível de igualdade ainda que cada um tenha expressões singulares em suas ações ministeriais.

Elas precisam do diálogo com os pastores. Elas precisam falar não ao ar, mas com pessoas que possuem a mesma vocação, dores e alegria. Falar do que possuem, pouco ou nada, mas precisam verbalizar para que se sintam parte do processo e, ao mesmo tempo, precisam ser ouvidas pelos pastores que possuem maior experiência nos caminhos da ordenação sacerdotal, pastoral.

Voltando a história, o diálogo não foi estéril, mas gerou atitude da parte do profeta.

Ele, percebendo toda a situação a partir da própria visão da mulher, vai agora apontar um caminho.

Interessante que é um caminho solidário, comunitário e não de percurso solitário. Ela precisa ir a cada uma de suas vizinhas e contar com a ajuda delas.

A solução se dá novamente por diálogo, ajuda mútua e a comunidade. As vasilhas são doadas, o azeite é colocado, é vendido e o que estava em desordem entrou em ordem. O milagre aconteceu.

Quando há diálogo há a possibilidade do milagre.

Os pastores de hoje podem ser como um Eliseu nas vidas das pastoras.

Pastores que acreditam na causa defendida por elas; pastores que facilitem o caminho de mulheres vocacionadas ao ministério pastoral e encaminhem a consagração delas;  pastores que também contem com a ajuda de pastoras em seus ministérios; pastores que percebem filhas, parentes e mulheres vocacionadas em suas igrejas e as incentivem na formação e ministério; pastores mestres que, atuando em seminários e faculdades teológicas,  detectam na vida de se suas alunas a expressão da vocação pastoral e as respeitem; pastores escritores e teólogos que exercem uma hermenêutica não fundamentalista, mas bíblica contemporânea e não tenham receio de se expor apoiando o ministério pastoral feminino;  e,  por que não dizer, a liderança da OPBB,  já que a instituição tem pastoras em seus quadros, abrindo um caminho de diálogo com elas e não tratando-as com desprezo como tem acontecido na maioria das vezes até aqui.

Creio que se pastoras e pastores dialogarem em todos os níveis eclesiásticos novos rumos serão tomados e, com certeza, o final da história será melhor do que o início  e a obra de Deus entre o seu povo será glorificada.


Texto Bíblico: Gênesis 12: 1
“ORA, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”.

A ordem de Deus a Abrão foi clara: “Sai da tua terra e vá para outra terra que eu te mostrarei.”

É interessante que Deus convidou um homem essencialmente urbano para fazer a sua vontade quanto a formação do seu povo. Não sei se todos tem essa consciência.

Mas Abrão cresceu em UR dos Caldeus… provavelmente, de acordo com pesquisadores, ele deveria ter morado em uma das casas aristocráticas de dois andares. Devia ter passeado junto aos muros do grande templo e pelas ruas, e, levantando a vista, seu olhar devia ter encontrado a gigantesca torre escalonada com seus cubos pretos, vermelhos e azuis circundados de árvores. Ele foi cidadão de uma grande cidade e herdou a tradição de uma civilização antiga e altamente organizada. As próprias casas denunciavam conforto, até mesmo luxo. Encontramos cópias de hinos relativos aos cultos do templo e, juntamente com eles, tabelas matemáticas. Nessas tabelas havia, ao lado de simples problemas de adição, fórmulas para a extração das raízes quadrada e cúbica. Em outros textos, os escribas haviam copiado as inscrições dos edifícios da cidade e compilado até uma resumida história do templo.

Portanto, Abraão não era um simples nômade: era filho de uma metrópole do segundo milênio antes de Cristo.
Abrão vai para Canaã, a antiga denominação da região correspondente à área do atual Estado de Israel (inclusive as Colinas de Golã), da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, de parte da Jordânia (uma faixa na margem oriental do Rio Jordão), do Líbano e de parte da Síria (uma faixa junto ao Mar Mediterrâneo, na parte sul do litoral da Síria) conf. (Números 34:1-15 e Deuteronômio 3:8).

Portanto, é mandado para uma região de várias cidade.

Tudo isto nos faz pensar que a cidade está no coração de Deus e por isso ele chama a sua igreja, para que uma vez tendo a “cultura urbana” possa transitar entre cidades levando o evangelho que transforma qualquer estrutura social porque transforma o indíviudo em sua essencia.

As Igrejas de nossas cidades precisam entender que são urbanas. Elas são os Abraãos contemporâneos. Isto significa dizer que elas precisam mover-se para as cidades.

A missão da igreja deve ser realizada nas cidades.
1 – As cidades são o lugar onde as Igrejas podem alcançar a próxima geração (jovens adultos querem viver na cidade);
2 – As cidades atingem mais pessoas inacessíveis (as pessoas são muito mais abertas ao Evangelho na cidade cosmopolita do que em sua cidade natal);
3 – As cidades alcançam as pessoas que têm um grande impacto no mundo (empresários, artistas, políticos);
4 – As cidades atingem os pobres (cerca de um terço dos moradores da cidade vivem em favelas).
5 – “Os seres humanos, de acordo com Gênesis 1, são feitos à imagem de Deus e refletem a glória de Deus mais do que qualquer outra coisa na criação,”

Nas cidades, temos mais imagem de Deus por centímetro quadrado do que em qualquer outro lugar do mundo.
As igrejas urbanas entendem que precisam amar o que Deus ama e por isso amam a cidade.

Temos que ver a cidade não apenas do ponto de vista sociológico, mas principalmente pelo ponto de vista teológico – Deus quer restaurar a sua cidade, tornando-a cidade fiel.
Quais os desafios de uma igreja urbana?

1 – Igrejas urbanas precisam ser contextualizadas, a fim de serem eficazes. Uma Igreja urbana é diferente de uma Igreja na zona rural. Ela deve insistir em sua contextualização.
Uma Igreja urbana, que tem pessoas de muitas culturas, subculturas, tribos deve ser extremamente paciente quanto às acusações de insensibilidade cultural e deve esperar ser acusada disso. Pastores de Igrejas urbanas devem aceitar que eles nunca poderão resolver queixas de insensibilidade cultural, mas que eles podem aprender com as críticas.

2 – Igrejas urbanas precisam mostrar às pessoas como sua fé se relaciona com seu trabalho porque os empregos são uma parte muito maior da vida de moradores urbanos.
Temos que ajudar as pessoas a aplicarem a sua fé no seu trabalho.

3 – Igrejas urbanas precisam esperar desorganização e mudanças; serem intensamente evangelísticas, mas ao mesmo tempo, famosas por sua preocupação com a justiça, serem comprometidas com as artes, e cooperarem com outras denominações e fé.

4 – Igrejas urbanas precisam agir com gestos e ações específicas
a. Fome, a ausência de alimento suficiente, ou a falta de uma boa alimentação, ainda é uma realidade para a população urbana pobre. Mas o memorial do culto cristão é a ceia da comunhão: as pessoas se reúnem para ser alimentadas à mesa do Senhor. Os cristãos partem o pão e bebem o vinho juntos, simbolicamente proclamando que a igreja é uma comunidade onde os alimentos, celestiais e terrenos, estão disponíveis. Uma comunidade que chama seu Senhor, o pão da vida e cria uma refeição simbólica, a Ceia, que, naturalmente, transborda para outros ministérios de alimentação, tais como cozinhas e cantinas e doações de alimentos. Com e através da Ceia e o alimentar, a igreja urbana deve proclamar o evangelho que sacia os famintos que estão fora;

b. A cidade é caracterizada por más instalações educacionais. Um grande entrave para a reforma da base econômica da cidade é a falta de vontade de quem pode pagar para fazer o contrário de submeter seus filhos à insuficiência de escolas urbanas. Contudo, no meio da cidade está uma igreja que é o descendente da sinagoga judaica, que era principalmente um centro de ensino. A igreja capacita o seu povo e traz para a vida da tradição cristã, permitindo que o nosso património se tornar uma força no nosso presente. Aqui as questões morais da vida podem ser explorada. Na igreja dos valores étnicos dos diversos povos podem ser comemorados, suas línguas e culturas diferentes, enriquecendo o outro. É vital para a igreja urbana levar a sério sua função de ensino como uma comunidade cristã, consciente si mesmo. Aulas de Bíblia, sermões eficazes, grupos de estudo, conferências de fim de semana, mesmo retiros precisam ser uma parte da crescente consciência de Deus das congregações da cidade. O Deus que se opunham à guetização dos escravos israelitas do Egito é o mesmo Deus que é adorado nas igrejas da cidade. O Deus que falou através dos profetas para acabar com a opressão humana ainda é o Deus de toda a igreja. A história bíblica continua na vida existencial dos moradores da cidade;

c. A vida urbana não é bonita. A coleta de lixo é geralmente pobre. Lixo nas ruas. Muitas casas estão em más condições. Muitas pessoas da cidade são tão deprimidas que elas deliberadamente preenchem suas vidas com a feiura, como um comentário inconsciente na forma como elas se sentem valorizadas por outros.  Por isso, é especialmente importante que as igrejas da cidade sejam locais de beleza.  Suas ordens de cultos, liturgias devem ser sensíveis e magníficas.  O dinheiro gasto para embelezar os templos urbanos não deve ser considerado desperdiçado, porque a beleza é um dom que cobiçam os pobres.  As igrejas precisam  testemunhar o poder da beleza e do sentido de cuidar do ambiente de maneira limpa. Uma Igreja Urbana precisa brilhar como centros de beleza, como símbolos de esperança, como sinais do Reino.  Eles precisam estar vivendo parábolas do cuidado de Deus;

d. A cidade tem cada vez mais se tornado um lugar de violência. Crimes contra pessoas e bens faz temer o morador da cidade. A vida se restringe quando as pessoas devem procurar a segurança acima de realização. Mas no meio da cidade está uma igreja – uma igreja que é, em si, às vezes vítima de violência e cuja principal símbolo é uma cruz. A história da cruz se desdobra, nela se encontra um amor divino que supera o ódio, e um Senhor vivo que transforma a morte. Somente na igreja que o morador da cidade ver o símbolo da violência redimida, o desespero da morte derrotada. Por todas estas razões, a presença simbólica da igreja da cidade é necessária à causa de Cristo – e, desde que necessário, merece o apoio e o investimento de, tempo e talento de todos os tesouros do povo de Deus;

e. Na cidade, onde encontrar moradia adequada e segura é uma preocupação constante, é como uma casa – uma casa de Deus – que a igreja realiza o seu testemunho. Ela precisa ser o que a moradia significa para as pessoas: um refúgio, um abrigo, uma arca para levar-nos através da tempestade. Embora a igreja não tenha nem o poder nem os recursos para resolver problemas de habitação urbana, pode ser uma casa acolhedora para os sem-teto, uma casa para aqueles que foram traumatizados, um refúgio para aqueles que estão perdidos. Pode ser a casa do último recurso, quando as estruturas habitacionais falharem, a casa de Deus para aqueles que procuram deve ser um lar abençoado;

Nós somos a igreja do Senhor encarnado que amou tanto o mundo que nasceu em nossa vida humana, sua presença virou um estábulo comum em um santuário de majestade. Sua vida transformou uma cruz de execução em um símbolo da ressurreição. Porque nós servimos a este Senhor, a igreja cristã é uma presença simbólica que pode transformar o desespero da cidade em esperança, a feiura da cidade, em beleza, o poder destrutivo da cidade, em redenção. Na igreja os sem-teto devem encontrar abrigo, aqueles de diversas origens, devem ser-lhes dados uma comunidade e os famintos podem se reunirem em torno do altar para serem alimentados com o pão e o vinho da Ceia do Senhor Jesus Cristo.

A igreja é uma presença, um posto avançado do Reino de Deus, uma luz na escuridão que as trevas jamais poderão extinguir ou subjugar.

Nossa vocação é sermos nós mesmos. Algum dia mais cristãos dos subúrbios, das cidades reconhecerão que este testemunho é profundamente importante para eles. Então, talvez, toda a igreja irá colocar os seus recursos onde a necessidade está, não porque somos generosos, mas porque a nossa integridade como povo de Deus exige.

A igreja será verdadeiramente urbana.

O COMPROMISSO E O LÍDER

Publicado: 15 de novembro de 2010 em Teologia prática

É preciso ter compromisso. Se no mundo secular é cobrado do líder compromisso em sua liderança muito mais na causa do mestre Jesus. É impossível servi-lo descompromissado.

Compromisso é aliança. É uma prontidão de ‘estar com’, de um pacto, um acordo entre partes que não pode ser quebrado sobre qualquer circunstância, que gere bênçãos em seu cumprimento e maldição em sua quebra.

Jesus disse muitas coisas a respeito de compromisso e creio que muitos líderes estão precisando ouvi-las ou tomarem tenência em suas vidas e coloca-las em prática saindo da zona de conforto que os levam a não se comprometerem com nada, não pagarem o preço necessário por
aqueles que estão na seara, buscando somente o reconhecimento, recompensas e muitos outros privilégios próprios de pessoas que assim procedem.

Quero levar você a pensar em quais os compromissos que Deus espera que venhamos a cumprir como seus líderes para que possamos realmente assumi-los e estarmos sob sua bênção, unção e exercermos autoridade entre muitos.

1 – O compromisso com o Senhor

Tudo começa aqui. Na aliança que tenho com o Senhor de minha vida e de minha liderança.

Um dos grandes erros que tenho percebido em vários líderes é que seus compromissos com seus liderados superam aos com o Senhor e por isso ficam no meio do caminho e nas dificuldades largam tudo fracassando.

Nossa aliança é com o senhor de nossa vocação em primeiro lugar.  Como Davi disse:  “contudo estabeleceu comigo um concerto eterno…Pois toda a minha salvação e todo o meu prazer estão nele” 2 Sm.23:5.

Somente quando temos absoluta certeza de nosso pacto com o nosso Senhor e o assumimos sem qualquer restrição podemos seguir em
vitória.

Esta aliança em nossa liderança deve começar no momento de nossa vocação ao ministério quando fomos chamados pelo Espírito Santo a realizar no Reino e na igreja de Jesus.

Ainda me lembro do dia em que isso aconteceu comigo. Estava trabalhando. Na época trabalhava em uma empresa que vendia tintas de parede e automotivas. Tinha 18 anos. Meu maior sonho era ser médico, mas as coisas não caminharam nesta direção com pensava. Estava sentado em um galão de tinta mais ou menos às 15h bem triste pela minha situação naquele momento e o Espírito Santo me visitou. Que presença maravilhosa e me trouxe uma notícia: Deus queria fazer uma nova aliança comigo. Não uma aliança que fiz aos nove anos quando aceitei a Jesus como Senhor e salvador de minha vida, mas um pacto para servi-lo por toda a minha vida. Uma aliança para o pastorado. Foi quase uma teofania. E disse naquele momento: Eis-me aqui, Senhor, cumpra-se em mim o teu querer. Fiz de todo o meu coração e entendimento. Quem pode resistir ao chamado de Deus? Aprendi com minha mãe e meus pastores a responder a Deus quando ele falava e assim fiz.

De lá para cá muitos foram os momentos que quis desistir do ministério pastoral, principalmente quando há Sambalates, Tobias, Simeis pelo caminho, mas quando penso nisto o Espírito Santo me traz a mente aquele dia, aquela experiência, as minhas palavras de acordo, o meu pacto, a minha aliança e encontro aí minha seguridade, fé, forças para ir adiante e tenho até hoje ido.

Talvez você esteja querendo desistir de tudo ou vai querer isso, mas quando isso estiver por acontecer volte no tempo. Voltar ao passado às vezes é uma tragédia porque essa volta, se não tomarmos cuidado, tem o poder de nos prender muitas vezes a situações, traumas e etc., mas neste caso é libertador, pois você se lembrará do dia em que o Senhor falou com você e isso servirá, com certeza, como instrumento divino para que você prossiga.

Agora você terá um grande problema se atualmente sua liderança é exercida porque as pessoas disseram que você seria um bom líder e não porque foi aliançado em Deus.

Tenho dito que há os que foram escolhidos e os que foram assoviados. Os escolhidos foram por Deus e os assoviados pelas pessoas ou por eles mesmos. Indo até um pouco longe acho até que alguns foram chamados por satanás para engano de suas próprias vidas e para atravancar o
Reino de Deus por suas atuações, mais isso é outro assunto.

O foco aqui é que precisamos recuperar sempre nosso compromisso com o Senhor. Não fomos chamados por homens, pelo menos é
isso que se espera, fomos convocados pelo Senhor e isso traz descanso as nossas almas, pois significa que em primeira e última instância estarmos em suas mãos e não da dos homens. Louvado seja o Senhor.

Também esta certeza precisa criar em nós lealdade ao Senhor. Tudo que fizermos deve ser para sua glória. Não podemos servir a dois ou mais senhores. O importante não é o que penso ou sinto, mas o que ele tem em seu coração.

Tudo em minha vida, em meus relacionamentos deve estar submisso a ele. Não há lugar para jogos, indiferença, ficar em cima do muro. A aliança com o Senhor nos coloca apenas de um lado e esse é o seu.

Tenho observado muitos líderes jogando em seus ministérios. Querem agradar aos amigos, as ovelhas e para isso deixam de serem fiéis aos ensinamentos do Senhor e a sua vontade.

Confesso que é muito difícil escolher a quem seguir. Fica ainda muito mais dificultoso quando o líder está longe de Deus, creio que é impossível. Por quê? Porque o povo sempre quer que façamos a sua vontade ainda que os discursos sejam: Queremos ouvir a voz de Deus. Somente um líder inexperiente será enganado com estas palavras em relação ao dia a dia das pessoas. Elas farão de tudo para persuadir você a ficar aliançado com elas, com suas famílias, com seus acertos e erros, com seus pecados. Vamos precisar tomar atitudes às vezes radicais que não gostaríamos de toma-las para o cumprimento de nossa missão. Essas vão trazer problemas, ações de rebeldia, sofrimento, lutas, choro, e infinitas consequencias. Mas fazer o que?

Desde cedo você precisará escolher como Josué escolheu a quem servir e espero que você escolha o que vale apena: a suprema vontade do pai, caso contrário apesar de toda a graça divina tenho pena de você. Você não irá muito longe. Com Deus a trancos e barrancos prosseguiremos
em vitória, essa é a boa notícia.

Sempre em sua liderança precisará reafirmar sua opção pela causa do Senhor dizendo não as coisas erradas porque destoam da Palavra de Deus, apontando as certas porque buscam o centro da vontade do pai. O que você pensa, o que você acha isso realmente não é importante. O essencial é o querer do Senhor para a sua vida, ministério e rebanho.

Certa vez ouvi: Fique firme em sua decisão, mais cedo ou mais tarde as pessoas saberão quem você é e viram para se aconselharem pela firmeza que encontram em sua vida. É verdade.  Num primeiro momento podem debochar, discordar, se rebelar por você não fazer o que querem, mas depois quando estiverem passando por lutas e tribulações o próprio Senhor as trará em suas mãos para trata-las por gente como você que tem uma aliança de andar em sua presença e sê perfeito.

Ao longo do meu ministério tenho levantado minha voz sobre a bebida na vida do crente. Tenho uma postura que acredito ser a de Deus. O crente precisa ser abstêmio quanto ao uso de bebidas alcóolicas devido a um estilo de vida e biblicamente defensável no dia a dia e por poder lesar de forma injustificada o corpo de Cristo ou ameaçar a nossa fé e a do próximo Enfrento muitos problemas com essa minha postura porque noivos, aniversariantes e casais querem que eu mude o meu posicionamento, mas até o presente momento continuo firme. Meu compromisso é com Deus e quando ele me disser que isso é permitido então farei. No entanto hoje nossa igreja pode trabalhar com alcóolicos devido a minha postura e tenho visto que as próprias famílias que são contra a minha postura estão se rendendo ao meu posicionamento porque já estão sentindo os problemas em suas casas advindos do uso de bebidas alcóolicas. Esse é apenas um dos meus compromissos com Deus.

O que quero deixar bem claro aqui é que não precisamos ter medo de dizer o que cremos e o que Deus nos dá como “palavra de ministério”. Não me importa “outras palavras de outros ministérios”. Ele me cobrará por aquilo que tenho em minhas mãos e não de outros.

A certeza fica. Ele nos honrará. Ninguém que faz a sua vontade sai perdendo.

2 – O Compromisso com o povo

Depois do compromisso com o Senhor você precisa ter um compromisso com o povo que você lidera. Uma postura não anula a outra. A ordem é que deve ser sempre preservada. Primeiro com Deus, depois com o outro.

Há lideres que não estão nem aí com os seus liderados por mais absurdo que isso possa parecer.

É mais fácil ter compromisso com papéis, com a administração de todo o ministério do que com a razão do nosso serviço: as pessoas.

Precisamos amar as pessoas que servimos. É possível servir alguém sem amarmos? Claro que sim. Podemos fazer isso por obrigação, por relatório, pelo hábito e por muitos outros motivos. Mas não será um serviço aprovado por Deus. Todo serviço feito sem amor não é ministério, é qualquer outra coisa, com qualquer outro nome.

Para amar é preciso conhecer. Conhecimento tem a ver com tempo. Com disposição de querer se voltar para o outro, de comprometer-se, de sentir o mundo do outro.

Certa vez fui a um aniversário de um grande líder de minha região. Um restaurante foi fechado para a realização de sua festa. Sentei-me em frente a ele, na mesa principal. Sua mulher estava presente. Havia muitos liderados presentes. A festa começou. Conversando com esse líder ele me dizia: Não sei por que fizeram este jantar em meu aniversário? eu não janto. Saí com o meu motorista particular do Shopping onde estava passeando para vir até aqui. Os líderes viam trazer-lhe os presentes, ele e nem sua mulher olhavam para os mesmos, pedindo ao seu assessor para coloca-los num canto, fazendo literalmente pouco caso desses. Confesso que fiquei chocado. Este líder tipifica um líder que realmente já perdeu o amor por suas ovelhas e que tem o poder como seu grande amigo e aliado. Não preciso dizer que com ele não quero amizade e se possível contato. Não vale apena jantar com alguém assim.

Interessante que apesar de amar minhas ovelhas com todo ardor nunca elas fecharam um restaurante para me oferecerem um jantar…. não faz mal continuo amando-as. Muitas desperdiçam o que é essencial no ministério: o amor. No final é só isso que sobrará.

O amor é o óleo que lubrificará todo o nosso serviço. Não poderemos continuar sem ele. É difícil? Claro que sim. Temos que lhe dar muitas vezes com o ódio em nosso ministério. Com mágoas advindas de abandono, de infidelidade, de falta de lealdade de pessoas que andam conosco diariamente e infinitamente mais coisas que nos levam a não querer mais amar.

É nestas horas que precisamos reafirmar nossa aliança com o povo. Eu vou amar você, custe o que custar, queira você ou não. Apesar de toda a rebeldia eu não desistirei de você. Meu compromisso é incondicional porque quero ser semelhante ao Senhor que mesmo diante de nossa infidelidade não abre mão do seu amor, de sua bondade e misericórdia que nos segue todos os dias de nossa vida.

Em meu ministério enfrentei um homem muito difícil que me recebia em sua casa sempre com dois cachorros muito bravos. Ele tinha tirado quatro pastores da igreja que pastoreava. Eu estava iniciando o meu ministério. Interessante quando somos mais jovens parece que temos mais disposição para amar as ovelhas, não é verdade? Quando tinha problemas com ele e, isso era quase sempre, ia em sua casa. Andava muito para chegar até lá e era recebido pelos cachorros. E me lembro de que ficava lá batendo palmas até ele ficar cansado do barulho dos cães e resolvesse me receber. Eu o amava. Meu coração era inclinado ao dele apesar de tudo. Ele era a minha ovelha. Eu não escolhi amá-lo, o Senhor nos escolheu para nos amarmos. Conversava com ele e depois ia embora. Nunca sabia se a conversa tinha resolvido o problema ou não. Era uma incógnita.  Mas fui o único pastor que saiu daquela igreja sem ser colocado para fora por ele. Pelo menos isso.

Eu sei que nem sempre os finais são felizes como o meu em relação ao irmão citado, mas creio que o amor sempre vence mesmo quando parece tudo dar errado. Desconfio que sem o  amor daria ainda mais errado.

Mesmo que você esteja ou receba afrontas, não desista amar o seu povo. Ore ao Senhor pedindo que ele lhe dê forças para amar, para ele fazer você superar suas mágoas através do perdão e continuar. Não podemos continuar sem o amor. Em nosso caso isso nos levará a morte necessário sempre trazermos a mente o que está em Atos 14.22 “’E necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus”. E o apóstolo Paulo disse: “Vocês sabem muito bem que fomos designados para isso”. (Tt.3.3)

Mas também compromisso com o povo tem a ver com o nosso trabalho diário. Não adianta só falar é preciso fazer. Estou ouvindo muitas vozes atualmente de líderes que dizem que o mais importante é ser do que fazer. Conheço líderes que só recebem, e possuem uma postura de “guru”, ficam sentados enquanto os liderados trabalham e trabalham. Devemos lembrar que Jesus trabalhou e muito por nós. Podemos questionar a forma de trabalho, mas nunca o fato de se devemos ou não trabalhar. Servir é o começo da ação de um líder e o final.

O tipo de serviço a ser realizado deve ser baseado no amor. Não em qualquer amor, mas no amor de Deus por nós.  O líder não deve ser preguiçoso. Uma vez fui visitar um missionário no campo e me surpreendi ao ver que ele levantava todos os dias às 10h, sendo que não dormia tarde, depois levava os filhos no colégio e pegava-os no final do período escolar, restava apenas duas ou três horas para o seu trabalho missionário. Conheço alguns obreiros assim. Não tem compromisso com o povo. Trabalham muito pouco e querem excelentes salários e muita honra. Graças a Deus conheço muito outros que servem até além de suas próprias forças o seu povo.

Na verdade aquele que lança a mão no arado deve colocar toda a sua vida a serviço do povo de Deus.  A questão não é de voluntário ou de tempo integral ou ainda parcial. A integralidade de tempo é a única saída possível para quem lidera o povo de Deus. A cada segundo deve se pensar, servir o povo por ser um compromisso tomado diante do senhor da causa.

Com isso não quero dizer que o líder não deve ter tempo para ele mesmo, sua família e outros interesses, mas que tudo isso deve ser colocado numa ordem de prioridade horizontal.

3 – O compromisso consigo mesmo

Certa vez ouvi uma frase que jamais esqueci: “Sem sanidade não há santidade”. Precisamos estar bem conosco mesmos porque o exercer da liderança apesar de ser abençoador é algo que traz um grande desgaste emocional, físico e espiritual. Muitos desejam permanecerem santos, mas devido ao desequilíbrio em suas vidas se tornam profanos, insanos prejudicando não somente a eles mesmos mais os que estão a sua volta.

Olhando o cenário evangélico estou certo de que há líderes que já estão completamente surtados na direção de organizações, igrejas e, por todo âmbito espiritual que envolve a liderança eclesiástica, as pessoas não conseguem perceber os delírios e doenças presentes em suas lideranças perpetuando suas insanidades.

É preciso se ter um compromisso de saúde. Segundo a OMS saúde “é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. Eu acrescentaria o estado completo espiritual.

Não sei se podemos ter um completo estado de bem-estar em nossas vidas, mas temos o dever de buscarmos o mais próximo possível este estado de “saúde”.

Como podemos fazer isso?

Em primeiro lugar creio que se permitir sentir a fragilidade do nosso corpo. Tenho observado que vários líderes não cuidam do corpo, parece-me que uma teologia espiritual desassociou pelo tempo o espírito do corpo, fazendo com que o cuidado deste fosse vaidade, algo condenável por ser obra da carne.

Estive em um programa de televisão falando sobre vaidade e um dos telespectadores ligou para o programa para dizer que os líderes não devem se preocupar com seus corpos, pois isso é pura vaidade. Devem sim buscar a Deus e terem uma vida de santidade. Inclivel como as pessoas deturpam este assunto.

Na verdade o Novo Testamento traz um conceito de espiritualidade do corpo como nunca se poderia imaginar. Ele diz que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo de Deus. Deus tem muitas casas na terra, a Bíblia diz-nos também que somos casa de Deus. Se Deus habita no corpo o corpo deve estar em perfeitas condições.

Mais ainda assim são poucos que sentem e entendem que fazer ginástica, manter uma refeição saúdavel, ir ao médico, realizarem periodicamente exames ou quando se faz necessário tomar remédio isto é espiritual. A dicotomia entre matéria e espírito prejudica muito
líderes na obra do Senhor.

Por isso temos líderes com enfartes, diábetes, colesterou, pressão alta e tantas outras enfermidades que impedem o desenvolvimento de seu serviço na igreja de Jesus.

Os líderes precisam ter um compromisso de manterem o seu corpo em equilíbrio, pelo menos no que dependerem deles. Isto é mordomia. Deus se agrada com essa atitude e certamente satanás não encontrar brecha para derrubá-los.

Os cuidados do estereotipo devem observar a higienização no sentido amplo da ação e o cuidado intra-físico deve ser observado pela relevância da manutenção de uma vida saudável, regular com especificações criteriosas para não se deixar levar aos exageros.

Temos visto pessoas adquirirem diversos tipos de enfermidades por falta de controle.

Falta de cuidados preventivos, falta de cuidados no combate a certos males que se tratados no inicio tem cura. Existem algumas doenças que são silenciosas no organismo, e só se da por conta de sua existência já em seu estado agravado.

Paulo escrevendo ao novel pastor Timóteo diz: “Tenha cuidado de ti mesmo”. Creio que em outras palavras ele está dizendo ao líder: não estrague o teu corpo que fora feito para glorificar a Deus, descubra em caráter informativo e prático, de como cuidar melhor do seu corpo.

Os líderes devem ter em primazia e como alvo a prevenção quanto a saúde de seus corpos sendo benção de Deus em suas vidas, e não devem se esquecer que a medicina foi estabelecida para que todos usufruam. Lembro-me aqui de Jesus quando untou os olhos do cego com sua saliva e terra determinou que ele fosse utilizar algo terreno, lavando se no tanque de Siloé.

Portanto, uma vida saudável é vontade de pessoas inteligentes quererem. Todo líder deve proporcionar ao templo do Espírito Santo u cuidado moderado sem extravagâncias.

Tudo o que fizermos na vida temos que fazer para agradar a Deus, para glorificar ao seu nome. Sejamos zelosos quanto ao templo do Templo do Senhor, nossas vidas.

Em segundo lugar nossa mente precisa ser tratada. O líder recebe um impacto emocional tremendo, ainda mais se ele estiver responsável por toda uma igreja. É claro que ao longo dos anos de liderança todo líder aprende a levantar barreiras para sua própria proteção, mas nem sempre isso é fácil e possível.

Conversando com um psiquiatra ele me disse que como pastor deveria fazer como ele faz. Depois de atender os seus pacientes ele os deixa em seu consultório e vai para sua casa vivenciar sua vida particular. É claro que há muita sabedoria neste conselho e realmente temos que manter uma disciplina neste aspecto para que não venhamos viver em constante sofrimento do outro, mas no caso ministerial isso definitivamente não pode ser viabilizado. Falamos de família, de tempo de comprometimento, de oração e muito mais. Não há muito que fazer a não ser sempre estar atendo com a saúde da mente.

De vez enquanto temos que nos perguntar se estamos bem emocionalmente ou quem sabe perguntar a pessoas que são bem próximas de nós como cônjuge, filhos e amigos. Nem sempre temos o discernimento correto quanto nossas doenças da alma.

E se estivermos com problemas na alma, o que devemos fazer? Procurar ajuda. Quanto preconceito existe por parte do povo evangélico quanto a especialistas na área da mente tais como: psicoterapeuta, psiquiatra e psicanalista.

Você pode me achar completamente carnal, mas acredito que todo pastor ou líder de uma grande área ministerial deveria ser acompanhado por um especialista da mente. É claro que quem cura é Deus disso não tenho nenhuma dúvida, mas precisamos de pessoas que nos ouçam e saibam nos ajudar de maneira que possamos perceber aquilo que normalmente passa batido diante de nós.

Talvez você esteja perguntando: “E a igreja não tem esse papel?” A igreja deve ter sempre um papel acolhedor, deve ser um lugar em que possamos ser curados, sem dúvida. Mas uma coisa não descarta outra. Às vezes nossas enfermidades surgem também dessa igreja porque ela não é perfeita e muitas vezes está doente precisando de um divã. Se os líderes não estiverem equilibrados para aconselha-la não se terá muita esperança.

Não só de aconselhamento especializado o líder precisa, mas há algumas situações em que precisa de medicação médica por parte de um psiquiatra. Aqui a coisa fica mais difícil. Há um preconceito quanto a se procurar um psiquiatra, acha-se que este é médico de doido. E o líder sofre o que não precisaria sofrer. Tem momento em nossas vidas que precisamos tomar um remédio para equilibrar a mente em termos orgânicos porque a questão não é somente emocional. Além do que há doenças que alguns possuem e que já se tem tratamento advindo da medicina moderna e porque não usá-lo?

SEJA O LÍDER QUE DEUS QUER

Publicado: 1 de novembro de 2010 em Teologia prática
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Um dos maiores desafios é sermos aquilo para o qual Deus nos criou. Tenho ao longo de todo o  meu ministério visto muitos líderes se perderem porque querem ser qualquer coisa, menos o que Deus tem reservado para eles.

Realmente é um grande perigo quando o nosso desejo de ser não está aliado a vontade de Deus, acabamos por fracassar por um simples fato: não há bênção fora dos planos de Deus para a nossa vida.

 O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, queria construir a casa do Senhor, mas o Senhor não o permitiu fazê-lo. Não era para ele fazer apesar de querer. Mais tarde seu filho o Rei Salomão, homem sábio, construiu o santuário de Deus. Davi foi feito para estender as fronteiras do seu reino, foi feito para lutar; Salomão feito para estabelecer o reino no sentido de estabilidade.

João batista foi o precursor de seu primo Jesus. Lendo sua biografia nos evangelhos vimos que nunca desejou ser além disso e foi por isso que quando viu Jesus o reconhece como alguém superior a ele e disse que importava que ele diminuísse e Jesus crescesse, algo absolutamente notório vindo de alguém do mesmo sangue já que as vezes dentro da família é tão difícil o reconhecimento de superioridade. Sabia que sua função era batizar com água, mas viria outro que batizaria com o Espírito; ele era a voz que clamava no deserto, mas haveria outro que clamaria por todo o mundo, o messias de Deus.

O texto do evangelho de João 1: 15 a 28 e 3: 22-30, fala de quem é e de quem não é João. Ele é o mensageiro, aquele que testemunha – vs.15,  é posterior a Jesus – vs. 15, é recebedor da graça – vs. 16, não é o Cristo – vs. 20, também não é Elias – vs. 21, é a voz – vs. 23, é o que fala sobre arrependimento – vs. 23, é o que batiza somente com água – vs. 26, não é digno de desatar as correias das sandálias de Jesus, seu primo – vs. 27, é amigo do noivo – vs.29, sua alegria vem de ouvir o noivo, Jesus – vs. 29, deve diminuir e Jesus crescer – vs. 30. Em Mateus 3: 1-10 e  13-14, ainda temos: Usava roupas estranhas – vs. 4, tinha uma dieta excêntrica – vs. 4, tinha autoridade para batizar – vs. 6, não era víbora – vs. 7, não era digno de batizar a Jesus – vs. 14. João Batista sabia quem ele era. Certamente seus pais tiveram uma grande contribuição para que isso acontecesse, mas sobre tudo ele mesmo por suas escolhas ao longo de sua própria vida.

Se não soubermos quem somos as pessoas vão falar quem somos e às vezes o que não somos e o que é pior, vamos acreditar.

È interessante como as pessoas ao nosso redor querem opinar sobre a nossa vida. Dizem o que acham que somos ou o que deveríamos ser criando em nós uma identidade confusa.

É verdade. As pessoas possuem grandes atos de altruísmo, mas devido o coração pecaminoso, possuem absurdamente a tendencia de acabarem com as outras pessoas. A natureza humana tem destes paradoxos, infelizmente.

Em meu ministério não foram poucas as vezes que membros da igreja, amigos e até familiares fizeram observações, comentaram sobre mim inverdades quanto o que é essencial no meu ser e creio que isto não acontece somente comigo. Lendo certa ocasião o livro a Arte de virar o jogo no segundo tempo da vida de Bob Buford me deparei com a pergunta: Quem você realmente é, e o autor pediu para que colocasse numa folha a resposta. Entre muitos pontos escritos por mim ressaltei que sou uma pessoa bondosa, e aqui, por favor, longe de mim o orgulho ou a exaltação, fica apenas a constatação. Gosto de ajudar, de fazer coisas boas para as pessoas, me esmero ao máximo para ser útil a alguém. No entanto já recebi várias observações e declarações que me reportam para uma imagem de alguém muito ruim, que quer prejudicar o outro. Nestas horas confesso que fico perdido e até mesmo com um grande sentimento de frustração e culpa. A constatação é que muitas vezes perco a minha identidade formada pelo próprio Deus a partir do ventre de minha mãe e passo a ouvir pessoas que nada entendem de criação e que muitas vezes emitem um parecer segundo suas prórprias mentes, sua carne, seu universo de perversidade para mim. 

A verdade é que pessoas gostam de emitirem conceitos sobre outras pessoas e se encontrarem em nossas vidas espaço para construirem seus pareceres em nós consigiram seus intentos e não seremos aquilo para qual fomos feitos.

Outro exemplo: Sou por natureza predominantemente sanguíneo. Sou do tipo que conversa com dez pessoas ao mesmo tempo sem problema algum, falo muito. Alguns de temperamento diferentes do meu querem de qualquer maneira que eu mude e seja como eles. É claro que posso melhorar e fala com cinco pessoas ao mesmo tempo, mas nunca serei como eles, não fui criado para ser como eles.

É preciso de maturidade para fixarmos nossa identidade sem levar colado outras identidades ao longo da vida.

O diabo também quer trabalhar com a nossa imagem. Quer dizer que somos o que não somos diante de Deus. Você não pode, você não conseguirá, você é pequeno de demais para dar cabo desta questão e assim por diante. O inimigo de nossas almas está pronto a mentir sobre quem somos. Ele usará de todos os métodos, situações, pessoas para alcançar este intento. Diminuirá a nossa auto estima, trará a nossa mente incapacitações já superadas pela história de vida, nos aprisionará a sentimentos que nos causam paralisia e até doenças.

Não devemos esquecer que ele veio para matar, roubar e destruir e antes de fazer isso com o mundo ele quer realizar sua obra devastadora em nós, líderes da igreja de Jesus Cristo no mundo. Ao longo dos anos tenho conversado com muitos líderes que não sabem quem são ou se perderam quanto suas características próprias e tenho detectado que apesar de muitos serem brilhantes como pessoas e líderes não se percebem assim. E isso nada tem a ver com a humildade, mas com um poder sobrenatural de destruição. Não acreditam que pode, ficam coagidos ante aos problemas do dia-a-dia em seus ministérios, não tomam decisões na hora certa por medo de não consigirem se manter no ministério e assim por diante. Se a mente e o coraçao estão alinhados a uma imagem fracassada ou algo semelhante todo  o corpo receberá o reflexo e o fruto que surgirá será de péssima qualidade, a terra está contaminada. Muitas vezes embora saibamos que satanás é o pai da mentira, acreditamos no que ele fala como uma verdade inquestionável e passamos a viver uma vida medíocre e fracassada.

Quando não sabemos quem somos nós mesmos nos perderemos. Certa ocasião fui em uma igreja ouvir um amigo meu pregar. No final o cumprimentei e disse que foi muito ouvir Deus através de sua vida. Ele me disse: Meu amigo eu sou apenas um verme. Toda honra e glória ao nome do Senhor. Um verme? Verme é um bicho ruim, causa dados ao nosso organismo. Por que um pregador da Palavra tem que se referi a sim mesmo como algo que só causa males? Ah…esqueci é porque a Bíblia diz “Ó vermezinho de Jacó”. Dá-me paciência Senhor! Um texto usado fora do contexto. Mas tenho outra história para contar de um líder que ministrou um estudo para adolescentes onde estava e no final fiz a mesma coisa agradeci pela criatividade e idéia do estudo e ele me disse: “Realmente acho que fui muito bem.” Seus olhos estavam cheios de soberba. Dois extremos. Duas pessoas perdidas em suas identidades. Não somos nem vermes e nem senhores. Somos o que somos instrumentos usados por Deus, obra de sua criação. Um muito obrigado, continue orando para que eu seja bênção no Reino de Deus seria uma resposta madura para quem sabe quem é no cenário de Deus. Não é somente o coração das pessoas que é ruim e enganoso muitas vezes, o nosso também. Se não o disciplinarmos ele será um coração rebelde que fará de tudo para nos derrotar. A maior batalha é aquela que travada dentro de nós mesmos, por isso precisamos conhecer nossos territórios muito bem para que nós possamos estar preparados para a hora da luta e sermos vitoriosos.

Definitivamente temos que buscar o sentido de nossa existência em Deus. Ele nos fez e nos chamou deste o ventre de nossa mãe do mesmo jeito que o profeta Jeremias foi concebido (Jer.11-2) por isso somente ele pode nos dizer o que somos e qual a nossa missão na face da terra e dentro do seu reino.

Então precisamos descobrir quem nós somos diante de Deus. A tarefa não é fácil e quem dizer que é, talvez nunca se aprofundou em sua busca.

Alguns caminhos importantes em nossa busca pelo que nos somos diante de Deus:

1 – Intimidade  com Deus

É preciso ouvir a voz de Deus; é preciso dialogar com ele. Perdemo-nos porque ouvimos mais a nós mesmos e às vezes a satanás do que o próprio Deus.  É um processo. Tal como aconteceu com os discípulos no caminho de Emaús assim também deve acontecer conosco. Ao caminharem sem esperança, perdidos na missão, Jesus entrou no caminho e conversando com eles lhes devolveu não só a esperança, mas a missão para suas vidas. É assim conosco também, precisamos deixar Jesus conversar conosco sobre a vida, seus desafios, seus desejos, seus sonhos para nós e tomarmos posse de cada um para vivermos em vitória. Isso começa com uma vida devocional. O fato é quem sem o sós com Deus isso será impossível. Um líder precisa separar tempo para buscar ao Senhor em oração e leitura da Palavra de Deus bem como para exercer as demais disciplinas da vida cristã: meditação, jejum e adoração.

Quantas vezes estava completamente confuso sobre quem eu estava sendo, se não tomamos cuidado vamos nos transformando em algo que não compreendemos muito bem, e perdido fui até ao Senhor e nele encontrei o eixo correto para  minha identidade. Conversei certa vez com um líder que estava experimentando muito sucesso em seu ministério, mas estava completamente em crise pessoal. Procurou um profissional na área da terapia e nada adiantou, foi para o psiquiatra e também, apesar de ter melhorado um pouco pelos remédios que fora prescrito, não andou muito quanto a solução de sua angústia pelo que ele era. Em fim muitas foram as vezes que me encontrei com ele e a cada dia estava mais perdido. Um dia ele chegou a mim e disse que sabia o que estava acontecendo com ele. Estava correndo de um lado para o outro, sendo sugado pelos diversos deveres do seu ministério, mas parecendo com um maracujá encolhido, que já não tinha intimidade com Deus. Ele até orava e lia a Bíblia, mas se sentia longe de Deus e vazio dentro de si. Em nossa conversa ficou claro que havia necessidade por uma busca intensa por Deus. Ficamos uns três meses sem contato por diversos compromissos de ambas as partes. Quando conseguimos conversar, qual foi a minha grata surpresa: Ele estava muito bem. Perguntei a ele: O que aconteceu, rapaz? Ele me respondeu: Fernando eu me aproximei de Deus e neste movimento entre o pecador e o santo me encontrei porque Deus pela sua graça me encontrou e reconstruir minha identidade a partir dos cacos. Aleluia!

Em João 15:5 lemos: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” Que coisa simples é ser uma vara de uma videira. A vara brota da videira e ali ela vive e cresce, e, no devido tempo, dá fruto.

Não só quando estamos experimentando uma crise em nossa identidade, mas principalmente neste momentos temos que nos colocarmos em um relacionamento com Jesus e dizer:  Senhor, todas as coisas em minha vida têm que estar em completa harmonia com minha posição como Sua vara, a abençoada Videira por isso preciso de minha real identidade. Quando nos rendermos a Cristo de forma adequada, e Ele mostrará o que está, e o que não está de acordo com sua vontade em nosso eu, e nos guiará na mais profunda e elevada bem-aventurança e acharemos respostas para pergunta: quem somos?.

2- Lutarmos

“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam” Mt. 11:12 

Neste texto lemos que o céu é dos violentos, não das pessoas que fazem guerra, brigam, ou no sentido de uma “violência” ruim. A violência de que nos fala o evangelho é aquela onde lutamos para sermos quem Deus nos criou para sermos, aquela que fazemos contra o mundo e suas tentativas de nos roubar a identidade, violência contra as tentações. É sinônimo de coragem.

Aquela quando estamos diante de líderes que se venderam ao mercado gospel e estão embriagados pela bebida ‘santa’, apesar de termos vontade, fazemos violência contra nós mesmos e dizemos daqui eu não passo, pois conheço o meu limite.

Uma luta que parte da certeza de nossa visão, missão e valores e que nos faz não negociarmos em nenhum momento estes bens preciosos por qualquer outra mercadoria.

Certa vez ouvi um testemunho de um pastor que me impressionou por sua firmeza e personalidade. Ele contou que foi chamado para orar em um hangar por um dono de aviões. Chegando lá, pós a conversar com ele, orou. Em seguido o homem disse: Pastor está aqui uma quantia para ajudar a sua igreja na construção. O pastor sentiu que não era para receber aquele dinheiro e disse: Não, muito obrigado, não posso receber do senhor este valor. O homem ficou indignado. ‘Só porque não sou evangélico o senhor não quer o meu dinheiro! O pastor foi embora achando que poderia ter feito a coisa errada, mas por tudo o que era e já tinha vivenciado em seu ministério realmente chegara a conclusão que agiu de maneira certa. Uma semana depois assistindo TV apareceu o homem sendo preso por tráfico de drogas. Isto significa dizer que se ele tivesse recebido o dinheiro, que era uma excelente quantia, sua igreja e ele mesmo estaria envolvidos como ‘laranja’ no esquema, o que seria difícil de provar o contrário e o testemunho cristão estaria em completo risco. Como é bom sabermos quem somos e em que acreditamos!

 3 – Contar com Deus.

Muitos ainda não sabem quem são ou o que querem, e por isso é preciso  mergulhar fundo dentro de si e permitir que aos poucos Deus revele, os sentimentos, desejos, tanto os bons quanto os ruins. Só assim haverá a percepção de quem se é em cada situação.

Deus nos fala em todos os momentos e nos revela quem somos em cada situação, tudo depende da forma como reagimos aos acontecimentos, e é preciso que estejamos atentos, para não permitir que o mundo e tudo o que vem com ele, roubem nossa identidade.

Somos de Deus e para Deus voltaremos, mas somente se formos “violentos” em busca da nossa essência, da nossa verdadeira identidade:  “Filhos de Deus”. Somos Príncipes e Princesas, pois somos filhos e filhas do Rei.

Não devemos permitir que o mundo e o diabo nos roubem essa identidade tão valiosa e tão cara à Deus.

Podemos contar com Deus neste intento.

4 – Não fique ao lado de gente que distorce quem você é

Um conselho em prático: não fique lado de quem quer que você seja outra pessoa ou insiste em fazer e você uma outra pessoa.

Durante meus estudos tive um amigo que embora tivesse muitas características positivas insistia sempre em me diminuir. Ainda bem que não fazia isso na frente de outras pessoas, mas sempre em particular. Me lembro que ficava muito triste. Na época eu deveria ter me afastado dele ou pelo menos não ter andado tanto tempo junto.

Sei que muitas vezes é difícil tomarmos uma atitude de nos separarmos ou pelo menos diminuirmos nosso relacionamento com pessoas que não querem realmente se relacionarmos com quem somos e sim com quem eles querem que sejamos, mas é preciso. A dificuldade de tomarmos um posicionamento talvez seja porque em muitos casos essas pessoas estão bem perto de nós: é um familiar, um colega de trabalho do mesmo setor, um liderado bem próximo.

Por isso precisamos pedir de Deus estratégias para nos desvencilharmos destas pessoas sem criarmos algum mal estar. Eu creio que Deus nos dará o escape necessário, porque creio que Ele mesmo não deseja que andemos muito perto dessas.

Quando estamos ao lado de gente que não nos conhece ou nos conhecendo querem nos tornar em outra pessoa seja pelo motivo que seja, correm os o risco de nos perdermos e isso nunca é bom.

Talvez em seu ministério você esteja lidando com gente assim, é hora de por um ponto final neste relacionamento. Talvez tenha que fazer isso paulatinamente, mas se não começar nunca concluirá todo o processo. O importante é tomar a decisão.

Hoje, mais consciente quero pessoas ao meu lado que saibam quem eu sou e me aceitam. Isto não quer dizer que quero puxa sacos, mas gente que é de personalidade e que pode andar com outras sem tentar mudá-las. Gente que aconselha, admoesta, mas aceita o outro como ele é. Gente que não precisa subestimar nem superestimar outros para se sentir bem com elas mesmas. As demais pessoas as quero sim para ajuda-las, pastoreá-las e só.

5 – Não aceite outros papéis ou versões de si mesmo

Em minha experiência ministerial o rebanho sempre vai  projetar em você seus anseios, temores, necessidades e quem tem que levantar uma barreira para essas expectativas somos nós mesmos.

Alguns vão querer que você seja um pai. Numa sociedade de órfãos quer da presença de pais ou emocionalmente o líder é colocado neste papel. As pessoas estão carentes de afeto e como não possuem muitas vezes outras alternativas para trabalharem seus desafetos buscam no líder atingirem suas expectativas.

Quando comecei o meu ministério tinha 24 anos e me lembro como as minhas ovelhas queriam que eu fosse seu pai. Principalmente os jovens entre 16 a 24 anos. Mais eu precisava é de um pai. Aos 24 anos poderia ser talvez um líder amigo, mas nunca pai e nunca aceitei este papel. É claro toda decisão pagamos um preço e paguei o meu. Outros líderes que tinham este perfil ou que se venderam a ele, pela demanda de mercado, ficaram com minhas ovelhas. Hoje há muitos líderes que descobriram o ‘segredo de ser pai’ e estão até obrigando seus liderados a chamá-los de Pai – que absurdo.  Como líderes não fomos chamados para sermos pais afetivos de ninguém. Biblicamente não há substituição de papéis de paternidade. Um pastor, um líder foi chamado para liderar como pastor ou como um líder ministerial e ponto. Hoje ainda há muitos que me querem como pai, papai.  Passaram muitos anos desde que comecei o meu ministério e agora que já vi muitas crianças que hoje são adolescentes nascerem me sinto um pouco mais como um líder pai, mas confesso a minha resistência quanto a esse papel. Uma resistência que nasce de uma lealdade a minha ortodopraxia.

Não há problemas de você ser um líder pai se você realmente tiver este perfil e tiver uma teologia que aceite este fato, mas resista com todas as suas forças se não for o caso. Um dia ou você vence ou você perde de vez, estou brincando. Creio que Deus nos honra quando somos o que somos diante dele e que ele nos usa em nossa identidade.

Outro papel que muitas vezes querem nos colocar é como um líder amigo. Qual é o problema de ser amigo? Bem se você possui este perfil tudo bem. Minha liderança tem a ver com amizade. Sou um líder que trabalha com essa característica de ser amigo. Confesso que quando mais novo tinha um ênfase maior nesta área, mas do que agora. É perfeitamente compreensível. Os anos passam e a gente muda. A identidade não é algo estático, aleluia por isso! Agora mesmo tendo esse perfil há pessoas que me querem mais amigo do que posso ser. Um líder, um pastor tem um limite quanto a sua amizade. Ele é amigo e pode continuar sendo, mas nunca poderá esquecer que é pastor e líder. Se ele se perder no ser amigo, poderá perder sua voz profética e sua ação de influência sobre a vida das pessoas.

Há ainda que esperam que sejamos fortes sempre. É como nos colocassem a capa de super homem ou no caso das mulheres o laço da mulher maravilha e dissessem para nós; Você precisam liderar com toda a força e poder. Vocês possuem a força. Talvez esse papel seja o mais perigoso porque tem a ver com o poder, algo que é muito perigoso para nós que somos líderes. Aceitar esse papel é ser poderoso, é ter poder para decisões e sobre pessoas e situações. Para falar a verdade quem entre nós não gostaria de ter o controle total de qualquer situação? Mas a boa notícia é que não podemos ter. Só há um que pode desempenhar este papel: Jesus. Sua identidade permite este domínio.

Experimentar a fraqueza num mundo onde ela é sinônimo de derrota é um ato de bravura e de muita persistência.  Sua congregação ou seu grupo de pessoas vão massacrá-lo por não aceitar este perfil. Vão tentar desesperadamente enquadrá-lo na moldura do líder herói querendo transformá-lo em um mito.

Precisamos de muito direcionamento de Deus para não aceitarmos este papel. Aprender a dizer não quando temos vontade de dizer sim, é talvez um dos maiores aprendizados que temos que exercer.

Poderíamos mencionar um imensa lista de papéis que o povo ou algumas pessoas ou ainda um pessoa quer que exerçamos, mas esses três papéis demonstram o quando o outro exerce força sobre nós.

Não se dobre a força externa. Fique firme. Não aceite versões de você. Lembre-se: Você é original. Embora as versões genéricas possam até ter o número de série para fazerem funcionar, mas cedo ou mais tarde você precisará de um upgrade e não conseguirá, pois será atestado como uma cópia não autenticada e ficará na versão antiga com todos os limites desta. Vale apena lutar para ser original.

6 – Não tenha preguiça para descobrir quem você realmente é.

Certa vez lí não sei onde: “a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais….” Certamente o autor não estava muito preocupado em descobrir sua identidade e sim em viver.

Mas como viver uma vida plena se não nos descobrirmos como pessoas e não sabemos quem somos, impossível.

Clarice Lispector em seu poema diz:

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)…
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.”

É preciso se esforça para encontramos o nosso verdadeiro eu. Um eu não subjugado ao pecado que tanto distorce seu verdadeiro sentido, mas através da cruz de Cristo trazer a luz a verdadeira identidade com tudo de bom e com tudo de ruim que somos e, por conseguinte temos.

Confesso que não é fácil, é algo que dá trabalho. É melhor deixar para depois. Mas o fato é que quando mais tempo postergarmos nossa descoberta, talvez, a maior que poderemos fazer durante toda a nossa vida perdendo somente para a descoberta da Verdade que é Jesus Cristo, teremos uma vida fugaz e sem sentido e propósito e ninguém nos seguirá por muito tempo.

Invista tempo para se descobrir. Leia bons livros sobre identidade.. Descubra o seu temperamento, aspectos positivos e negativos; Faça um dos testes de dons que você conheça e descubra quais são os seus concedidos pelo Espírito Santo. Busque saber de pessoas que realmente lhe amam o que pensam ao seu respeito. Talvez até você tenha que buscar ajuda especializada para se descobrir ou melhor clarear coisas a seu respeito. Deixe Deus falar sobre você no dia-a-dia.

Em fim busque ser pleno em seu próprio conhecimento. Com certeza isso ajudará você a traçar com mais segurança sua trajetória de liderança e se sentirá na direção certa sem grandes crises pelo menos no que diz respeito a quem você é no cenário em que você se encontra.


 “Onde Deus está?”, os repórteres perguntaram a Billy Graham por ocasião do atentado terrorista das torres gêmeas, EUA. O grande pregador respondeu mais ou menos assim: “Deus está nos bombeiros que estão trabalhando dia e noite para resgatarem os sobreviventes, nas centenas de pessoas solidárias que ajudam através do trabalho braçal e doações e dos paramédicos.” 

Nestes dias tão complexos que estamos vivendo como denominação por causa da situação dos seminários teológicos, dos nossos centros educacionais e outras realidades que nos causam profunda tristeza de alma, precisamos de uma resposta para a pergunta: Onde Deus está trabalhando? Caso contrário, ficaremos perdidos e tudo o que fizermos sem sentido. 

A resposta que vamos dar não é fácil. Trilha o caminho do diálogo e de uma profunda reflexão que deve ser feita com toda a humildade e por pessoas que realmente possuam o interesse de ver a obra do Senhor dignificada, apontando a todos respostas que os levem a crer na soberania de Deus, apesar da pecaminosidade e limitações humanas e não os deixem incrédulos da vida denominacional. 

Onde Deus está? 

Talvez na própria reflexão dos líderes que não possuem outra alternativa a não ser pensarem sobre o assunto, sobre os pecados e confissões que se fazem necessários nesta hora;
Na coragem que precisa ser empreendida para a tomada de decisões que rompam um ciclo viciado de cultura gerencial;
Numa politicagem que será desbaratada dando lugar a ações de justiça, amor e santidade;
Na solidariedade de líderes e igrejas que querem resolver os problemas sem jogarem tudo para o alto;
Nas estruturas que vão surgir para solucionar o caos e que servirão de atos preventivos para o futuro das diversas organizações de nossa denominação.
No surgimento de ‘profetas’ institucionais que declarem a vontade de Deus para a denominação e são acatados como instrumentos dele para a saúde de nossa organização batista.
No descobrimento de homens e mulheres de Deus capacitados para exercerem com eficácia e eficiência o serviço de Deus por terem sidos preparados por ele para esta hora. 

Na busca de soluções é preciso não só reuniões sobre estratégias e prováveis soluções, mas respostas também. Não qualquer uma, mas a que nos dará condições para progredir. 

Quando percebemos onde Deus está agindo nas perdas, descobrimos não somente ele, mas a tenacidade para continuarmos na jornada do dia a dia e a esperança para ir em frente, crendo que dias melhores virão. Sua soberania nos dá a absoluta certeza de que não estamos desamparados. Ele continua no alto e sublime trono.